Neste domingo (10), a queda do prédio dos Correios em Içara completa 20 anos. A tragédia deixou marcas na história da cidade e impactou os moradores e dezenas de bombeiros que estiveram envolvidos no resgate das vítimas. O desabamento do dia 10 de agosto de 2005 tirou a vida de quatro pessoas e outras 12 foram resgatadas com vida.
A queda aconteceu durante a manhã, no centro de Içara, e o edifício possuía cinco pavimentos — subsolo (garagem), térreo (área comercial dos Correios), dois andares e cobertura. Foram 99 bombeiros do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) envolvidos no resgate das vítimas que durou dois dias. O corpo da última pessoa foi encontrado na manhã de 12 de agosto, às 8h20.
O Corpo de Bombeiros, a Prefeitura de Içara e também empresas privadas se mobilizaram para a realização dos resgates. Vanderlei Vanderlino Vidal, coronel da Reserva Remunerada (RR) e comandante da operação, explica as dificuldades enfrentadas durante os dois dias. “O acesso era extremamente difícil, pois as portas e janelas do térreo, do primeiro andar e de todo o subsolo estavam bloqueadas pelos escombros. Foi necessário arrombar paredes e lajes para criar entradas. A laje do teto do térreo praticamente se uniu ao piso daquele pavimento, restando pequenos espaços entre móveis, onde algumas vítimas foram encontradas”, ressalta.
Medo e esperança
A tragédia foi a pior ocorrência de sua vida, destaca o sargento Laercio Pedroso. “Naquele dia, o que mais me marcou, e ainda marca até hoje, foi o medo. Não estou falando isso para criar nenhum tipo de heroísmo ou fantasia, mas foi realmente a pior ocorrência que enfrentei nesse aspecto. Imagina, tinha acabado de colapsar um prédio inteiro, esmagando um pavimento… A estrutura estava totalmente comprometida. Se ali movimentasse um milímetro, tudo poderia desabar de novo”, relembra.
Ao mesmo tempo em que situações de tristeza se desdobravam, o subtenente RR Wanderley Pereira conta que era possível ver esperança. “Perguntei se havia mais alguém precisando de ajuda e ouvi o grito de uma funcionária que estava cerca de 10 metros para dentro. Uma parede de tijolos estava sobre ela, mas sem pressioná-la — ela só não conseguia sair. Rastejamos até lá, quebramos a parede e, com cuidado, retiramos os tijolos até libertá-la. Ela conseguiu sair conosco”, recorda.
Um olhar para os avanços
Após duas décadas, o atual comandante do 4° Batalhão de Bombeiros Militar de Criciúma, tenente-coronel Henrique Piovezam da Silveira, reforça a importância dos avanços em tecnologia, novos equipamentos de resgate, salvamento e combate a incêndio e dos investimentos contínuos em capacitação dos bombeiros. Ele destaca o quanto todos esses fatores juntos influenciam em uma melhor preparação, mais segurança e eficiência para atender à população em tragédias como a que aconteceu em Içara.









