­­­Criciúma comemora 146 anos de história e desenvolvimento

Extração do carvão foi a base para o desenvolvimento econômico e social da menina do Sul. Inicialmente chamada de Cresciuma, cidade conta com a persistência das famílias imigrantes para tornar-se o polo econômico da região

Tiago Monte

Criciúma

Hoje, terça-feira, 6 de janeiro, Criciúma, a maior cidade do Sul Catarinense, comemora 146 anos de colonização. O município, inicialmente chamado de Cresciúma, testemunhou um notável progresso econômico impulsionado pela tenacidade das famílias imigrantes e, especialmente, pela extração de carvão, que se tornou sua principal atividade econômica.

A fundação e o início da colonização ocorreu em 1880, com a chegada das primeiras famílias, vindas do Norte da Itália, com imigrantes italianos de Veneza, Belluno e Treviso. Nos primeiros tempos, muitos colonos morreram na luta com os bugres. Os imigrantes fizeram caminhadas cansativas, rasgando picadas até encontrarem um rio, onde iniciaram a povoação.

O nome Cresciuma foi escolhido devido à presença abundante do capim Kyruy-Syiuâ, termo Tupi para o capim encontrado na região. Em um marco histórico na década de 1940, a cidade mudou seu nome para Criciúma por meio da lei estadual nº 247 de 30/12/1948.

Antes subordinada a Araranguá até a década de 1920, Criciúma conquistou sua independência política e administrativa em 4 de novembro, data celebrada como o aniversário de emancipação da cidade.

Crescimento pela extração mineral

A extração do carvão, iniciada na primeira metade do século XX, foi a base para o desenvolvimento econômico e social de Criciúma. A ferrovia instalada para transportar o carvão tornou-se crucial, conectando Criciúma a outras cidades e, surpreendentemente, iniciando o transporte de passageiros em 1923.

Em 1940, a população do município triplicava pela grande quantidade de ofertas de emprego, o que acarretou problemas de infraestrutura. Criciúma também passava a ser conhecida nacionalmente como capital do carvão, o que deu início ao processo de modernização.

No ano de 1975, a linha férrea Dona Teresa Cristina foi retirada do centro da cidade, marcando o fim de uma era ferroviária. A cidade então inaugurou o Terminal Urbano Ângelo Guidi como parte de um conjunto de obras significativas.

Na década de 1990, Criciúma passou por uma nova mudança, implementando um sistema rodoviário inspirado no modelo curitibano. O Terminal Central substituiu o Ângelo Guidi e continua a ser utilizado até os dias atuais.

Hoje, Criciúma se destaca como uma das melhores cidades do Brasil para fazer negócios e um PIB superior a R$ 8 bilhões, figurando entre os maiores de Santa Catarina. “Estar à frente da maior cidade da região Sul do estado de Santa Catarina, no aniversário de colonização política é uma honra que vai pro resto da minha vida e para gerações que virão depois de mim, ficará escrito na minha história e da minha família”, comenta o prefeito Vágner Espíndola (PSD), o Vaguinho.

O início na atual Praça Nereu Ramos

As 22 famílias do Norte da Itália, que desembarcaram na cidade, com 139 pessoas, não sabiam, mas estavam prestes a fundar o mais próspero município de toda a região. À época, se acomodaram na localidade onde hoje se situa a Praça Nereu Ramos. Precisaram batalhar para lidar a mata fechada e iniciar as primeiras produções agrícolas, de onde tirariam o sustento.

Os alemães e poloneses chegaram alguns anos mais tarde, ajudando a estimular o processo de colonização. Os germânicos partiram do porto de Hamburgo e antes de chegarem à Capital do Carvão, fizeram escalas no Rio de Janeiro, em Florianópolis e Laguna. Os polacos vieram sobretudo das cidades de Varsóvia, Kracóvia e Pietrowska, também em busca de trabalho na lavoura. 

A chegada dos demais imigrantes aconteceu quando a cidade despontava como uma potência na extração de carvão mineral e na indústria cerâmica, já nas primeiras décadas do século XX. Foi desta maneira, com um conjunto de povos, idiomas e culturas que Criciúma cresceu. A cidade abraçou a todos, não importando a raça, etnia ou religião. Para comemorar tamanha miscigenação cultural, foi criada em 1989, após o centenário do município, a Festa das Etnias. Foram 31 edições ininterruptas, tornando-se um dos principais eventos anuais da cidade.

“Criciúma nasceste menina. Foi teu berço plasmado em carvão. Hoje és uma aurora brilhante. De uma nova e feliz geração”. Os primeiros versos do hino, escrito por Gessy Cheren Stoco, já resumem um pouco a história do município. De uma pequena cidade, fundada pelos imigrantes europeus, passando pelo crescimento oportunizado pela extração mineral, até tornar-se o polo regional.

Dona da oitava maior população de Santa Catarina, com 214 mil habitantes – além de outras milhares de pessoas de toda a região que trafegam diariamente pela cidade – Criciúma tornou-se a capital do Sul. Conhecida pelo carvão, por uma economia forte e diversificada e também pelo Tigre, que através do futebol, levou o nome da cidade para todo o Brasil. “Daqui mais algum bom tempo, algumas décadas, quando eu não estiver mais aqui, o meu nome ficará escrito na história da cidade. Isso chama-se legado e simboliza que Criciúma é plural, democrática e dá espaço para todos”, finaliza o prefeito.

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O município

Fundação: 6 de janeiro de 1880

Gentílico: criciumense

População: 214.493 (Censo IBGE 2022)

Número de eleitores: 154.640 (TSE/2024)

Prefeito: Vagner Espíndola (PSD)

Distância de Florianópolis: 194 quilômetros

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