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quarta-feira, setembro 16, 2026

Caso das Funerárias: audiências iniciam segunda-feira em Criciúma

Ao longo do processo, a Justiça vai ouvir 440 pessoas. Primeiras oitivas serão das testemunhas de acusação arroladas pelo MPSC

Criciúma

Paulo Paixão

A Justiça começa a ouvir, na próxima segunda-feira, dia 21, as primeiras pessoas envolvidas na investigação de possíveis irregularidades na então Central Funerária de Criciúma, que ocasionou a realização da Operação Caronte, em agosto de 2024, e deu origem a uma ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Neste início de um novo capítulo sobre o caso, serão justamente as testemunhas de acusação arroladas pelo MPSC que serão ouvidas nas primeiras audiências. Através da assessoria de imprensa, a Justiça de Santa Catarina informou que, ao longo do processo, serão ouvidas 440 pessoas, além dos interrogatórios. As audiências serão realizadas no Fórum da Comarca de Criciúma, devido ao grande número de envolvidos.

Quem celebrou o andamento do processo e o início de mais uma etapa das investigações foi a Associação Sul Catarinense de Empresas Funerárias (Ascef). Segundo o presidente da associação, o empresário do ramo funerário em Urussanga, Rangel Quagliotto, a realização desta nova etapa demonstra que a Justiça busca esclarecer os fatos até o fim. Porém, mesmo com a anulação daquela licitação da Central Funerária, não se apagam as possíveis ilicitudes que ocorreram. “A Ascef recebe esta nova etapa da Operação Caronte com confiança na Justiça e com a convicção de que os fatos precisam ser esclarecidos até o fim. A anulação da antiga licitação foi necessária, mas não apaga o que aconteceu, não encerra as responsabilidades e, muito menos, repara os prejuízos causados”, disse o presidente.

EXPECTATIVA

Ele ainda falou sobre a expectativa em relação à continuidade do processo. “Respeitamos o devido processo legal e não antecipamos condenações. Mas também não aceitaremos que a anulação de uma licitação seja utilizada para virar a página sem que ela tenha sido completamente lida. É preciso apurar quem fez, quem permitiu, quem se beneficiou e quem foi prejudicado. A expectativa da Ascef é de que a Justiça avance com independência e firmeza, esclareça integralmente os fatos e responsabilize, na medida de sua participação, todos aqueles cuja conduta ilícita venha a ser comprovada”, reiterou.

Quagliotto também lembrou quem foram os mais afetados pelo que aconteceu naqueles anos. “Durante anos, empresas funerárias da região foram prejudicadas. Mais grave ainda, famílias enlutadas, fragilizadas pela perda de alguém querido, ficaram expostas a um sistema marcado por práticas que agora estão sob apuração judicial. Foram essas famílias as maiores vítimas de todo esse episódio. A dor humana jamais pode servir de oportunidade para favorecimentos, interesses particulares ou qualquer espécie de manipulação”, comentou Rangel.

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