Pedras Grandes: A proteção da memória da colonização italiana no Sul

Tiago Monte

Pedras Grandes

Fotos: Guilherme Cordeiro/TN

O primeiro cemitério da região, localizado no distrito de Azambuja, em Pedras Grandes, e quase na divisa com Urussanga, será totalmente restaurado pela prefeitura, como forma de preservar a memória dos imigrantes que partiram da Itália e chegaram no Sul de Santa Catarina. O projeto liderado pelo prefeito Agnaldo Filippi (PP) tem como intenção recuperar o local histórico e torná-lo parte de uma rota turística na cidade. “Nosso objetivo com isso, além da preservação cultural, é também alavancar o turismo em nosso município. O turismo cultural, mas o genealógico também: que as pessoas possam identificar as famílias de onde vieram”, diz.

O distrito de Azambuja é sede da colonização italiana na região Sul do Estado de Santa Catarina. Em 1877, aportaram os primeiros imigrantes, fruto do entendimento entre o governo Imperial, de Dom Pedro II, com o governo Italiano. Inicialmente, foram 293 pessoas que chegaram. Elas partiram do Norte da Itália, alguns da Toscana também, na região Central, a partir do porto de Le Havre, na França. “Então, eles embarcaram nessa viagem de três semanas, chegando no Rio de Janeiro. Depois, eles seguiram para Florianópolis, no Porto Arataca, depois Laguna e Morrinhos, em Tubarão. Na sequência, eles seguiram de carro de boi, e a pé, em direção à Azambuja – a primeira colônia“, detalha o prefeito.

Desta forma, o primeiro cemitério também foi na localidade, mas ele está abandonado há muito tempo. Então, cumprindo uma promessa de campanha, o prefeito fará toda a restauração do local. “Isso não pode ser tirado de Pedras Grandes e Azambuja. Se deu um destaque muito grande, por exemplo, para o vinho Göethe, mas que a gente tem que dividir com Urussanga, e outros municípios, onde o Terroir é favorável, digamos assim, na produção dessa vinha, mas a colônia Azambuja, não”, pontua. “Então, assumi o compromisso de restaurar o cemitério, que é um espetáculo. Depois de pronto, vai atrair muito os italianos todos dessa região que tem, de alguma forma, ligação com Azambuja”, completa Filippi.

Parceria com universidade manterá as características

Uma das preocupações do prefeito é com a manutenção das características históricas. Assim, uma parceria com a Unibave, de Orleans, auxiliará no objetivo de seguir todas as normas, mantendo o sistema construtivo da época. “O projeto está praticamente pronto. A emenda parlamentar é de 150 mil reais, do gabinete do deputado João Amin (PP), e já está na conta da prefeitura. Claro que vamos investir mais que isso, mas, inicialmente, o trabalho é esse aí”, destaca o prefeito.

O início dos trabalhos acontecerá em março de 2022. Não haverá processo licitatório, por conta do trabalho que a Unibave já realiza, ao longo do tempo, em busca de informações sobre o cemitério. “Eu acredito que nós devamos, a partir de março, estar trabalhando. Vencidos o projeto e a parte burocrática, eu acredito que em março começaremos”, explica o prefeito.

A conclusão ainda não está prevista, pois não há um cronograma de execução da obra definido. “Eu acredito que, no mínimo, uns 12 meses”, diz. A partir daí, haverá o desenvolvimento de locais que fomentam o turismo. “Estão sendo desenvolvidos em Azambuja, o Centro Educacional e Cultural, que nós convencionamos chamar de Torre de Pisa, que será uma escola de italiano, presencial e on-line. Nós teremos ali um museu virtual da colonização italiana, onde as pessoas vão poder investigar a árvore genealógica, no cemitério ao lado. Então, virtualmente, esse espaço que estamos construindo, vai servir também para isso. Além do parque temático vertical que vai contar essa história com detalhes, usando toda a tecnologia e realidade virtual aumentada”, detalha o prefeito.

Resgate de objetos históricos que sumiram

Com o anúncio da restauração do cemitério, diversas famílias começaram a devolver para a prefeitura objetos que haviam sido recolhidos, em função do abandono do local. “A equipe está visitando frequentemente o local, que está interditado. A gente começa, inclusive, a partir da divulgação, a receber alguns objetos que foram levados do cemitério, por conta de que ele estava abandonado. As pessoas já nos procuram para devolver e isso é muito importante. As pessoas não querem ter isso em casa, mas preocupados com a maneira como vinha sendo tratado esse patrimônio, então, estavam levando os objetos embora para preservar. Agora, já começam a devolver”, detalha. Uma parceria da prefeitura de Pedras Grandes com a Fapesc servirá para tratar do futuro relacionado à tecnologia.

A réplica da Torre de Pisa ficará nas imediações do cemitério, distante de 250 a 300 metros, e será acompanhada de uma caracterização da quadra coberta que já existe em Azambuja. “A quadra coberta será envelopada possivelmente com as pedras (paralelepípedos) que nós estamos tirando da rodovia da imigração italiana e da entrada da nossa cidade”, detalha o prefeito.

A localidade será um destino cultural. “Além da quadra que as crianças continuarão utilizando para o esporte. Faremos ela com grandes arcos para que a comunidade possa usar nos grandes eventos, que pretendemos realizar em Azambuja, ao lado da torre”, diz.

Além do cemitério, da réplica da Torre e a quadra, o local terá também um Parque Ecológico, que fica na comunidade do Rancho dos Bugres, indo até a rodovia da imigração italiana. “Teremos três ou quatro equipamentos, além do Casario, como um todo, que tem igrejas e visitas”, pontua o prefeito.

A intenção de Filippi é facilitar o turismo da região. “Para o turismo, estamos organizando o que temos hoje e está disperso, digamos assim. Estamos organizando para que os pacotes sejam negociados com as agências de forma organizada. Chegando em Pedras Grandes, o turista fica um dia inteiro e não vai conseguir ver tudo o que temos para repassar, relacionado ao turismo”, destaca.

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