Apoio e prevenção: campanha discute combate à violência contra a mulher

Data lembrada nesta quinta-feira, dia 25, reforça a importância de apresentar medidas eficazes a fim de proteger o público feminino, além de informar a população sobre os tipos de crimes

Foto: Lucas Colombo/ Arquivo TN

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Criciúma

Entre janeiro e outubro deste ano, 38 mulheres morreram brutalmente vítimas de feminicídio em Santa Catarina. Desses crimes, segundo dados da Segurança Pública do Estado, dois foram registrados na Região Carbonífera (Amrec), sendo um em Criciúma e o outro em Siderópolis. A cada dia, o número de denúncias têm sido recorrentes. Por isso, hoje, às atenções se voltam à proteção e ao combate de violências praticadas contra o público feminino.

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O Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher é lembrado hoje, quinta-feira. A decisão foi estabelecida em 1981, em homenagem às irmãs Mirabal, que foram mortas pelo ditador Trujillo, na década de 60. Nessa data, Patria, Minerva e Maria Teresa regressavam de Puerto Plata, onde seus maridos se encontravam presos, quando foram detidas na estrada e assassinadas por agentes do governo militar.

As irmãs eram conhecidas por lutarem em busca de soluções para problemas sociais e políticos do país onde viviam. Em 1999, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), intitulou a data como o ”Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher”, a fim de estimular a necessidade de conscientizar toda a população sobre o tema, que assola a vida de tantas vítimas.

Cenário na região

Segundo a psicóloga policial da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) de Criciúma, Lilian Motta Gomes, a denúncia mais recebida pelo órgão é referente a ameaças. “As vítimas fazem o boletim de ocorrência, e aí, vamos trabalhar pra identificar e reunir às informações para encaminhar ao fórum, quando a mulher deseja representar criminalmente. Em casos de ameaça, ela precisa dizer que quer dar continuidade no processo”, explica.

Ainda conforme a profissional, a situação se agrava, em casos de violência, quando a mulher decide romper o relacionamento. “Essa é a denúncia mais comum, junto com as injúrias, os xingamentos”, pontua. “Nos casos de lesão corporal, elas não precisam dizer se querem levar adiante ou não. Nesse caso, o Estado assume a responsabilidade de responsabilizar o homem”, completa.

Entretanto, muitas vezes, as vítimas acabam não dando continuidade, por se sentirem inseguranças, ou, até mesmo, por retomarem a relação com os parceiros. “Algumas desistem por medo, outras porque resolveram a situação. Elas dizem que só deles [homens] saberem que o boletim foi registrado, já mudaram. E aí, decidem não responsabilizar”, acrescenta Lilian. “São relações familiares, envolve contextos. Muitos homens apoiaram as mulheres, e vice-versa, para eles construírem uma família, então, é uma trama muito difícil de ser dissolvida assim”, completa.

Projetos de prevenção

Em Santa Catarina, a Polícia Civil atua em dois programas, o PC por Elas e o PC por Elas nas Escolas. “Nós fazemos essas campanhas de prevenção, levamos informações e trabalhamos algumas dinâmicas, quando estávamos podendo fazer presencialmente nas instituições. Começou em 2018, estava bem forte em 2019, e depois veio a pandemia, daí não pudemos fazer pessoalmente, mas  continuamos com palestras online”, enfatiza a psicóloga.

Para a profissional, é de fundamental importância o empenho de diversos órgãos e setores em prol do tema. “Inclusive, essa discussão chamando a sociedade para também deixar de negar, porque há muita negação, de que a mulher passa por esse tipo de violência, é importante. Então, a gente precisa, além de trabalhar com as crianças e adolescentes nas escolas, focar na sociedade, admitir e parar de negar, para que possamos avançar”, pontua Lilian.

Estupro, lesão corporal e violência doméstica

Quanto às ocorrências, em Santa Catarina, foram registrados 11.813 denúncias neste ano de lesão corporal doloso em situação de violência doméstica. Já de estupros praticados contra o sexo feminino, foram 963, sendo que 360 mulheres estavam também em situação de violência doméstica.

Para denunciar, disque 180

Em caso de emergência, a mulher ou alguma pessoa que esteja presenciando uma situação de violência, deve pedir ajuda através do telefone 180. Uma viatura da Polícia Militar é enviada até o local para o atendimento. O número está disponível 24 horas por dia e a ligação é gratuita.

 

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