Quatro ex-prefeitos de Santa Catarina passaram oficialmente à condição de réus após a Justiça catarinense receber denúncias apresentadas no âmbito da Operação Mensageiro. A decisão marca o avanço de uma das maiores investigações de corrupção já realizadas no Estado, que apura fraudes em licitações, pagamento de propinas e favorecimento de empresas em contratos públicos.
Tornaram-se réus José Thomé (PSD), de Rio do Sul; Adriano Poffo (MDB), de Ibirama; Antônio Ceron (PSD), de Lages; e Júlio Ronconi (Progressistas), de Rio Negrinho. Com o recebimento das denúncias, eles passam a responder formalmente a ações penais.
No caso de José Thomé, a acusação aponta fraudes em contratos públicos, com indícios de superfaturamento e manipulação de processos licitatórios. Segundo o Ministério Público, os contratos seguiriam um padrão semelhante ao identificado em outros municípios investigados, com direcionamento e prejuízo aos cofres públicos.
Já Adriano Poffo é acusado de ter recebido propina mensal entre 2017 e 2019. As investigações indicam que ele mantinha contato com o operador do esquema conhecido como “mensageiro”, apontado como figura central da organização criminosa, para garantir favorecimento em contratos de serviços públicos.
O ex-prefeito de Lages, Antônio Ceron, responde por suposta fraude em três licitações, com direcionamento de editais para beneficiar empresas ligadas ao grupo Serrana. Em uma das concorrências, a Justiça reconheceu a prescrição, impedindo o avanço da denúncia nesse ponto específico, mas considerou os demais fatos suficientes para o prosseguimento da ação penal.
Em Rio Negrinho, Júlio Ronconi é acusado de ter recebido cerca de R$ 1,46 milhão — aproximadamente R$ 810 mil durante o mandato e R$ 650 mil após deixar o cargo. Conforme a denúncia, os valores teriam relação com o favorecimento da empresa Serrana em licitações realizadas entre 2017 e 2020.
Além do avanço das ações contra os ex-prefeitos, a Operação Mensageiro já registrou uma condenação. O prefeito de Imaruí, Patrick Corrêa (Republicanos), foi condenado a 22 anos e 10 meses de prisão, com determinação de cassação do mandato. A legislação, contudo, permite que ele recorra da sentença em liberdade enquanto o processo não transitar em julgado.
Deflagrada em dezembro de 2022, a Operação Mensageiro investiga um esquema estruturado de corrupção envolvendo prefeituras, empresas prestadoras de serviços e intermediários, com foco em contratos de coleta de lixo, abastecimento de água e iluminação pública. As apurações seguem em andamento.




