Wi-Fi gratuito em locais públicos de Criciúma volta à discussão

Gustavo Milioli
Criciúma

Hoje, Criciúma não conta com locais públicos com disponibilidade de Wi-Fi liberada. A pauta foi levantada pelo vereador Manoel Rozeng na última sessão da Câmara Municipal, que encaminhou ao Executivo um requerimento em busca de mais informações.

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“Os parques da cidade são ambientes saudáveis, com natureza, prática de atividades físicas e ótimos pontos de encontro. São locais que atraem pessoas, e irão atrair muito mais se fosse disponibilizado o acesso à internet. Muitos ainda não têm acesso a uma internet de qualidade. Por isso, será outro motivo para estimular as pessoas a irem aos parques”, observa o parlamentar.

Saúde
Rozeng, que também exerce a profissão de psicólogo clínico, reconhece os benefícios da socialização ao ar livre. “Saúde mental tem tudo a ver com esse tipo de ambiente. Hoje, como todos estão conectados e passam muito tempo em casa, a opção vem bem a calhar. O próprio banho de sol já possui vitaminas que previnem a depressão”, completa.

A ideia da criação de um Programa Wi-Fi Livre em Criciúma não se estende apenas aos três principais parques da cidade. Para o vereador, o ideal é que todos os ambientes públicos, seja ao ar livre, ou dentro dos departamentos do Governo Municipal, disponham de internet gratuita aos cidadãos. “Faço a solicitação para todos os espaços públicos, incluindo as praças e os serviços”, afirma.

Um benefício a mais para o comércio da cidade

O incremento da internet seria mais um aliado para o comércio. Em tempos de Pix e pagamentos virtuais, o projeto daria aos clientes que não possuam dados móveis no aparelho celular a possibilidade de efetuarem o pagamento das compras sem dinheiro ou cartão. Por sinal, o Programa de Proteção de Defesa do Consumidor (Procon) do município já implantou uma iniciativa parecida.

Em 2016, ainda sob a gestão antiga, nove regiões de Criciúma foram contempladas com internet gratuita, incluindo os três terminais urbanos de ônibus e a rodoviária municipal. O projeto não se prolongou por muitos meses, sendo descontinuado no início de 2017. “É lógico que o Wi-Fi disponível para o consumidor é ótimo, seria uma maravilha. O comércio
da cidade só teria a ganhar com isso. Naquela época era outra tecnologia, eram outros tempos. Hoje, precisamos nos preocupar com a segurança dos usuários”, pontua Gustavo Colle, coordenador do Procon.

Município tem projeto pronto e estuda possibilidades
A Diretoria de Tecnologia da Informação do Governo Municipal informou à reportagem que já elaborou um projeto que vai de encontro à proposição do vereador Manoel Rozeng. No entanto, os técnicos da prefeitura veem dificuldades de implementá-lo sem que aconteça uma Parceria Público-Privada (PPP).

“Elaboramos o Programa Wi-Fi Livre há um tempo, levando internet gratuita aos parques, praças e prédios públicos, mas isso dependeria muito da participação privada. Discutimos o assunto, mas como o projeto não avançou, deixamos de lado”, afirma Tiago Pavan, diretor
de Tecnologia da Informação da prefeitura de Criciúma.

Para tirá-lo do papel, o município almeja uma cooperação técnica, com a concessão do espaço para alguma empresa explorar a oportunidade comercialmente, em troca da liberação do acesso à internet. “Mas não é tão simples assim. Existe a questão relacionada à Segurança da Informação, principalmente na proteção de dados pessoais. Há uma série de camadas técnicas envolvidas”, aponta Pavan.

O diretor ilustrou: “Digamos que alguém se aproveite daquele acesso gratuito para cometer crimes. Precisamos ter condições de auditoria para identificar os endereços e chegar até a pessoa. São aspectos mais delicados. Tecnicamente, parece simples, e existem locais que até fazem isso, mas sem se atentar a essa responsabilidade”, enfatiza.

Nos terminais
Ao menos uma parte do projeto está perto de ser colocada em prática. Em breve, os três terminais urbanos da cidade receberão Wi-Fi, facilitando a vida dos usuários de ônibus. “Entendemos que, para quem que utiliza o transporte público, é importante que tenham acesso aos horários de ônibus, ou ao próprio aplicativo Moovit, que disponibilizamos para o gerenciamento do deslocamento do transporte público”, assinala.

Em relação aos departamentos públicos, o Paço Municipal é um dos únicos que já ofertam o acesso aos visitantes. De acordo com Pavan, a intenção é levar a disponibilidade também para sedes como o Procon e a Fundação Cultural, além das Unidades de Saúde. Com relação às escolas, o diretor ressaltou que a legislação estadual prevê apenas o uso interno aos estudantes.

De volta ao radar da Diretoria de TI

A implementação do projeto não está descartada. Após o prefeito Clésio Salvaro nomear, em maio, Nícola Martins como secretário do Comitê Gestor para cuidar exclusivamente dos assuntos relacionados a PPPs, Pavan acredita que ficará mais fácil concretizá-lo.

“Vamos aproveitar o momento para retomar essa discussão com o Nícola. Com uma pasta criada com foco em concessões, convênios e parcerias, possivelmente conseguiremos avançar”, antecipa. No entanto, a fórmula não será a mesma da utilizada em 2016 pelo Procon. “À época, fi zeram uma parceria com a CDL, a prefeitura e uma empresa, que fornecia a internet, mas que não realizava as manutenções. Após o fim do contrato, com o aumento dos problemas, o serviço foi descontinuado”, relembra.

Para o diretor, não adianta disponibilizar o acesso, se o sinal for ruim, passando de solução para problema. Citando como exemplo a Praça Nereu Ramos, no centro de Criciúma, em um sábado, milhares de pessoas poderiam se conectar. Para que não aconteçam transtornos, a carga precisa ser potente. Este é outro ponto que faz com que municípios de pequeno porte consigam ofertar internet em praças com maior facilidade.

“Imagine a extensão geográfica de Criciúma e o volume de pessoas. Num município menor, não é incomum de acontecer. Por outro lado, nem sempre existe a preocupação com questões técnicas e de segurança. Eu mesmo já visitei locais onde percebi que estava conectado em uma rede que não era segura”, pondera.

Onde há internet gratuita na Amrec

Na Região Carbonífera, apenas Lauro Müller e Treviso, atualmente, oferecem Wi-Fi na praça central. Em Siderópolis, havia até a Praça da Matriz entrar em obras de revitalização. O cenário é o mesmo de Forquilhinha, com a Praça dos Imigrantes Alemães. Morro da Fumaça também contava com internet na praça em frente ao Paço Municipal a até semanas
atrás. Segundo a prefeitura, o serviço foi interrompido após a troca de software e ainda não há previsão de retorno. Já em Balneário Rincão, a prefeitura oferece Wi-Fi no calçadão central apenas durante o verão.

O Procon de Içara, assim como o de Criciúma, anos atrás, também implementou um projeto parecido. A atual gestão do município pretende retomá-lo em frente à Praça da
Matriz São Donato. Inclusive, já está viabilizando os equipamentos necessários. Cocal do Sul, Nova Veneza, Forquilhinha, Urussanga e Orleans não contam com o benefício.

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