Gustavo Milioli
Urussanga
Os vereadores de Urussanga aprovaram as aberturas de Comissões Processantes (CP) contra o prefeito Gustavo Cancellier (PP) e os vereadores Fabiano De Bona (PSDB), Odivaldo Bonetti (PP) e Rozemar Sebastião (PDT), afastados dos cargos no último ano. A decisão, que dará aos parlamentares em exercício o direito de votarem pela cassação dos mandatos ao final das apurações, foi confirmada na primeira Sessão Ordinária do Legislativo urussanguense, realizada na noite desta terça-feira, dia 1º.
Cancellier foi retirado da prefeitura em maio, após a deflagração pela Polícia Federal da Operação Benedetta, que apura a execução de obras superfaturadas no município. Já os três vereadores foram impedidos de entrarem na Câmara em dezembro, devido à Operação Hera, da Polícia Civil, que investiga práticas ilícitas na Fundação Ambiental de Urussanga (Famu).
Os políticos afastados dos dois poderes serão investigados por duas CPs diferentes. A abertura das comissões foi concretizada por meio de votação entre os nove parlamentares da Casa. Ambas as CPs tiveram cinco votos favoráveis, dois contrários e uma abstenção (confira os votantes abaixo). Um sorteio definiu os três representantes do Legislativo que participarão da CP contra Cancellier. Foram eles Thiago Mutini (PP), Luan Varnier (MDB) e Bras Ciseski (PSDB). Mutini foi eleito presidente e Varnier foi eleito relator. Ciseski ficou como membro suplente.
A formação que terá a função de investigar os três vereadores afastados também foi decidida por sorteio. José Carlos José, o Zé Bis (PP), Ademir Bonomi (MDB) e Daniel Moraes (PSD) foram os escolhidos. Por eleição, Moraes foi denominado o presidente e Bonomi o relator. Zé Bis permanecerá na suplência.
Estava previsto um discurso do prefeito interino Jair Nandi (PSD), como é de praxe no início de cada Legislatura. Nandi optou por reagendar a sua presença para a próxima sessão, marcada para a próxima terça-feira, dia 8.
Vereadores debatem e justificam escolhas
Alguns dos parlamentares em exercício foram ao microfone justificar os votos. Luan Varnier (MDB) reforçou que uma das principais funções da Casa Legislativa é fiscalizar. “Nós temos que trabalhar. Temos que fiscalizar. É a nossa competência. Essa Casa não é e nunca será puxadinho da prefeitura. Nesses processos, eu peço para aqueles que forem representantes dessas comissões, que não coloquem a questão partidária na frente e façam o procedimento correto, como Urussanga merece”, defende. Ele foi um dos cinco que votaram pela abertura das CPs.
José Carlos José, o Zé Bis (PP), se posicionou de maneira contrária e pediu para que a bancada da sua sigla fizesse o mesmo. “Ninguém pode condenar ninguém antes de um julgamento justo. Como eu não sou investigador, não sou policial federal e não sou juiz, poderia estar cometendo uma injustiça nessa cassação”, declara.
Elson Roberto Ramos, o Beto Cabeludo (MDB), em resposta a Zé Bis, afirmou que a finalidade da abertura de uma Comissão Processante é dar liberdade ao parlamento executar o seu papel. “Está sendo protocolado um pedido de investigação. Urussanga não pode passar por uma catástrofe moral. A própria população também tem curiosidade de saber os fatos. Essa Casa Legislativa precisa ter consciência da responsabilidade que tem”, destaca.
O vereador Erotides Borges Filho (PDT), ressaltou que os órgãos competentes já concluíram os processos pertinentes aos políticos afastados. “Discutimos sobre fatos, e não hipóteses. Devemos respeitar o trabalho da Polícia Federal e da Polícia Civil. Vamos nos ater a fatos que já constam nos processos. Entre as funções dos vereadores está fiscalizar. A abertura da CP é uma das formas de colocar isso em prática”, declara. Daniel Moraes (PSD), externou um pensamento parecido. “Sempre que existir um indício de irregularidade, a Casa deve apoiar o caráter investigativo”, define.
Como votaram os parlamentares na abertura de Comissões Processantes contra o prefeito e os três vereadores afastados:
Izolete Duarte Vieira (PP) – Abstenção
Zé Bis (PP) – Contra
Thiago Mutini (PP) – Contra
Ademir Bonomi (MDB) – A favor
Luan Francisco Varnier (MDB) – A favor
Erotides Borges Filho (PDT) – A favor
Daniel Moraes (PSD) – A favor
Braz Ciseski (PSDB) – A favor
Obs: De acordo com o Regimento Interno, o presidente da Câmara, Beto Cabeludo (MDB), votaria apenas em caso de empate.




