Gustavo Milioli/Tribuna de Notícias
Criciúma
Perguntado se em algum momento dos últimos 30 anos havia perdido as esperanças de ver o Porto Seco virar realidade em Criciúma, LorisvalPiucco foi categórico em negar. O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Sul de Santa Catarina (Setransc), e um dos idealizadores do projeto, vibrou com a recente notícia da publicação do edital de licitação pela Prefeitura de Criciúma. O município recebeu R$ 5 milhões via Governo do Estado para dar início à primeira metade da pavimentação do complexo localizado no bairro São Marcos. A abertura das propostas acontece no dia 11 de maio.
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Também chamado de Cidade dos Transportes, o Porto Seco pretende ser um espaço para concentrar as transportadoras e desafogar o fluxo de veículos pesados da área urbana de Criciúma. O nome é sugestivo. Como acontecerá a constante entrada e saída de mercadorias, tal qual um porto tradicional, surgiu a ideia de batizá-lo assim. O Porto Seco já existe em grandes metrópoles brasileiras, como São Paulo e Porto Alegre.
A partir da execução, tem-se a expectativa de o Governo Municipal economizar em restaurações de pavimentação de ruas e em toda a infraestrutura existente sob as vias, como energia, telefonia, água e esgoto. “O Porto Seco vai beneficiar os transportadores e a cidade. O caminhão pesado circulando na zona urbana gera uma despesa muito grande e uma lentidão no trânsito. Com esse projeto, concentrando as empresas lá, a cidade fica limpa de veículos pesados. Hoje, os caminhões chegam aqui de diversas partes do Brasil para descarregarem nos mercados, atacados, cerâmicas, e depois fica rodando pelos bairros da cidade procurando carga para retornar a sua origem. Isso gera lentidão e estrago na infraestrutura rodoviária. Com isso, vamos eliminar grande parte desse problema de Criciúma. O motorista que vem de fora, descarrega em um local e lá mesmo já vai encontrar carga para retornar”, detalha Piucco.
O Setransc estima uma rota de 20 mil veículos por mês. Além de sediar as transportadoras, o local de 580 mil metros quadrados irá abrigar posto de combustíveis, oficinas mecânicas, borracharias e outros serviços, como farmácia, banco, despachante, posto policial, entre outros.
Neste primeiro momento, serão pavimentados 880 metros de mão dupla. Restarão, ainda, cerca de 3 quilômetros para serem licitados futuramente. “Nós estivemos no Governo do Estado, através da deputada Ada de Lucca, em agosto do ano passado e lá conseguimos os primeiros R$ 5 milhões, com grandes chances de também conseguirmos mais R$ 5 milhões para concluirmos o projeto”, pontua o presidente.
Localização estratégica
O lugar onde o Porto Seco está situado é considerado logisticamente perfeito. “Fica dentro do Anel Viário, atrás da Ferrovia Tereza Cristina, com a Via Rápida a oestee acessos facilitados à BR-101, Içara e Criciúma. Quem investe ali, não corre o perigo de futuramente sair. São terrenos voltados apenas para indústrias e transportadoras, e não residências. É como se fosse um distrito industrial”, destaca.
O Porto Seco tem espaço para comportar, no trecho a ser pavimentado nos próximos meses, cerca de 20 empresas. A maior parte destas já começaram as movimentações para construírem e ocuparem o espaço.
“Muitos dos nossos proprietários, assim que sair a pavimentação, já irão iniciar as obras. Temos, atualmente, uma empresa funcionando, três em construção, e outras 10 com projetos prontos apenas aguardando a pavimentação para levantar os pavilhões. Como a situação se prolongou por décadas, muitos empresários que compraram terrenos lá já construíram em outro local. Vamos trabalhar para conseguirmos completar o complexo”, salienta.
De acordo com Piucco, o Porto Seco vai, principalmente, favorecer o pequeno transportador. O sindicato estima que existam na Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) e na Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc), cerca de 600 transportadoras. “Muitos deles estão espalhados pela cidade. Eles vão poder ter uma sede própria, sem pagar aluguel. Vários já manifestaram interesse em comprar as áreas e construírem seus escritórios ali”, comenta.
Sest/Senat
A área já contempla o Serviço Social de Transporte e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/Senat). Outro ponto positivo é que ali os caminhoneiros iniciantes poderão realizar seus treinamentos, sem comprometerem o trânsito urbano de Criciúma.
“Hoje, no Estado, faltam cerca de 4 mil motoristas profissionais. Temos esse número de veículos parados por falta de motoristas. O Sest/Senat, inserido dentro do projeto do Porto Seco, conta com um simulador de direção para treinamento. Com quase 5 quilômetros de pista, nós vamos treinar os motoristas novos para evitarmos de utilizar as rodovias que possam gerar incômodos. A maior parte desses 4,8 quilômetros são formados por pistas duplas”, revela.
Uma ideia que nasceu há 30 anos
A idealização do Porto Seco de Criciúma nasceu em 1992. O projeto inicial foi criado dois anos depois e é o utilizado até agora, após passar por atualizações de preços e quantidades. Quando o Setransc comprou a área, que pertencia ao empresário ZefiroGiassi, as ruas precisaram ser doadas à prefeitura, por isso o Governo Municipal tem o papel de administrar a obra.




