Criciúma
Alexandra Cavaler
Às vezes, uma história começa com uma pergunta simples. No caso do documentarista, professor e pesquisador Nei Manique, começou com uma surpresa diante de uma notícia aparentemente banal, encontrada durante horas de pesquisa em jornais antigos. Ao vasculhar a Hemeroteca Digital Susana Naspolini, em busca de registros sobre o passado de Criciúma, ele encontrou uma nota sobre moradores do bairro Pinheirinho que reclamavam da falta de manutenção da Praça Sebastião Toledo dos Santos. O nome chamou a atenção. E uma pergunta abriu caminho para uma pesquisa de três semanas: porque não se tem registros sobre aquele engenheiro cujo nome estava em uma praça, em uma rodovia e em uma das maiores escolas públicas de Santa Catarina?
“Eu parti do zero, porque eu sabia quem ele tinha sido. Mas eu nunca entendi por que o nome de um engenheiro estava numa escola. Eu não sabia nada de Sebastião Toledo dos Santos, exceto que ele era pai de um amigo distante”, conta Nei.
Pouco revelado
A primeira tentativa de encontrar respostas foi justamente onde hoje se espera encontrar quase tudo: a internet. A busca, porém, revelou muito pouco. “Fui no Google saber quem foi Sebastião Toledo. Joguei o nome dele e, para a minha decepção, apareceram três linhas. Muito superficial. Alguém para ser nome de uma das maiores escolas públicas de Santa Catarina, que até hoje o Colegião é muito bem ranqueado, e na época em que foi inaugurado ele era a segunda maior”, relata.
Foi justamente a ausência que despertou o documentarista. “Eu achei inadmissível. Tem tanta informação na internet hoje, sobre tanta coisa, sobre tantas pessoas, que eu achei que poderia render um belo resgate cinebiográfico. É uma parte do meu trabalho como documentarista que eu adoro fazer: resgatar biografias”, conta Nei revelando que a pesquisa o levou a procurar quem ainda pudesse contar, por memória, quem foi Toledo.
“Eu tenho que achar a gurizada que trabalhou com ele. E essa gurizada tem hoje 85, 90 anos. Então comecei a busca”. O resultado desse mergulho na história é o documentário “Toledo: Uma história abduzida”.
Uma vida interrompida cedo demais
Ao longo da pesquisa, Nei encontrou não apenas a trajetória profissional de um engenheiro de formação multifacetada, mas também uma história familiar marcada por uma tragédia difícil de esquecer. Toledo era geólogo, engenheiro civil, engenheiro metalúrgico e engenheiro de minas. Formado em 1947, tornou-se um profundo conhecedor da indústria carbonífera e manteve atuação também nos setores metalúrgico e cerâmico… CONTINUAR LENDO
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