Consumo em brechós: uma alternativa à moda tradicional em Criciúma

Brechó Estilo Livre é um dos primeiros a vender pelas redes sociais em Criciúma e até chegar nas clientes, as roupas passam por um processo de garimpo, limpeza e divulgação

Foto: Nilton Alves/TN

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Thais Borges/Especial
Tribuna de Notícias/Portal TN Sul
Criciúma

Como alternativa à moda tradicional – conhecida como fast fashion, ou, moda rápida – os brechós têm propostas diferentes que vão desde a sustentabilidade até a história, época e estilo que uma peça de roupa carrega.

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O fast fashion é baseado na produção e consumo em massa no setor têxtil e é caracterizado pelo demasiado descarte de peças, principalmente na troca frequente de tendências de moda. Se contrapondo a isso, os brechós valorizam o aproveitamento de roupas usadas, com estilo atemporal, que ainda podem ser reutilizadas, renovadas ou personalizadas.

Em Criciúma, Katielen Plácido de Campos, conhecida como Kati, 29 anos, começou o seu negócio em 2016. “O meu interesse surgiu há 12 anos atrás e a minha primeira experiência foi com a minha avó e mãe, que são super brechozeiras. Elas me levaram e comecei a ter gosto”, conta. Kati continuou comprando em brechós de bairro e bazar. “Eu tive o meu filho e tive que desapegar de algumas roupas e pensei: por que não fazer um brechó?”, lembra.

Katielen publicou as peças nas redes sociais e então surgiu o Brechó Estilo Livre. “Dali em diante o brechó cresceu demais. Em 2020 veio a pandemia e muitos brechós online abriram. Hoje em dia é muito valorizado”, afirma.

Garimpo e curadoria

Os destinos de garimpo de muitos brechós são os bazares beneficentes e brechós de bairro, movimentando a economia local. “Eu ajudo mulheres que tem fundo de garagem, de porão, de renda baixa. Tem um apoio de elas estarem me ajudando e eu ajudando elas” explica, ainda ressaltando que “esses são lugares sujos, com mofo, pelo de gato”. Para o processo de garimpo, são usadas luvas e máscaras. As peças são escolhidas de acordo com o gosto das clientes. “Já sei bem o que levar. Não pego qualquer peça. Tem que ver se não tem furo, se não tem rasgado”, esclarece Katielen.

Após a seleção de peças, vem a curadoria para remover manchas e mofos. “A gente chega em casa, separa por cor e faz a curadoria certa, ou vai na máquina ou na mão. Eu sempre faço na mão”, confirma Kati.

Foto: Nilton Alves/TN

Disputa

Todas as etapas de seleção de roupas, curadoria e conteúdos são publicados nas redes sociais. Além da loja física, que fica no porão da casa de sua mãe, o perfil do brechó serve de vitrine para as clientes e gera disputa pelas roupas exclusivas. As atualizações acontecem aos domingos à noite e, quem comentar primeiro na imagem da roupa, leva a peça.

As fotos das roupas são feitas em cenários improvisados e com o apoio de amigas e modelos.

Foto: Arquivo Pessoal

Peças vintage e CGC

O CGC é a sigla antiga para o CNPJ, mudança que tem mais de 20 anos, ou seja, peças que tem essa sigla na etiqueta, já são consideradas vintage. “Tem qualidade superior, tecidos bons e duradouros. São costuras mais grossas e com história de 30 anos atrás. Vestir vintage gera consciência porque tem essas peças a anos circulando por aí”, defende Kati.

Foto: Arquivo Pessoal

Mimos

Com a compra, o carinho da brechozeira Katielen vai embalado junto. Um dos últimos mimos que Kati preparou para as suas clientes mais fiéis foi a impressão de fotos das clientes em papéis estilo polaroid e um batom com formato e essência de morango, muito famoso nos anos 80, justamente para relembrar uma identidade mais antiga, de nostalgia. “Isso faz muita diferença na entrega dos pacotinhos para elas. Elas adoram. Todo mês estou mudando os mimos, sempre pensando no que elas poderiam usar”, conclui Katielen.

Foto: Arquivo Pessoal

Criando consciência

Hannah Beatriz Silvano Nunes, 25 anos, de Criciúma, já compra em brechós há cinco anos, quando criou consciência sobre seu consumo, desde a alimentação até produtos de higiene e vestuário. “Comecei a repensar sobre a questão de impacto ambiental, consumo exagerado e como isso tem reflexos muitos ruins para a nossa sociedade”, pensa.

Usando as redes sociais, Hannah pesquisou lojas, conheceu o Brechó Estilo Livre e se tornou cliente. “Agora a gente está em uma moda de fast fashion muito grande de grandes empresas que fazem inúmeras roupas com tecido de baixa qualidade, com preço inferior, e a gente vê as pessoas envoltas nisso quando a gente precisa repensar os nosso hábitos e onde que estamos investindo o nosso dinheiro” reflete.

Ainda neste ano, Hannah vai tentar comprar roupas somente de brechó. “Eu não consumo totalmente ainda, mas eu espero, principalmente neste ano, 100% das minhas roupas serem de brechó”, projeta.

Hannah usando blusa e tênis de brechó – Foto: Arquivo Pessoal

Indústria poluente

Um dos setores mais poluentes no mundo é o da indústria têxtil. Aterros ao redor do planeta terra abrigam milhares de entulhos de roupas. Tecidos sintéticos e à base de petróleo são os mais poluentes. Além disso, utilizam alta quantidade de água e componentes maléficos para o meio ambiente.

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