A lavação de roupa suja no PT saiu dos bastidores e ganhou declarações públicas. Entre críticas à primeira-dama Janja, cobranças ao comando da campanha e divergências sobre a estratégia eleitoral, Lula entrou no segundo turno com problemas para resolver dentro da própria equipe.
O próprio presidente reforçou o diagnóstico de desorganização. Em encontro com parlamentares aliados, na quarta-feira (7), Lula afirmou que a campanha ficou abaixo do que poderia ter feito e cobrou o presidente nacional do PT e coordenador eleitoral, Edinho Silva.
“Essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989”, declarou, em referência ao ano em que disputou a Presidência pela primeira vez. Edinho estava presente.
Outro foco de tensão é a participação de Janja. A ex-senadora Kátia Abreu, coordenadora da campanha no Tocantins, defendeu mais espaço para o vice-presidente Geraldo Alckmin e questionou o protagonismo da primeira-dama: “Qual é a prioridade: aparecer ou eleger o marido?”
Na avaliação de Kátia, Alckmin pode ajudar a ampliar o diálogo com empresários e outros setores do eleitorado. Ela afirmou que sua crítica está relacionada ao resultado eleitoral da exposição de Janja, e não a uma questão pessoal ou de gênero.
A resposta veio da assessoria da primeira-dama: Janja continuará participando da campanha, com o respaldo de Lula. A manifestação deixa evidente que a cobrança por uma redução de sua presença não representa uma posição consensual dentro do grupo.
As divergências também atingem a comunicação. Há cobranças por maior presença nas redes sociais, mais espaço para lideranças regionais e uma campanha centrada em propostas para o futuro. Dirigentes criticam a insistência de Lula em destacar seu legado, enquanto aliados apontam atrasos na distribuição de materiais e falta de conteúdos mais incisivos contra Flávio Bolsonaro.
Em meio à pressão, Lula reforçou o comando com Camilo Santana, Rui Costa e Rafael Fonteles. A mudança amplia a presença de lideranças do Nordeste na coordenação e ocorre quando a campanha tenta reorganizar sua atuação para o segundo turno.
Érik Borges / TN Sul




