Há um ano, Criciúma vivia o terror do maior roubo da história do país

Através das investigações, 18 pessoas respondem na Justiça pelo crime, dessas, dez estão presas, duas foragidas e seis em liberdade provisória, com uso de tornozeleira eletrônica

Foto: Guilherme Cordeiro/ Arquivo TN

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Criciúma

Há exatamente um ano, o terror se instalava nas ruas de Criciúma. Após causarem medo e apreensão aos moradores do município, criminosos assaltaram a Tesouraria Regional do Banco do Brasil, na Avenida Getúlio Vargas. Um ato que jamais será esquecido e que, hoje, é considerado o maior roubo da história do Brasil, em números de valores subtraídos. As investigações iniciaram tão logo os bandidos se esvaíram da cidade, por volta das 2h30 da madrugada, em 1º de dezembro de 2020.

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Na primeira fase das investigações, 16 pessoas foram indiciadas e presas por estarem relacionadas à organização criminosa que foi responsável por sitiar Criciúma no ano passado. Na segunda etapa das apurações, a polícia aponta o envolvimento de 12 criminosos, sendo dez homens de São Paulo e um casal de Santa Catarina. Ambos tiveram suas prisões decretadas pela Justiça da Capitão do Carvão. Fortemente armado, o grupo, com outros participantes, roubou R$ 125 milhões, conforme levantamento oficial.

Segundo o delegado da Diretoria Estadual de Investigação Criminal de Santa Catarina (DEIC/SC), Anselmo Cruz, nessa nova fase das investigações, dez pessoas já estão entre os 16 que respondem pelo crime de organização criminosa da primeira fase. Em Criciúma, a ação foi encaixada como “domínio de cidade” e o crime de roubo, nesse caso, exige a ameaça e violência contra determinados cidadãos, diferentemente do furto, onde apenas são levados valores, sem que a vítima seja atacada.

Hoje, no total, 18 pessoas respondem da Justiça pelo crime registrado em Criciúma. Dessas, dez estão presas, duas seguem foragidas e seis tiveram a liberdade provisória concedida, entretanto, devem cumprir medidas cautelares. Das duas ações ajuizadas pelo Ministério Público, estão os crimes de lesão corporal grave, manter vítimas como reféns, dano qualificado, organização criminosa, incêndio, posse de explosivos, uso de armamentos restritos e latrocínio – devido ao disparo que acertou o policial militar Jeferson Esmeraldino.

“Domínio de cidade” e “novo cangaço”

Durante e pouco tempo depois da noite de terror em Criciúma, especulava-se que o crime se encaixava na modalidade “novo cangaço”. Entretanto, com o rumo das investigações, foi constatado que, na verdade, a prática é denominada “domínio de cidade” e possui características marcantes que foram registradas na Capital do Carvão entre a madrugada de 30 de novembro e 1º de dezembro do ano passado.

“O novo cangaço tem como característica ações rápidas, em grupos menores e cidades pequenas, com baixo efetivo policial. Bandos de no máximo dez assaltantes sitiando a cidade de maneira muito rápida. Já o domínio de cidade, que vem acontecendo no Brasil desde 2015, mas Criciúma que provocou uma grande repercussão nacional, tem como características grupos bem maiores, com 30, 40, 50 assaltantes, em cidades de porte médio e grande, com um efetivo policial já considerável e ações não tão rápidas, com média de 2 horas”, explica Cruz.

Um ano de planejamento

Estima-se que o assalto ao Banco do Brasil tenha levado um ano para ser planejado. Os criminosos utilizaram imóveis no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, um deles, foi um galpão no bairro Presidente Vargas, em Içara, que teria sido usado para os bandidos pintarem os veículos empregados durante o acesso a Criciúma e a fuga após o crime. Segundo informações dos proprietários do local repassadas à polícia, na época, o espaço foi alugado com documentações de Joinville e pago com dois meses de antecedência.

Poucas horas depois do assalto, carros luxuosos foram encontrados na comunidade de Picadão, em Nova Veneza. De lá, conforme as investigações, o grupo partiu para uma residência em Três Cachoeiras, no Rio Grande do Sul, onde os integrantes de passavam por agricultores. Na casa onde os bandidos ficaram forma encontrados objetos que possuíam ligação com o crime, entre eles, tintas que supostamente foram usadas para pintar os automóveis.

As audiências já marcadas são para oitiva das testemunhas de acusação. Em seguida, serão designadas as audiências para ouvir as testemunhas de defesa e, depois, os acusados pelo Ministério Público.  Após esta fase, o órgão e os réus apresentam suas alegações finais e o processo segue para ser julgado pelo Magistrado.

As investigações por parte da Delegacia de Roubos e Antissequestro, da Diretoria Estadual de Investigações Criminais, continuam a fim de encontrar os demais participantes do grupo criminoso, bem como para onde foram direcionados os R$ 125 milhões.

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