Em meio à força do bolsonarismo no Sul de Santa Catarina, Giovana Mondardo (PCdoB) conquistou espaço para uma voz que caminha na direção oposta. Com 114.792 votos, a vereadora de Criciúma foi eleita deputada federal e será a única representante da esquerda entre os sete parlamentares eleitos com base política na região. Sua vitória dá à esquerda do Sul uma cadeira e uma tribuna em Brasília.
O tamanho dessa conquista aparece no cenário ao redor. Santa Catarina deu 66,65% dos votos válidos a Flávio Bolsonaro (PL) para presidente e reelegeu Jorginho Mello (PL) governador com 68,98%. Nesse ambiente, Giovana conseguiu transformar uma candidatura de esquerda em mais de 114 mil votos e um mandato federal.
Politicamente, o resultado mostra que a força bolsonarista convive com uma parcela do eleitorado que busca outra representação. Giovana passa a ocupar esse espaço com uma responsabilidade expressiva: levar ao Congresso as demandas de quem, no Sul catarinense, se identifica com a esquerda.
A caminhada começou na Câmara de Criciúma, onde foi eleita em 2020. Quatro anos depois, voltou às urnas e terminou como a vereadora mais votada da cidade, com 3.481 votos. A eleição de 2026 amplia essa trajetória e consolida seu nome como uma das principais lideranças progressistas da região.
Aos 33 anos, cirurgiã-dentista e professora universitária, Giovana construiu sua atuação com pautas ligadas às mulheres, aos trabalhadores e à juventude. Na Câmara e nas redes sociais, também assumiu a disputa de ideias com a direita, sustentando publicamente sua identidade política.
Em Brasília, essa voz terá alcance maior, mas também será mais cobrada. O desafio? Transformar a confiança recebida nas urnas em propostas, articulação e resultados para a população.
Érik Borges / TN Sul




