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sexta-feira, setembro 4, 2026

Brigas na região da rodoviária assustam lojistas e afastam clientes

Comerciantes relatam prejuízos, ameaças e queda nas vendas. Pedido é por policiamento constante no local

Thiago Oliveira

Criciúma

A sequência de brigas nas proximidades da rodoviária de Criciúma tem preocupado comerciantes e mudado a rotina de quem trabalha na região central da cidade. Nas últimas semanas, episódios de violência passaram a ocorrer com frequência, principalmente na saída de um bar, envolvendo grupos que chegam a reunir até oito pessoas em confrontos que terminam em socos, feridos e correria.

Vídeos dessas situações têm circulado nas redes sociais e ampliado a sensação de insegurança entre os lojistas. Para quem mantém comércio no entorno da rodoviária, o impacto já aparece no movimento das lojas. A clientela diminuiu e alguns estabelecimentos chegaram a fechar as portas.

Uma comerciante da região afirma que os conflitos se tornaram recorrentes. “Meus clientes acabaram. Vou ter que pagar os boletos e ir embora. Em uma semana, foram cinco brigas. Estou perdendo dinheiro, pago boleto. Aluguel, não já consigo pagar. Acabou com meu ponto”, revela.

Além do prejuízo financeiro, comerciantes relatam medo constante. “Para o centro de Criciúma é uma vergonha. Está que nem São Paulo. Está parecendo a Cracolândia. Pessoal está fechando as portas. Já fui até ameaçada de morte. Saio de casa e não sei se volto”, lamenta.

Abaixo-assinado pede policiamento

Diante da situação, alguns lojistas começaram a se mobilizar para tentar chamar a atenção das autoridades. A comerciante Marilza Fontana elaborou um abaixo-assinado solicitando a presença constante de uma viatura da Polícia Militar na região. “Uma amiga minha fez esse ofício. Eu passei para cada um do pessoal das lojas, porque a gente está pedindo isso para a PM ter uma viatura aqui durante o dia. Como eles fazem lá no parque, como eles fazem na praça, como eles fazem nas escolas. Esse é o nosso objetivo. Então eu consegui algumas assinaturas. Porque está insuportável”, conta.

Segundo ela, a presença de pessoas em situação de rua e usuários de drogas na região também tem contribuído para o aumento das confusões. “Sexta-feira teve uma briga aqui, aí eles vieram brigando. Um deles pegou uma barra de ferro e jogou ali na quina do outro azulejo. Eu levei um susto. Isso há 20 anos que não cessa. Só que ultimamente está demais. Eles sentam ali, estão usando o crack e aparece dois, três, quatro, cinco, todo dia diferente. O pessoal da prefeitura veio um tempo, tira daqui, vai para lá, daí passa dois dias, eles voltam”, destaca.

Medo e sensação de abandono

Além das brigas, comerciantes relatam medo de depredações e assaltos. As vitrines e fachadas das lojas ficam expostas sempre que há confusão na rua. “A gente não tem segurança. Se eles começam a brigar ali, eles se batem nesse vidro. Quebra. E quem é que vai responder isso?”

Marilza afirma que, em alguns momentos, a única alternativa é evitar qualquer reação diante das situações de violência. “Eu sou obrigada, às vezes, abaixar a cabeça, fazer de conta que não vejo, eu tô cansada. Sinceramente, já me deu várias vezes vontade de fechar e embora. Assaltada oito vezes aqui já”.

O sentimento predominante entre os comerciantes é de vulnerabilidade diante da situação. “Eu sou sozinha. Eu tenho medo. Me sinto muito vulnerável”, completa a comerciante.

A reportagem tentou o contato com a Secretaria de Assistência Social de Criciúma, mas não teve retorno até o fechamento da edição.

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