(vídeo) Safra histórica da pitaya chama a atenção de produtores

Além de mexer no preço, a alta colheita dificulta o armazenamento e o escoamento da fruta

A safra da pitaya tem sido histórica em Santa Catarina. Nas últimas semanas, a colheita tem sido muito maior que o normal, o que tem surpreendido até mesmo os produtores da fruta. Em Jacinto Machado, o volume foi tão alto, que um agricultor não conseguiu escoar a produção, de modo que precisou descartar boa parte do que foi colhido, já que não tinha para quem vender.

No resto da região, os números também são altos. Na propriedade da família Mazzuchello, em Içara, a produção rendeu um alto volume. “No ano passado inteiro, foram 40 toneladas. Neste ano, em uma só colheita, foram 30 toneladas. Deu um volume muito alto. E com a proximidade entre as safras, deu uma pesada para quem produz”, conta o produtor Tiago Dal Molin Mazzuchello.

Organização é necessária

O produtor içarense conta que duas coisas fazem a diferença para enfrentar períodos como esse: organização e equipamento de armazenamento, como uma câmara fria. “Aqui, para nós, até agora, não teve problema nenhum. Foi algo pontual. Os produtores muita vezes não investem para armazenar essa fruta e aos poucos ir escoando a produção. A colheita foi muito grande, por isso que precisa se organizar e se preparar para esse momento. Aqui também foi apertado, mas conseguimos ir distribuindo aos poucos com a câmara fria. Claro que nessas situações, o preço também não ajuda muito, mas a gente conseguiu ir”, destaca Mazzuchello.

Outro problema causado pela safra recorde é o preço da fruta, que cai, e muito, para quem produz. “Interfere no preço. Pela questão da alta produção. Mas se está um consumo bom, há um preço melhor. E a gente sabe que o Brasil é muito grande. Tem capacidade para consumir muita fruta. Ao longo dos anos, vai crescendo o consumo da pitaya. É questão de ser a época de muita fruta ao mesmo tempo. Mas se consegue escoar aos poucos, o preço também não barateia tanto. Mas se não conseguir escoar, o produtor ficar com a corda no pescoço. Ou vende, ou tem que botar fora”, conta o produtor, que vence para uma grande rede de supermercados da região, além de outras partes do país. “Vendemos para o Brasil inteiro. Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná. Vendemos para muitos lugares. A gente não fica só na região”, completa.

Caso em Jacinto Machado chamou atenção

O Sul é o maior produtor de pitaya em Santa Catarina, sendo responsável por aproximadamente 80% da safra. Muito disso, vem da região do Extremo Sul, mas a região chamou atenção com uma cena: o agricultor Anoir Tomazi, sem conseguir escoar a produção, gravou um vídeo, dando a fruta aos bois. “Em Jacinto Machado acontece isso com a pitaya. Não tem mais onde botar pitaya. A gente incentiva o pessoal não plantar mais. Foi prometida a compra da nossa pitaya. Incentivaram a plantar. Eu plantei bastante pitaya, não porque eu quis, mas por que foi incentivado, e infelizmente, hoje não tem mais venda e sobrou pitaya. Esse é o nosso suor do dia a dia. Se plantar perde. Não tem mais saída para a pitaya”, desabafa.

Segundo Tomazi, apenas 3,5, das 9 toneladas colhidas, foram comercializadas. O que é produzido, acaba vendido para a cooperativa local, que por sua vez faz a distribuição para os grandes centros. A demanda, porém, foi pouca, e a última colheita não foi bem comercializada.

Para não desperdiçar o alimento, fez doações para instituições, creches e pessoas próximas. Mas a quantidade era tamanha, que nem mesmo a câmara fria conseguiu dar conta, e depois de algumas semanas, as frutas começaram a desmanchar, o que o obrigou descartar a pitaya.

Por Thiago Oliveira

Vídeo: reprodução/Pordentrodasafra

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