Carlos Filipe
Meleiro
Motoristas que trafegam pela SC-447, entre Meleiro e Araranguá, enfrentam condições precárias em diversos pontos da rodovia, com destaque para o trecho da comunidade de Sapiranga, onde buracos e falhas no asfalto têm se intensificado. O problema afeta uma via considerada estratégica para a região, com fluxo constante de veículos leves e pesados.
Everaldo Martins, que mora às margens da rodovia há oito anos, relata que os problemas se intensificaram após mudanças no trecho. “Antes, a velocidade era absurda. Depois que um menino de 12 anos morreu atropelado, construíram duas lombadas e prometeram outras obras, mas não fizeram mais nada”, afirma.
Segundo ele, a falta de resposta do poder público aumenta a insatisfação dos moradores. “Tentamos contato com o Deinfra e ninguém nos responde”, reclama, destacando que o fluxo intenso de veículos pesados contribui diretamente para a deterioração da pista. “Aqui passam muitos caminhões e carretas. Quando a Serra da Rocinha estiver liberada, os caminhões vão sair por Meleiro, Araranguá e Ermo. Se o Governo do Estado não investir, o problema vai piorar”, alerta.
Além dos impactos estruturais, ele relata prejuízos no dia a dia. “Trabalho em Araranguá e passo todos os dias por esse trecho. Perco muito mais tempo do que poderia levar se a estrada estivesse boa”, comenta.
O morador afirma ainda que a situação já foi levada a autoridades locais. “Já estivemos na Câmara de Vereadores, a parte deles foi feita, mas a prefeitura precisa intervir, pois são os moradores de Meleiro que passam ali todos os dias”, enfatiza.
De acordo com o vereador de Meleiro Samaroni Schuvartz, o cenário se agravou nos últimos meses, mesmo após sucessivas operações de tapa-buraco. “Tem vários pontos bem ruins, mas o mais crítico é na comunidade de Sapiranga”, informa, lembrando que o trecho entre os dois municípios tem aproximadamente 21 quilômetros.
A rodovia corta uma área com presença de lavouras, postos de combustíveis, estabelecimentos comerciais e residências, o que aumenta o impacto dos problemas na rotina da população. “É uma estrada muito movimentada. E isso que ainda não abriram a Serra da Rocinha, que vai aumentar ainda mais o fluxo de veículos”, afirma.
Problemas recorrentes
Segundo Schuvartz, a situação foi levada ao Departamento de Infraestrutura no ano passado. “Entreguei um ofício pedindo a revitalização. Já tivemos alagamentos e agora o problema aumentou”, comenta, lembrando que, apesar das intervenções, a deterioração do asfalto se tornou generalizada. “O problema está espalhado por toda a rodovia”, ressalta, avaliando que um dos fatores que pode ter contribuído para o agravamento foi a instalação de lombadas. “O problema aumentou, porque os caminhões precisam frear e danifica o asfalto”, salienta.
Peso e drenagem
O coordenador regional da Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade de Santa Catarina (SIE), Altemir Ghisi, o Miro, confirma que o trecho exige uma solução mais ampla. “Naquela região, depois que fizemos as lombadas em função de um acidente com morte, teve um agravante, porque os caminhões começaram a parar bruscamente, mas o maior problema é o excesso de peso”, analisa, indicando que muitos motoristas usam a SC-447 como rota de desvio da balança, na BR-101, em Araranguá. A SIE deve elaborar um projeto de drenagem. A etapa é necessária antes de uma revitalização completa. “Estamos em levantamento para saber qual valor será necessário para corrigir este problema definitivamente”, salienta.
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