Esperada há mais de década, rodovia Interpraias ainda aguarda projeto

Hoje chamada de Caminhos do Mar, iniciativa visa interligar as praias do Sul do Estado, em um caminho de 138, quilômetros. Obras devem custar cerca de meio bilhão

Foto: Guilherme Cordeiro/TN

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Thiago Oliveira/Gustavo Milioli

Passo de Torres/Laguna

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De novidade nos últimos anos, apenas a mudança no nome. A Rodovia Interpraias, planejada para interligar as praias do Sul do Estado, de Passo de Torres a Laguna, passou a se chamar Caminhos do Mar em 2018. E desde então, pouco se falou sobre o projeto que se arrasta como uma novela sem fim.

A iniciativa tem rodado há mais de uma década. Passou por readequações. Passou por diferentes governos. Mas segue muito longe se tornar realidade. Mais que isso. Não existe nenhum projeto. “Precisa ter um projeto bem elaborado, com licenciamento, para depois viabilizar os recursos. Mas se não existe esse projeto, como vai executar uma obra desta natureza, desta porte, que corta praia, corta terreno, corta rodovia sem um planejamento bem elaborado? Por isso que não temos grandes expectativas, porque primeiro tem que ter o projeto”, revela o presidente da Associação dos Municípios do Extremo Sul (Amesc) e prefeito de São João do Sul, Moacir Francisco Teixeira (MDB).

O Extremo Sul, aliás, tem sido o grande incentivador do projeto. Não apenas porque deve diminuir consideravelmente os gargalos até as praias, mas principalmente, porque a rodovia funcionaria como um impulso ao turismo. A expectativa é que promova o desenvolvimento em cidades como Araranguá, Balneário Arroio do Silva e Balneário Gaivota.

“Será um marco de desenvolvimento. A BR-101 não passa nem dentro de Araranguá. Passa por fora. Leva o nosso turista para Garopaba, Laguna, Florianópolis… E a ligação nas praias vai fazer com que ele venha passear e acabe ficando nas praias com menor estrutura como a nossa. Como o Rincão, como Balneário Gaivota, como Passo de Torres. E vai facilitar a vinda deles e despertar o interesse em acrescentar. Ainda mais com a facilidade da Serra da Rocinha. Vão ter uma segunda via com bom acesso e próxima das praias. Esse seria o principal objetivo”, analisa o prefeito de Balneário Arroio do Silva, Evandro Scaini (PSL).

Um corredor entre o Litoral Sul

A Rodovia Caminhos do Mar tem o objetivo de interligar as praias do Sul catarinense, entre Passo de Torres, na divisa com o Rio Grande do Sul, e Laguna. Um total de 138,9 quilômetros. A grande inspiração é a Estrada do Mar, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, que vai de Osório a Torres.

A expectativa era que a iniciativa tivesse novidades em 2018, ainda com Eduardo Pinho Moreira (MDB) como governador. Na ocasião, ele indicou iniciar os trabalhos com o primeiro trecho, de 12,6 quilômetros, de Passo de Torres até Balneário Gaivota. Mas a ideia não foi para frente.

Além desse, outros quatro trechos são planejados: de Balneário Gaivota ao Balneário Arroio do Silva (totalizando 21, 5 quilômetros); de Balneário Arroio do Silva a Balneário Rincão (15,09 quilômetros), de Balneário Rincão a Jaguaruna (27,63 quilômetros), e por fim, o quinto lote, que é o único pronto, entre o Balneário Camacho, em Jaguaruna, e a Barra, em Laguna, com um ramal para o Farol de Santa Marta.

O próprio traçado ainda não está definido, já que na última atualização, foi destacada a necessidade de aproveitar a via já construída para que não haja necessidade de desapropriação, e o impedimento de que caminhões de grande porte passem por ali. No projeto original, anterior a 2009, cogitava-se que toda a construção poderia custar até R$ 300 milhões. Valores que hoje seriam muito maiores.

Ideia segue viva, garante líder do Governo na Alesc

O deputado estadual e líder do Governo na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, José Milton Scheffer (PP) conhece bem a iniciativa. Além de ter sido prefeito de Sombrio, esteve presente nas obras do trecho entre Jaguaruna e Laguna. E garante que o projeto não está esquecido.

“Essa rodovia é estratégica para o desenvolvimento turístico do Sul de Santa Catarina, de Laguna para baixo. O projeto está desatualizado, está em fase de uma nova concepção, para ver qual é o melhor formato. Se é interligação intermunicipal, ou se é uma nova rodovia. Estamos trabalhando em duas frentes enquanto isso segue em análise na Secretaria de Infraestrutura. No nosso mandato trabalhamos na construção de duas pontes, uma no Rio Araranguá, já no traçado da Interpraias, e a outra no canal de Laguna, que está em fase e elaboração do projeto. Essas duas ações ligadas à Interpraias estão em curso, enquanto o projeto é discutido para verificar qual o melhor formato, entre fazer uma rodovia totalmente nova ou aproveitar as ligações já existentes entre um balneário e outro”, destaca.

Mesmo destacando a falta de um projeto de engenharia atualizado, necessário para se buscar um orçamento, Scheffer garante que o meio político coloca essa rodovia como prioritária no Sul de Santa Catarina. “Depois do orçamento feito, temos o caminho de utilizarmos recursos próprios do governo estadual, ou buscarmos um financiamento internacional, porque é um valor significativo. Creio eu que seja um projeto para mais de R$ 500 milhões. Vão acontecer diversas desapropriações no meio do caminho. É uma rodovia que, após o início das obras, deve levar ainda três ou quatro anos para ficar pronta. É um trecho longo, corta alguns ecossistemas ambientas, que vão precisar de licenciamento. É uma grande caminhada. Eu defendo que, quando o projeto estiver pronto, a gente possa ir construindo por trechos, para tornar a execução um pouco mais fácil. Ir fazendo 10 quilômetros de um lado, depois 10 quilômetros do outro. Quando ver, estará concluída”, avalia.

Apenas o quinto lote entre o Camacho, em Jaguaruna, e a Barra, em Laguna, está pavimentado

Só depois de 2022

O secretário de Estado da Infraestrutura, Thiago Vieira, também garante que a Caminhos do Mar segue no radar do Governo. Porém, há outras prioridades.

“(A rodovia) já foi objeto de algumas reuniões, mas de forma prática, a curto prazo, não há intervenção. Se me perguntassem se a Interpraias é importante, não tenho dúvidas disso. Se me perguntassem se o Governo do Estado irá desenvolver ações para torná-la realidade, sim. Porém, essas ações necessitam de tempo. O governo Carlos Moisés tem a primeira gestão até o fim de 2022. Ela não vai se tornar realidade até o final desse mandato. O que a gente tem é que avançar na elaboração de um projeto. Esse cenário é o que pretendemos avançar até o fim de 2022, para darmos o pontapé inicial”, adianta.

Para Vieira, antes de se pensar na obra pronta, é necessário se concentrar no início, que no caso, é o próprio projeto. “O nosso objetivo será vencer essa primeira etapa, que é a criação do projeto. Sabemos que é um sonho antigo da região. As pessoas falam, falam e falam, mas ninguém dá o primeiro passo. Ficam só na fala e não na ação. O que a gente quer é a ação, e a primeira ação é ter projeto. Nosso primeiro compromisso é ir atrás do projeto. É nele que queremos trabalhar para torná-lo realidade”.

Desconfiança

O tempo em que o projeto circula e as inúmeras mudanças não trouxeram confiança para as lideranças da região. Pelo contrário. São poucos os que acreditam que a rodovia possa sair do papel em um futuro próximo. “Ela tem sido pouco questionada até. Uma obra tão polêmica, emblemática. Foi tão discutida. Claro, falam, sempre. Colocam a Serra do Faxinal e a Interpraias como prioridades absolutas da Amesc, assim como a SC-108 [que está em processo de licitação], mas a gente não vê grande evolução. Agora, o Governo do Estado está sinalizando positivo com algumas ações, mas estamos focados na SC-108 que vai sair, a Serra do Faxinal e obras menores nos municípios. Mas a Interpraias, não vejo muita esperança”, revela o presidente da Amesc.

Mesmo assim, ele destaca a importância da obra. “Traria muitos benefícios. Valorização dos imóveis, a questão turística desde Passo de Torres até Laguna. Seria de grande importância para a região. Valorização turística e imobiliária. Desvia o trânsito da BR-101. Sabemos que é difícil, mas não impossível. Tem possibilidade. Mas não vejo a curto prazo sem um projeto”, completa Teixeira.

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