Dia de celebrar a preservação das árvores

Tiago Monte

Criciúma

Responsáveis pela beleza em paisagens naturais, além de servir como reguladoras do clima e da umidade, as árvores são elementos fundamentais para o equilíbrio da natureza. Estima-se que há três trilhões de árvores no mundo todo. O número parece ser alto, mas, há menos de 12 anos, havia quase o dobro de árvores que existem hoje.

O Dia da Árvore é comemorado, hoje, dia 21 de setembro, no Brasil, e tem como objetivo principal a conscientização a respeito da preservação desse bem tão valioso. A data, que é diferente em outras partes do mundo, foi escolhida em razão do início da primavera, que começa no dia 23 de setembro no hemisfério Sul. “Mesmo que amanhã (hoje) seja o Dia da Árvore e alguns ecossistemas litorâneos não tenham o predomínio das árvores, mesmo assim, as árvores simbolizam a flora. Quando se fala em Dia da Árvore, então, por extensão, a gente lembra da importância da proteção de toda a nossa vegetação, nossa flora. Seja floresta, vegetação rasteira ou arbustos. A importância que tem toda a vegetação”, explica o comandante do pelotão da Polícia Militar Ambiental (PMA), Sargento Gibran Rezende Grechi.

Santa Catarina tem 100% do território dentro do bioma Mata Atlântica. Isso foi definido em Lei Federal número 11.428 de 2006. Conforme o regulamento da Lei, todos os ecossistemas nativos de Santa Catarina estão no bioma Mata Atlântica.“Além de Santa Catarina, apenas o Rio de Janeiro e o Espírito Santo tem o bioma 100% dentro do bioma Mata Atlântica. Esse bioma tem uma série de Ecossistemas e a maior parte é de florestas, onde as árvores predominam. Aqui em nossa região, praticamente, só não temos árvores predominando nas regiões de formações menores como as restingas e dunas frontais das praias, campos de dunas, banhados litorâneos e algumas regiões onde, naturalmente, só temos vegetação rasteira e herbácea. Não temos árvores”, detalha Grechi,

Menos de 10% de vegetação nativa

Atualmente, no Sul de Santa Catarina, existe apenas menos de 10% de vegetação nativa. “Enquanto a Floresta Amazônica, que é seriamente ameaçada, perdeu cerca de 10% original, mas mais da metade dela está intacta. Já a Mata Atlântica é o contrário: o que se perdeu lá, é o que tem aqui. É o que sobrou. A Mata Atlântica foi muito mais degradada, mais massacrada, porque toda essa faixa costeira do Atlântico é onde está o coração do Brasil: tem o desenvolvimento, agricultura, cafeicultura e todas as atividades que acontecem até hoje nos maiores centros urbanos”, pontua o Sargento. O levantamento é feito pela ONG SOS Mata Atlântica.

Na maior parte do território do Sul de Santa Catarina, a formação nativa original é a Floresta Ombrófila Densa.  “Que é aquela floresta que o pessoal às vezes chama de Mata Atlântica. Só que Mata Atlântica não é um ecossistema. É um bioma. Ela tem vários ecossistemas dentro. A maior parte do nosso território era, originalmente ocupado, pela Floresta Ombrófila Densa”, ressalta Grechi.

Qual a importância da árvore?

A árvore é um grande símbolo da natureza e é uma das mais importantes riquezas naturais que possuímos. As diversas espécies arbóreas existentes são fundamentais para a vida na Terra porque aumentam a umidade do ar graças à evapotranspiração; evitam erosões; produzem oxigênio no processo de fotossíntese; reduzem a temperatura e fornecem sombra e abrigo para algumas espécies animais. “A Polícia Militar Ambiental tem um pelotão sediado em Maracajá e atende 25 municipios (15 da Amesc e 10 da Amrec). Dentre todas as ocorrências, as mais complexas são as que visam proteger a flora, a vegetação. Quando se destroi a vegetação, automaticamente se destroi os animais que ali vivem. Não há como destruir as árvores e poupar os animais”, ressalta o Sargento.

Entre as diversas espécies arbóreas existentes, incluem-se várias plantas frutíferas, como é o caso da mangueira, limoeiro, goiabeira, abacateiro, pessegueiro e laranjeira. Além de produzirem alimento, as árvores também possuem outras aplicações econômicas. A madeira por elas produzidas serve como matéria-prima para a criação de móveis e até mesmo casas. A celulose extraída dessas plantas, principalmente pinheiros e eucaliptos, é fundamental para a fabricação de papel. Além disso, algumas espécies apresentam aplicabilidade na indústria farmacêutica por possuírem importantes compostos.

Quando o ser humano destroi as árvores, ele está, automaticamente, prejudicando a própria existência. “Se contribui para a poluição, contra a saúde humana, uma vez que a vegetação tem papel fundamental e insubstituível na questão do controle da poluição das águas, do ar e dos solos. Além disso, o próprio dano direto à vegetação. Então, as ocorrências conta a flora são as mais relevantes e complexas”, destaca.

O grande objetivo desta importante data

Em virtude da grande quantidade de utilizações e da expansão urbana, as árvores são constantemente exterminadas, o que resulta em grandes áreas desmatadas. O desmatamento afeta diretamente a vida de toda a população, que passa a enfrentar erosões, assoreamento de rios, redução do regime de chuvas e da umidade relativa do ar, desertificação e perda de biodiversidade. “Algumas pessoas, hoje, podem até questionar que a nossa Lei Ambiental é muito rigorosa, que se for cumprir não se pode mais cortar nada da Mata Atlântica, ou, quando pode, as licenças ambientais exigidas pelos órgãos fiscalizadores são muito restritivas e isso prejudicaria, por exemplo, a agricultura e a expansão das cidades. Algumas pessoas argumentam isso, só que pensando em números: mais de 90% da nossa vegetação já foi destruída, não existe mais. Se eu destruindo esse valor ainda não foi suficiente, ainda preciso destruir o pouco que tem, derrubar para expandir agriculturas, cidades e áreas de mineração. Ou seja lá o que for: se eu ainda preciso, então, não adianta mais, porque daqui a pouco vão acabar os 10% e não teremos mais terra”, finaliza.

Últimas