Praia Acessível leva banho de mar a pessoas com mobilidade reduzida

Iniciativa do CBMSC, que oferece cadeiras anfíbias no litoral, realizou mais de 200 atendimentos no Sul do estado nos últimos anos

Pessoas com mobilidade reduzida, idosos e banhistas com limitações físicas estão conseguindo voltar a tomar banho de mar com segurança no litoral catarinense. Isso é possível por meio do Projeto Praia Acessível, que, desde 2013, é realizado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC). A iniciativa disponibiliza cadeiras anfíbias gratuitas e acompanhamento de guarda-vidas durante toda a experiência na água. No Sul do estado, desde 2023, o projeto já realizou 256 atendimentos.

O Praia Acessível é presente por todo o litoral de Santa Catarina. Atualmente, o CBMSC disponibiliza mais de 80 cadeiras anfíbias distribuídas em aproximadamente 60 praias. Segundo o 4º Batalhão de Bombeiros Militares (4º BBM), no Litoral Sul, o programa nasceu da iniciativa de vários órgãos e entidades na região da AMREC. O projeto foi iniciado no Balneário Rincão, em 2013, com a doação de uma cadeira. Nos anos seguintes, foi reeditado e agregado oficialmente ao calendário do Estação Verão do CBMSC, onde permanece até hoje.

Litoral Sul de SC já soma dezenas de atendimentos

Só nas praias do Sul catarinense, o projeto vem acumulando atendimentos a cada temporada. Foram 84 banhos de mar realizados pelo Praia Acessível em 2022/2023. No verão seguinte, o número foi de 48 atendimentos. Porém, na temporada 2024/2025, o serviço voltou a crescer com um aumento de cerca de 81%, atendendo 87 banhistas.

Em 2026, o projeto já registra 37 atendimentos na região. O público é formado principalmente por idosos que perderam a mobilidade ao longo dos anos, e também pessoas com deficiência ou limitações físicas.

Nas cinco praias do litoral sul catarinense — Balneário Rincão, Morro dos Conventos, Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota e Passo de Torres — sete cadeiras anfíbias estão disponíveis na atual temporada.

Como funciona o Praia Acessível

As cadeiras anfíbias possuem rodas adaptadas para areia e estrutura flutuante, permitindo que o usuário entre no mar com estabilidade. Todo o atendimento é feito com o acompanhamento direto dos guarda-vidas, que recebem orientação específica durante a formação para atender pessoas com mobilidade reduzida. Eles acompanham toda a atividade e garantem a proteção dos banhistas durante a experiência.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o tempo de permanência no mar varia conforme as condições do dia, temperatura da água e sensibilidade da pessoa atendida. No entanto, a média do tempo é de cerca de 15 minutos.

A solicitação do serviço pode ser feita diretamente nos postos de guarda-vidas. Os pontos com atendimento podem ser consultados pelo aplicativo CBMSC Cidadão.

História de quem voltou ao mar

Uma das pessoas atendidas pelo projeto foi o João Carlos Neves, de 67 anos.  Morador de São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul, ele veio a passeio nesta temporada, junto de sua esposa e família, para Balneário Arroio do Silva, a 800 quilômetros da cidade onde mora.

Após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no lado direito do corpo e ficar com a mobilidade comprometida, ele achou que não conseguiria mais entrar no mar. No entanto, durante o verão no litoral Sul catarinense, ele conseguiu viver novamente a experiência com o apoio do Projeto Praia Acessível.

Com ajuda dos guarda-vidas e da cadeira anfíbia, João voltou a sentir o mar de perto. A esposa, Maria de Lourdes, destacou o cuidado e a atenção das equipes durante todo o atendimento.

“Nós nunca teríamos condições de colocá-lo no mar sozinhos, mas, por meio do projeto, isso se tornou possível. Ele sempre gostou do mar e agora pode aproveitar com a gente. E a atenção que os guarda-vidas dão para a gente é muito legal, eles têm um respeito e um carinho muito grandes”, ressaltou Maria de Lourdes.

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