Famílias cobram garantia de terapias para crianças atípicas em Cocal do Sul

Associação Voz Atípica questiona a capacidade de atendimento da Apae após mudanças na rede municipal e teme redução ou interrupção de tratamentos essenciais

COCAL DO SUL

ALEXANDRA CAVALER/ MARIANA MACHADO

O desenvolvimento de uma criança exige cuidado, acompanhamento e estímulos adequados às suas necessidades. Para crianças neurodivergentes, que podem precisar de diferentes terapias para desenvolver habilidades, ampliar a comunicação e conquistar autonomia, a continuidade desses atendimentos é ainda mais importante. Em Cocal do Sul, a reorganização dos serviços municipais de saúde voltou a gerar preocupação entre famílias que buscam garantias de que seus filhos não terão prejuízos no acompanhamento terapêutico.

A Associação Voz Atípica de Cocal do Sul questiona a capacidade da rede de atendimento para absorver a demanda e manter as terapias oferecidas às crianças neurodivergentes. A mobilização ocorre após o fechamento da clínica Neuro Ativar e a transferência de usuários do Espaço Crescer e Evoluir para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).

A situação não é nova para as famílias. Em 2025, mães e familiares realizaram protestos e procuraram a imprensa para reivindicar a manutenção dos atendimentos. Agora, diante de novas mudanças na organização dos serviços, a principal preocupação é saber quais terapias estarão efetivamente disponíveis, com que frequência serão realizadas e se todas as crianças conseguirão manter o acompanhamento de que necessitam.

TERAPIA ABA

A questão foi discutida durante uma reunião de fiscalização realizada em 6 de outubro de 2026, na sede da APAE. O encontro teve como objetivo esclarecer as condições da instituição para receber as crianças transferidas, considerando a disponibilidade de profissionais, a estrutura de atendimento e as modalidades terapêuticas oferecidas.

De acordo com o registro elaborado pela Associação Voz Atípica, representantes da Apae relataram limitações para absorver toda a demanda e manter as mesmas terapias e frequências de atendimento que as crianças re cebiam anteriormente. Também foi apontada a indisponibilidadede Terapia ABA para os usuários transferidos, além de restrições em outras modalidades.

A presidente da Associação Voz Atípica, Tamiris Aparecida Jacinto Antunes, destaca a necessidade de que as mudanças na rede de atendimento se jam acompanhadas de garan tias concretas para as famílias.

“Quando falamos de crianças neurodivergentes, estamos falando de necessidades individuais que precisam ser respeitadas. As famílias precisam saber quais atendimentos estão garantidos, quais profissionais estarão disponíveis e como será assegurada a continuidade das terapias. Não basta transferir as crianças de um serviço para outro sem esclarecer como fi ca rá o acompanhamento de cada uma”, é uma sugestão de fala a ser validada com a presidente. Para a entidade, a preocupação vai além da organização dos serviços. A continuidade do acompanhamento é uma questão que afeta diretamente a rotina das crianças e de seus familiares, que precisam conciliar compromissos, deslocamentos e outras responsabilidades para garantir o acesso às terapias.

ENTIDADE explica limites de suporte

Em entrevista à reportagem, a responsável técnica da Apae de Cocal do Sul, Taise Cardoso Petronilho, explicou que a instituição não consegue oferecer a mesma intensidade de terapias prevista nos planos terapêuticos das crianças que eram atendidas na clínica. Segundo ela, os encaminhamentos médicos indicam necessidades específicas, incluindo sessões frequentes e modalidades como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA). A profissional afirmou que foi criado um fluxo municipal para encaminhar à Apae crianças classificadas nos níveis 2 e 3 de suporte. No entanto, ressaltou que a instituição não tem condições de oferecer a essas crianças, de forma integral, a intensidade de terapias prevista nos planos terapêuticos.

Conforme as diretrizes de atendimento que orientam a associação, a oferta seria de um a dois atendimentos por área, com duração de 30 minutos. Essa frequência, segundo Taise, é insuficiente para crianças que precisam de acompanhamento mais intensivo. Há casos, por
exemplo, em que o plano terapêutico prevê quatro atendimentos semanais com psicólogo.

OFERTAS NA APAE

Atualmente, a instituição oferece fonoaudiologia, psico logia, fi sioterapia, psicomotri cidade e atendimento peda gógico aos 145 educandos que frequentam a Apae. A respon sável técnica também destacou que a associação não dispõe de terapia ocupacional e que a disponibilidade de horários limita a ampliação das ses sões em determinadas áreas. “A gente não consegue ofe recer o que elas têm de inten sidade de terapias”, explicou ao destacar a diferença entre os atendimentos disponíveis na instituição e as necessi dades previstas nos planos terapêuticos das crianças. Segundo a equipe, algumas crianças já passaram a receber atendimento na Apae, mas continuam realizando parte das terapias em outros locais. Outras permaneceram no Es paço Crescer e Evoluir porque a instituição não consegue dis ponibilizar todas as modalida des ou a frequência necessária. Taise também relatou que algumas famílias deixa ram de frequentar o Espaço Crescer e Evoluir na expecta tiva de que os atendimentos fossem oferecidos integral mente pela Apae. Conforme a entrevista, essa possibili dade teria sido discutida an teriormente por um antigo responsável técnico, sem que a atual equipe e a dire toria tivessem conhecimen to prévio do compromisso.

PROFISSIONAIS e estrutura

Atualmente, a instituição oferece fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, psicomotricidade e atendimento pedagógico aos 145 educandos que frequentam a Apae. A responsável técnica também destacou que a associação não dispõe de terapia ocupacional e que a disponibilidade de horários limita a ampliação das sessões em determinadas áreas. “A gente não consegue oferecer o que elas têm de intensidade de terapias”, explicou ao destacar a diferença entre os atendimentos disponíveis na instituição e as necessidades previstas nos planos terapêuticos das crianças.

Segundo a equipe, algumas crianças já passaram a receber atendimento na Apae, mas continuam realizando parte das terapias em outros locais. Outras permaneceram no Espaço Crescer e Evoluir porque a instituição não consegue disponibilizar todas as modalidades ou a frequência necessária. Taise também relatou que algumas famílias deixaram de frequentar o Espaço Crescer e Evoluir na expectativa de que os atendimentos fossem oferecidos integralmente pela Apae. Conforme a entrevista, essa possibilidade teria sido discutida anteriormente por um antigo responsável técnico, sem que a atual equipe e a diretoria tivessem conhecimento prévio do compromisso.

Leia mais na edição desta quinta-feira, 22, do jornal impresso Tribuna de Notícias!

Últimas