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terça-feira, outubro 6, 2026

EXCLUSIVO: 24 deputados federais eleitos já foram presos; maioria é do PT

Levantamento em fontes públicas inclui detenções breves e casos que terminaram em absolvição. Julio Garcia e Zé Trovão estão entre os nomes de Santa Catarina

Ao menos 24 dos 513 deputados federais eleitos no domingo (4) possuem registros públicos de prisão ou detenção anteriores à eleição. O grupo representa aproximadamente 4,7% dos eleitos. A contagem reúne situações distintas, desde cumprimento de pena até detenções com liberação após registro de ocorrência.

O levantamento cruzou a relação de eleitos divulgada pela Câmara dos Deputados com notícias sobre os episódios e documentos judiciais disponíveis publicamente. Em Santa Catarina, Julio Garcia (PSD) foi preso pela Polícia Federal em janeiro de 2021 na Operação Hemorragia, segunda fase da Alcatraz, que investigava suspeitas de desvios em contratos públicos. A prisão foi convertida em domiciliar e, posteriormente, revogada pela Assembleia Legislativa catarinense.

Zé Trovão (PL), também eleito pelo estado, foi preso em outubro de 2021, quando se apresentou à Polícia Federal em Joinville após permanecer foragido. A ordem estava relacionada a um inquérito sobre ameaças à democracia. Na ocasião, sua defesa informou que pediria a liberdade do caminhoneiro.

Entre os casos nacionais está João Paulo Cunha (PT-SP), que se apresentou ao Complexo Penitenciário da Papuda, em fevereiro de 2014, para cumprir pena no processo do mensalão. Ele sustentava sua inocência e contestava a condenação.

Outro episódio ocorreu pouco antes da eleição deste ano. Daniel Trindade (PL-RR) foi preso em 25 de setembro, durante a Operação Cunhambebe, e liberado no dia seguinte. A defesa negou as acusações.

A pesquisa também inclui detenções breves. André Fernandes (PL-CE), por exemplo, foi levado à delegacia em junho de 2021 após descumprir restrições sanitárias em uma praia de Pernambuco, durante a pandemia de Covid-19.

Ter sido preso não significa ter sido condenado. Sargento Nantes (PP-SP) e Ney Santos (Republicanos-SP), incluídos no levantamento por prisões anteriores, foram absolvidos nos respectivos casos mencionados na pesquisa.

Cada pessoa foi contabilizada uma única vez, independentemente do número de episódios encontrados. Ordens de prisão sem cumprimento confirmado, casos envolvendo parentes ficaram fora da contagem. O levantamento identifica episódios históricos de prisão ou detenção.

A divisão ficou assim: PT, 7; PL, 4; MDB, 3; Podemos e Republicanos, 2 cada; e seis partidos com 1 nome cada.

Desfechos

Entre os nomes citados, Zeca Dirceu, Sargento Nantes e Ney Santos foram absolvidos nos processos relacionados aos episódios mencionados. João Paulo Cunha foi absolvido da acusação de lavagem de dinheiro, mas manteve outras condenações no mensalão. Agnelo Queiroz obteve absolvição em ação de improbidade, na esfera cível. Já Reginaldo Lopes, Saullo Vianna e Ricardo Coutinho tiveram inquéritos ou ações arquivados ou trancados. Os diferentes desfechos reforçam que ter sido preso ou detido não significa ter sido condenado.

Érik Borges / TN Sul

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