No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o cenário da bacia do Rio Urussanga, no Sul de Santa Catarina, reforça um alerta que há décadas acompanha a região: a necessidade urgente de preservar, recuperar e gerir de forma eficiente os recursos hídricos. Mesmo sendo uma das menores bacias hidrográficas do estado, ela concentra alguns dos problemas ambientais mais complexos, com impactos diretos na vida de milhares de pessoas.
Degradação
Para o geógrafo e jornalista Zeca Virtuoso, mestre e doutor em Ciências Ambientais e professor da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), a situação é resultado de um histórico de degradação ambiental, especialmente ligado à mineração de carvão; entre outras fontes poluentes. “A bacia do Urussanga, a qual tem um comitê que atua desde 2006, talvez seja a mais problemática de Santa Catarina, principalmente pela contaminação dos seus mananciais. E, ao longo do tempo, não houve ações de remediação sufi cientes para reverter esse quadro. Desta forma a governança hídrica torna- se fundamental, no sentido da articulação institucional de diversos setores, como o comitê de bacia, universidades, órgãos estatais e a sociedade civil organizada em torno da causa”, afirma.
Essa combinação entre baixa disponibilidade hídrica e má qualidade da água acende um sinal de alerta. “Estamos falando de um território que envolve dez municípios e que já convive com o risco de escassez. Não é apenas a quantidade de água, mas a qualidade que preocupa”, destaca.
Equilíbrio ambiental comprometido
Um dos pontos mais críticos desse sistema é o estuário do rio, região estratégica tanto do ponto de vista ambiental quanto socioeconômico. Inserido na Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, o local abriga uma rica biodiversidade e é essencial para a reprodução de diversas espécies de peixes e invertebrados.
No entanto, a presença de metais pesados oriundos da mineração e o assoreamento comprometem esse equilíbrio. “A pesca, que é uma atividade tradicional, foi muito afetada. A recuperação desse ambiente é fundamental não só para o ecossistema, mas também para a economia local e por aspectos sociais”, explica.
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