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Criciúma
quinta-feira, setembro 10, 2026

Setembro Amarelo faz alerta sobre a necessidade de falar o que sente

Maíra Rabassa
Criciúma

“Tem momentos em que o que a gente mais precisa… Não é uma resposta… É de alguém que ouça sem julgamento, sem pressa…”, é com essa mensagem do Centro de Valorização à Vida (CVV) traz o Setembro Amarelo para Criciúma com a campanha “Escutar é estar presente”.

O mês é dedicado para a conscientização e ao combate ao suicídio, dando ênfase à saúde mental da população. “Em um contexto marcado pela rotina acelerada, pelas distrações constantes e por relações cada vez mais mediadas pela tecnologia, encontrar tempo e disponibilidade para ouvir alguém se tornou um desafio. Ao mesmo tempo, muitas pessoas convivem com sentimentos de solidão e angústia sem encontrar espaços seguros para falar sobre o que sentem. É justamente nesse cenário que a campanha deste ano reforça a importância da presença por meio da escuta”, explica Olivia Rocha, coordenadora do CVV de Criciúma.

Atividades

Além disso, durante todo este mês, a Secretaria de Saúde de Criciúma vai realizar uma programação especial alusiva ao Setembro Amarelo, dentro do Programa Saúde em Cores. Neste ano, o tema será “Sente aqui. Vamos conversar? Falar faz bem”, também com o objetivo de reforçar a importância da escuta, do acolhimento e do diálogo como ferramentas fundamentais para a promoção da saúde mental e a prevenção do suicídio. A programação teve início na última terça-feira, dia 1º, em um evento no Salão Ouro Negro, no Paço Municipal, direcionado aos gerentes das Unidades de Saúde, agentes comunitários de saúde e equipes multiprofissionais.

“Ao longo do mês também teremos webconferências com diferentes temáticas, abordando a Rede de Saúde Mental de Criciúma, jogos, identificação, acompanhamento e tratamento, além da relação entre suicídio, álcool e outras drogas. Entre os dias 14 e 18, as equipes dos CAPS estarão nos parques municipais realizando ações abertas à comunidade, com atividades de promoção da saúde mental, convivência, integração, acolhimento e conscientização. Outro momento importante será a Mostra de Saúde Mental, no dia 23, no Paço Municipal, quando apresentaremos à população parte das ações e dos trabalhos desenvolvidos pelos serviços da Rede de Atenção Psicossocial”, revela Leandro Fernandes Maffei, gerente de Saúde Mental de Criciúma.

CVV atende mil ligações em agosto

Há mais de seis décadas, o Centro de Valorização à Vida (CVV) oferece apoio emocional e atua na prevenção do suicídio por meio de voluntários capacitados, que realizam uma escuta acolhedora, sigilosa e livre de julgamentos. Todos os dias, milhares de pessoas encontram no serviço um espaço seguro para falar sobre seus sentimentos, angústias e dificuldades, reforçando a importância de iniciativas que estimulem uma cultura de acolhimento e cuidado. O CVV atendeu cerca de dois milhões de pessoas em 2025 no Brasil. Somente no mês de agosto deste ano, o centro recebeu 1.056 ligações em Criciúma. Atualmente, são 19 voluntários treinados para atender as chamadas de pessoas do município e região.

Ouvir com atenção

No próximo dia 12, o Grupo do Centro de Valorização à Vida (CVV) estará na Praça Nereu Ramos durante o período da manhã, juntamente com Rede de Proteção à Vida (RPV), e outras entidades falando do “Setembro Amarelo”. Também estarão presentes: instituições das áreas da Saúde, Segurança Pública, Educação, Assistência Social, Organizações da Sociedade Civil Organizadas, CDL, ACIC, entre outras.

“A campanha parte de uma mensagem simples e profunda: muitas vezes uma pessoa não precisa de respostas ou soluções prontas, mas alguém disposto a ouvir com atenção, sem julgamentos, sem pressa e com acolhimento. Estar pre sente é perceber aquilo que o outro nem sempre consegue expressar em palavras e de monstrar, por meio da escuta, que ele não está sozinho”, ressalta Olivia Rocha, coordenadora do CVV de Criciúma.

Inspirada nessa reflexão, a campanha convida cada pessoa a incorporar a escuta como uma prática cotidiana. Seja entre familiares, amigos, colegas de trabalho ou vizinhos, reservar alguns minutos para ouvir verdadeiramente alguém pode fortalecer vínculos, oferecer acolhimento e fazer diferença na vida de quem enfrenta um momento difícil. “Nem sempre conseguimos aliviar a dor de quem sofre, mas podemos fazer com que essa pessoa não precise carregá-la sozinha. Quando escutamos com atenção, respeito e sem julgamentos, mostramos que ela é importante. Muitas vezes, é justamente esse acolhimento que faz toda a diferença”, afirma Eliane Soares, voluntária do CVV.

Rede de Proteção à Vida há anos acolhendo

Somente este ano, o Instituto Médico Legal (IML) registrou, na Região Carbonífera, 36 mortes por suicídio, sendo que Criciúma ficou com 15 casos dessas ocorrências. Para evitar que essas vidas virem índices, a Rede de Proteção à Vida (RPV) começou as atividades em Criciúma há quase 15 anos.

Em 2011, estatísticas do IML referente aos municípios da Amrec, apontavam que naquele ano, 50 pessoas haviam tirado a própria vida, sendo que 80% tinham históricos/antecedentes de tentativa anterior, uma média de 10 a 15 tentativas para cada caso. Para amenizar a situação extrema, em 2012, integrantes de vários serviços de segurança* que trabalham com emergência e saúde mental, se uniram e criaram a rede.

“CRICIÚMA VIVA”

No final de 2013, a primeira ação oficial aconteceu com a “Campanha Criciúma Viva”, que tinha como missão reduzir os óbitos na cidade e região. Atualmente, o projeto conta com 14 membros voluntários na linha de frente (organização interna) e um grupo mais aberto com 33 pessoas voluntárias (para demandas específicas). Ultimamente, a RPV está se reorganizando. “Nosso papel será reorganizar a rede, com inclusão de novas instituições e ampliar i formações acerca da característica e sintomatologia e indicação de locais de apoio e acolhimento. Lidar com essas ocorrências no dia a dia, é um exercício diário de empatia. É muito gratificante quando a rede atua, na medida que a pessoa aceita ajuda, a família entende os sinais e a mídia abre espaço, possibilitando falar abertamente sobre saúde mental, que realmente salva vidas”, explica Almir Fernandes, representante da Cruz Vermelha na coordenação da Rede.

Segundo Jaqueline Batista da Silva Taufembach, psicóloga e professora (voluntária), o grande desafio da Rede de Proteção à Vida é fazer com que a prevenção deixe de acontecer apenas em momentos de campanha e se transforme em uma cultura permanente de cuidado. “Conviver com esse trabalho é entender que a proteção à vida não acontece apenas nos momentos de crise. É estar presente, ouvir, orientar, articular pessoas e serviços e, muitas vezes, plantar uma pequena semente de esperança. A rede também me ensina que ninguém consegue se cuidar sozinho. É na união entre profissionais, instituições e comunidade que conseguimos construir uma rede mais forte, acolhedora e presente”, afirma a psicóloga voluntária.

*Serviços que fazem parte: CVV, Nuprevips, CAPs, Serviço de Psicologia Aplicada Esucri (Spae), Corpo de Bombeiros, Cruz Vermelha, Hospitais, Samu, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Científica, Secretaria de Saúde, Sociedade de Psicologia de Criciúma,  Conselho Regional de Psicologia e Imprensa. 

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ATENÇÃO com a mente precisa fazer parte da rotina das pessoas

O psicólogo Leandro Fer nandes Maff ei, da Gerência de Saúde Mental da Prefeitura de Criciúma, destaca que o cuidado com a saúde mental precisa fa zer parte da rotina das pessoas, e não começar apenas quando o sofrimento já estiver intenso. “Assim como cuidamos da saúde física, precisamos estar atentos também à forma como estamos nos sentindo e lidando com as situações do dia a dia. Algumas atitudes podem contribuir muito para esse cuidado, como manter vínculos com familiares, ami gos e pessoas de confi ança, ter momentos de descanso e lazer,cuidar do sono e da alimenta ção, praticar atividade física e, principalmente, encontrar espa ços onde seja possível conversar sobre sentimentos, difi culda des e preocupações”, acrescen ta o gerente de Saúde Mental.

DROGAS E ÁLCOOL

Ele também alerta que é im portante evitar o uso de álcool e outras drogas como uma forma de fugir ou lidar com os proble mas, porque isso pode agravar situações de sofrimento emocio nal. “Outro cuidado fundamental é perceber quando aquilo queestamos sentindo começa a in terferir na nossa rotina, nos re lacionamentos, no trabalho ou na qualidade de vida. Não pre cisamos esperar chegar a uma situação de crise para procurar ajuda. Quanto mais cedo identi fi camos o sofrimento e buscamos apoio, maiores são as possibili dades de cuidado. E, para quem já está em acompanhamento, é muito importante manter o vínculo com o serviço e seguir as orientações da equipe. Cui dar da saúde mental também signifi ca reconhecer os próprios limites e saber o momento de procurar ajuda”, enfatiza Maff ei.

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