Criciúma
Edson Padoin
cidades@tnsul.com
Desde sua inauguração há dez dias, a Central de Acolhimento de Criciúma, localizada na Rua Coberta – Giro Henrique Lodetti, tem desempenhado um papel crucial no apoio às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Sob a iniciativa do Governo Municipal, o local tem sido um ponto de suporte e assistência para aqueles que foram afetados pela tragédia, oferecendo orientações, encaminhamentos e um ambiente acolhedor para aqueles hospedados na cidade.
O espaço, que funciona das 8h às 17h, abriga profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social, prontos para atender às necessidades dos que buscam auxílio. Desde sua abertura, a Central já prestou assistência a mais de 100 famílias, proporcionando suporte em diversas áreas, desde a emissão de documentos até encaminhamentos para serviços sociais, assistência médica, emprego e educação.
De acordo com a secretária de Assistência Social de Criciúma, Dalva Borges Pires Donadel, a maioria dos atendidos busca a Central para questões relacionadas à obtenção de documentos, sendo a segunda via o serviço mais requisitado. Além disso, há uma demanda expressiva por emprego, vagas em creches e matrículas no ensino fundamental, especialmente para crianças entre quatro e sete anos.
“A maioria das pessoas procuram o local para tirar a segunda via de documentos. A prioridade dos atendidos é emprego, vagas em creches e no ensino fundamental”, explicou.
“Já pensamos em ficar na cidade”, diz sobrevivente
Conforme a secretária, a grande maioria das pessoas acolhidas na Central está temporariamente hospedada em residências de familiares e amigos na cidade. Apenas duas famílias precisaram ser encaminhadas para abrigos temporários, enquanto outras já estão buscando estabelecer-se permanentemente em Criciúma. Alguns já encontraram emprego na região e estão em processo de integração com a comunidade local, demonstrando um desejo genuíno de fazer da cidade sua morada permanente.
Relato
É o caso da vendedora e moradora de Canoas, Daniela Silva da Silva. Ela chegou no último fim de semana em Criciúma e já pensa em ficar na cidade. “Viemos em nove pessoas, sendo quatro crianças. Sou do bairro Mathias Velho e a nossa casa foi invadida pela água após o rompimento do dique. Isso nunca tinha acontecido”.
A gaúcha, junto com os filhos e familiares, ficaram dois dias ilhados até serem resgatados. “Foi desesperador. As pessoas gritavam para serem resgatadas. Fomos para Capão da Canoa e depois viemos para Criciúma no último fim de semana. A minha cunhada é da cidade e por isso viemos. Já alugamos uma casa e o acolhimento dos catarinenses está sendo muito bom. Eu e o meu irmão já pensamos em morar aqui já que não faz mais sentido voltar para Canoas”, completou a sobrevivente.
Atendimento
A secretária de Assistência Social destacou ainda a importância do atendimento humanizado oferecido na Central. “Eu tive a possibilidade de ver pessoas sendo atendidas. O que elas querem não é nada de especial, é somente o básico. Além disso, muitos querem contar um pouco da sua história, ser ouvidos. Por isso os nossos atendentes estão todos preparados para fazer esse atendimento humanizado, sabendo levar uma mensagem de carinho e oferecendo toda a estrutura que do município”, observou a secretária.
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