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Criciúma
quinta-feira, setembro 17, 2026

CIEE forma jovens em Criciúma e lança campanha contra assédio

Cerimônia marca conclusão de projeto de pré-aprendizagem e apresentação de iniciativa de conscientização sobre assédio moral e sexual no ambiente de trabalho

Vinte jovens se formam nesta quinta-feira, 17, em Criciúma, no Projeto de Pré-Aprendizagem Profissional do Centro de Integração Empresa-Escola de Santa Catarina (CIEE/SC). A cerimônia de formatura também marca o lançamento de uma campanha voltada à prevenção e à conscientização sobre assédio moral e sexual no ambiente de trabalho.

O projeto de pré-aprendizagem realizado em Criciúma faz parte de um piloto desenvolvido pelo CIEE/SC em parceria com a Secretaria de Assistência Social e Família do Estado, com recursos do Fundo para a Infância e Adolescência (FIA). Ao todo, foram selecionadas dez cidades de SC para serem contempladas com 20 vagas em cada município.

Em Criciúma, os participantes tiveram 90 horas de formação sobre comportamento profissional e as expectativas do ambiente corporativo. Segundo o presidente do Conselho de Administração do CIEE/SC, Luiz Carlos Floriani, boa parte dos jovens já está contratada, mesmo antes da formatura.

“Os participantes tiveram o primeiro acesso à informação de como é o mundo do trabalho, como devem se portar, o que esperam deles mim no mundo do trabalho e assim por diante. E a equipe do CIEE de Criciúma já fez contato com empresas, que foram lá conhecer esses jovens, que chamaram para entrevistas e, hoje, mais de 60% já estão contratados, no dia da formatura, e nós temos uma expectativa que ainda dentro desse mês a gente consiga colocar todos os 20 no mercado de trabalho”, afirma.

Campanha de Prevenção e Combate ao Assédio Moral e Sexual no Mundo do Trabalho

A Campanha de Prevenção e Combate ao Assédio Moral e Sexual no Mundo do Trabalho, que será lançada nesta quinta-feira, surgiu dentro do próprio processo de formação dos adolescentes. Durante as aulas, o tema do assédio foi discutido a partir de diferentes situações que podem aparecer no cotidiano profissional. A proposta é abordar tanto a perspectiva de quem pode sofrer o assédio quanto sensibilizar os jovens para identificar caso outras pessoas estejam passando por essa situação.

O conteúdo aborda assédio moral e sexual, situações presenciais e também aquelas que ocorrem por meios digitais, ponto que, segundo o presidente, é pouco discutido sobre o tema. Os jovens tiveram orientações sobre comportamentos que podem configurar situações de abuso e sobre os canais que podem ser procurados para obter orientação ou relatar um caso.

A preocupação, segundo Floriani, aumenta pelo fato de o CIEE trabalhar diretamente com adolescentes, um grupo mais suscetível a sofrer assédio e não saber como reagir. A campanha também procura ampliar a compreensão sobre o assédio moral, incluindo situações relacionadas à forma como gestores e supervisores conduzem orientações e feedbacks.

“Nós estamos lidando com adolescentes. Então, até os 18 anos de idade, nós temos que protegê-los em todos os aspectos. Cuidar para que as empresas os utilizem da forma adequada no exercício das profissões que estão aprendendo e para que os supervisores e demais colaboradores da própria empresa entendam que estão trabalhando com um jovem ou uma jovem que precisa ser respeitado dentro daquele ambiente”, pontua Floriani.

A orientação também passa pela prevenção. Para Thiago Fontana, coordenador da unidade do CIEE/SC em Criciúma, trabalhar previamente situações que podem gerar desconforto permite que o jovem reconheça limites e saiba se posicionar diante de comportamentos inadequados.

“A gente já está trabalhando o âmbito comportamental para que esse jovem não seja impactado futuramente. Isso pode trazer traumas, isso pode trazer um dano psicológico. […] Então são N situações que podem acontecer devido a uma questão que não foi trabalhada previamente. Por isso trabalhamos muito com a prevenção”, explica.

Quando um jovem relata uma situação de possível assédio ou outro problema, a equipe multidisciplinar da instituição analisa o caso individualmente. Segundo Thiago, o acompanhamento começa pela tentativa de compreender o que aconteceu antes da adoção das providências cabíveis.

Thiago explica ainda que a equipe pode identificar mudanças de comportamento dos jovens durante as atividades. Em casos que envolvam suspeita de violência ou assédio dentro do ambiente familiar, o trabalho pode exigir encaminhamentos para a rede de proteção.

2,3 mil jovens são atendidos em Criciúma e região

A unidade de Criciúma atende os municípios da região e, segundo os dados apresentados durante a entrevista, conta atualmente com cerca de 2,3 mil contratos ativos. Em Santa Catarina, o CIEE/SC possui 18 unidades presenciais e ultrapassou a marca de 26 mil contratos ativos em 2026.

Segundo Thiago, aproximadamente 500 empresas de diferentes segmentos mantêm parceria com a unidade regional de Criciúma. O trabalho inclui empresas privadas, comércio e também alguns órgãos públicos.

A ampliação da inserção de jovens no mercado de trabalho ocorre em um cenário de forte demanda das empresas por trabalhadores. Floriani afirma que Santa Catarina vive um cenário de escassez de mão de obra em diferentes níveis de qualificação e que a dificuldade de preenchimento das vagas tem levado empresas e municípios a recorrerem cada vez mais à mão de obra migrante.

“Nós estamos vivendo um apagão de mão de obra. E não é só mão de obra qualificada, mas sim de mão de obra de todos os níveis. As empresas estão carentes e ficando cada vez mais dependentes, inclusive, de mão de obra migratória”, afirma.

Segundo o presidente, a discussão não deve se limitar à migração internacional. Ele também chama atenção para o deslocamento de trabalhadores de outras regiões do Brasil para Santa Catarina, diante do crescimento populacional registrado no Estado. Na avaliação apresentada por Floriani, parte dessa demanda pode ser atendida com a preparação e inserção profissional de adolescentes e jovens que já vivem nas cidades catarinenses.

Ainda conforme Floriani, o CIEE/SC encerrou 2025 com cerca de 25 mil contratos ativos, que resultaram em mais de R$ 300 milhões pagos pelas empresas em bolsas de estágio e salários de aprendizes. Para Floriani, a geração dessa renda também movimenta diretamente as economias locais.

Escola e formação profissional em consonância

A inserção profissional precisa caminhar junto com a permanência dos jovens na escola. Floriani afirma que todos os programas da instituição exigem que o adolescente ou jovem esteja estudando. “Nós temos consciência da importância do trabalho para que esse adolescente, esse jovem, inicie a conquista dos seus sonhos, mas também temos consciência de que ele não pode estar fora da escola. Então, todos os nossos programas obrigam o participante a estar estudando. É um requisito, se você sai da escola, você vai estar fora do programa”, explica.

A lógica, segundo o presidente, é preparar o jovem para continuar se desenvolvendo profissionalmente após o ingresso no mercado de trabalho.

Nova sede em Criciúma

A ampliação da atuação na região também passa por um investimento anunciado pelo CIEE/SC. A entidade anunciou que está na fase de seleção da empresa que deverá construir uma nova sede própria em Criciúma. O projeto prevê um prédio de quatro pavimentos, no terreno onde funcionava a antiga unidade, na rua Pedro Benetton, no Centro, com um investimento estimado de R$ 10 milhões.

De acordo com Floriani, a previsão é aprovar o início das obras em outubro e concluir a construção, que terá quatro pavimentos, no segundo semestre de 2027. O novo espaço deverá ampliar a estrutura de atendimento aos jovens e às famílias e oferecer melhores condições de trabalho às equipes.

Outros programas

A atuação do CIEE também é desenvolvida por meio de programas em parceria com outras instituições. Entre eles estão iniciativas com o Ministério Público de Santa Catarina e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, voltadas à inserção profissional de adolescentes e ao atendimento de jovens em situação de vulnerabilidade.

No caso do programa Novos Caminhos, por exemplo, a proposta é preparar adolescentes que estão em centros de acolhimento para que possam atingir a maioridade já formados e inseridos no mercado de trabalho. Já o programa Trabalhando Juntos busca sensibilizar e orientar o empresariado sobre a obrigatoriedade de cumprir as cotas da Lei da Aprendizagem (Lei nº 10.097/2000).

Para o CIEE/SC, a combinação entre acompanhamento da formação e oportunidade profissional é uma forma de preparar os jovens para o futuro e, ao mesmo tempo, responder à demanda das empresas por novos trabalhadores.

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