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Criciúma
segunda-feira, agosto 3, 2026

Rotary busca ampliar impacto social e fortalecer projetos no Sul de SC

Governador do Distrito 4652 destaca atuação internacional e regional da organização e convida novos voluntários a integrarem os clubes

Muito além da tradicional imagem de reuniões entre empresários e líderes comunitários, o Rotary Internacional atua hoje em mais de 200 países e localidades desenvolvendo projetos nas áreas de saúde, educação, assistência social, entre outros. Em visita a Criciúma, o governador do Distrito 4652 para o ano rotário 2026/2027, Ramon Cordeiro, e o presidente do Rotary Club de Criciúma Oeste, Tito Lívio de Assis Góes, apresentaram como funciona a organização, os principais projetos em andamento e os desafios da nova gestão.

O Distrito 4652 reúne aproximadamente 150 municípios de Santa Catarina, abrangendo praticamente todo o litoral do estado, desde a divisa com o Paraná até o Sul catarinense, além de municípios da região serrana. Atualmente são 105 clubes responsáveis por desenvolver ações diretamente nas comunidades onde estão inseridos.

Segundo Ramon Cordeiro, a estrutura distrital é responsável por conectar os clubes locais ao Rotary Internacional, garantindo que diretrizes e programas sejam compartilhados de forma uniforme em todo o mundo. “O Rotary funciona de maneira descentralizada. As grandes ações acontecem nos clubes das cidades, enquanto o distrito atua oferecendo apoio, orientação, capacitação e estrutura para que esses projetos alcancem cada vez mais pessoas”, explica.

Embora seja uma organização internacional, o trabalho acontece essencialmente de forma local. Cada clube identifica as principais necessidades da comunidade onde atua e desenvolve projetos voltados àquela realidade.

Saúde continua sendo uma das principais bandeiras

No cenário mundial, a maior campanha do Rotary continua sendo a End Polio Now, iniciativa criada para erradicar definitivamente a poliomielite. Apesar de a doença já estar eliminada no Brasil, ainda existem dois países que registram casos, motivo pelo qual a mobilização internacional permanece ativa.

Além da poliomielite, cada clube possui autonomia para desenvolver projetos conforme as demandas locais.

Em Criciúma, por exemplo, o Rotary Club Criciúma Oeste mantém há mais de 15 anos um banco ortopédico que atualmente dispõe de mais de 220 cadeiras de rodas para empréstimo à comunidade.

Outra importante iniciativa é a campanha anual de entrega de óculos para estudantes da rede pública com dificuldades de visão. Todos os anos, entre 50 e 100 crianças recebem gratuitamente os equipamentos.

Os clubes também mantêm parceria permanente com a fábrica de fraldas da Cruz Vermelha, arrecadando recursos para aquisição de insumos destinados à produção das fraldas distribuídas gratuitamente a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Além das ações permanentes, o Rotary trabalha na elaboração de novos projetos de maior impacto por meio dos chamados Subsídios Globais, modalidade em que o Rotary Internacional financia iniciativas desenvolvidas em parceria com clubes de outros países.

Em Criciúma, a intenção da atual gestão é construir um projeto voltado a instituições como o Hospital São José, o Bairro da Juventude e o Instituto Diomício Freitas, após levantamento das principais necessidades de cada entidade.

Foto: Melissa Oliveira/TN Sul

Impacto duradouro é a principal meta da nova gestão

À frente do Distrito 4652 durante o ano rotário 2026/2027, Ramon Cordeiro afirma que o principal objetivo da gestão é estimular projetos capazes de deixar resultados permanentes para as comunidades.

O lema internacional da atual gestão é “Crie Impacto Duradouro”, incentivando os clubes a desenvolverem ações que ultrapassem o caráter assistencial imediato. A proposta é ampliar iniciativas capazes de transformar estruturas e gerar benefícios que permaneçam por muitos anos.

“A nossa principal missão dentro do nosso distrito é justamente trazer uma união entre os clubes e que essa união transforme realmente a comunidade com projetos de maior impacto. Projetos que realmente deixam uma história, que transformem a comunidade, não em um ano ou em uma ação específica, mas sim que aquela ação fique na comunidade durando por mais tempo”. Então, a gente tem uma mensagem presidencial, que é Crie Impacto Duradouro, onde a gente vai orientar os clubes para que pensem em seus projetos de forma que aquele projeto não seja só um projeto assistencial, que nós também fazemos, mas que seja um projeto que fique e transforme a comunidade”, explica.

Segundo o governador, a função do distrito não é executar diretamente os projetos, mas preparar os clubes para que atuem de forma mais eficiente, ampliando o alcance das ações e utilizando melhor os recursos disponíveis.

Além dos projetos comunitários, a gestão também pretende fortalecer os programas voltados à juventude, considerados estratégicos para a continuidade do trabalho voluntário.

Projetos que aproximam jovens do voluntariado

Entre os principais programas desenvolvidos pelo Rotary está o intercâmbio internacional de jovens, que permite a estudantes viverem experiências culturais em diversos países.

O programa recebe adolescentes de diferentes nacionalidades e também envia jovens brasileiros para países como Canadá, Estados Unidos, França, Suíça, Dinamarca, Índia e México.

O intercâmbio busca promover valores como a paz, a criação de vínculos internacionais e a formação de futuras lideranças capazes de desenvolver projetos em parceria entre diferentes países.

Além do intercâmbio, o Rotary mantém o Interact, destinado a adolescentes entre 12 e 18 anos, e o Rotaract, formado por jovens adultos entre 18 e 30 anos.

Embora possuam perfis diferentes, ambos desenvolvem ações comunitárias e atividades de liderança, preparando novos voluntários para o trabalho realizado pelos clubes tradicionais.

Ações humanitárias em diversos países

Além das iniciativas desenvolvidas pelos clubes nas comunidades, o Rotary também atua em projetos internacionais de grande porte. Segundo Ramon, essa rede de colaboração permite que recursos arrecadados em diferentes países financiem ações de impacto social em diversas regiões do mundo.

“O Rotary atua onde houver necessidade. Durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, por exemplo, conseguimos levar ajuda humanitária. Na Síria, apoiamos ações de vacinação para evitar a queda da cobertura vacinal e o retorno de doenças. Mesmo quando não existe um clube instalado naquele país, conseguimos criar parcerias para atender essas populações”, pontua.

Embora o Brasil não envie voluntários diretamente para esses locais em grande escala, os clubes brasileiros participam financeiramente dos projetos por meio da Fundação Rotária, fundo internacional que financia iniciativas humanitárias.

“O Brasil hoje está entre os dez maiores países em número de associados, com cerca de 53 mil rotarianos. Isso nos dá um papel importante dentro da organização, porque mostramos que conseguimos desenvolver projetos consistentes e bem estruturados”.

Segundo o governador, a credibilidade do Rotary também está relacionada ao rigor na prestação de contas. “Todos os projetos passam por auditoria, fazemos um controle financeiro para que todo recurso que nós recebamos da comunidade tenha o destino correto. Então, isso também é uma preocupação de todos. Transparência é obrigação”, destaca.

Essa confiança, explica, foi fundamental durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. Na ocasião, o Rotary Internacional abriu um fundo mundial para arrecadar recursos destinados às famílias afetadas, e os fundos administrados pela instituição estiveram entre os que mais receberam doações.

Fortalecimento de ações locais

Apesar de atuar em conjunto com administrações municipais e instituições públicas, Ramon faz questão de destacar que o Rotary não possui qualquer vínculo político. “O Rotary não se envolve politicamente. Nós não temos bandeiras nem partidos. Trabalhamos com quem estiver no poder público porque nosso objetivo é servir a comunidade”.

Segundo ele, essa parceria acontece principalmente com as secretarias municipais de Saúde e Educação, além de hospitais, escolas e demais instituições públicas.”O Rotary é um braço de apoio. Não substituímos o poder público, mas ajudamos a ampliar aquilo que ele consegue fazer”.

Um dos exemplos é o trabalho desenvolvido nas campanhas de vacinação. Enquanto as equipes de saúde ficam responsáveis pela aplicação das doses, os clubes atuam mobilizando a comunidade, organizando campanhas de conscientização e incentivando a participação da população.

Campanha Hepatite Zero

Além da campanha End Polio Now, outra iniciativa de destaque é a Hepatite Zero, criada no Brasil e que hoje começa a ser adotada por clubes de outros países.

Tito Lívio Góes, presidente do Rotary Club de Criciúma Oeste, relembrou que o Rotary de Criciúma participou das primeiras campanhas em parceria com o Hospital São José e, posteriormente, com a Prefeitura de Criciúma.

Todo o material utilizado foi fornecido gratuitamente pela Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite e as ações passaram por municípios como Criciúma, Içara, Nova Veneza, Urussanga e Caravaggio, realizando aproximadamente mil testes rápidos.

“Muitas pessoas descobriam a doença porque a hepatite é silenciosa. Foi um trabalho fantástico e mostrou como campanhas preventivas conseguem mudar vidas”, destacou.

Ramon destaca que a repercussão da iniciativa fez com que ela ultrapassasse as fronteiras brasileiras.

“É uma campanha que nasceu no Brasil e agora está sendo levada para outros países. Quando o Rotary percebe que uma iniciativa funciona, ela pode ser replicada em qualquer lugar do mundo.”

Empresas também podem participar dos projetos

Além do trabalho voluntário, empresas podem contribuir diretamente com os projetos desenvolvidos pelo Rotary por meio da Fundação Rotária.

Segundo Ramon, organizações que realizam aportes anuais a partir de R$ 5 mil recebem o reconhecimento como Empresa Cidadã e passam a integrar a rede de apoiadores da instituição. Esses recursos retornam para as comunidades em forma de projetos de grande impacto.

Como exemplo, ele cita três Subsídios Globais aprovados recentemente no Distrito 4652, que somaram cerca de 350 mil dólares em investimentos.

Entre eles está a aquisição de 20 equipamentos de hemodiálise para a Renal Vida, em um projeto superior a 240 mil dólares, beneficiando pacientes de aproximadamente 50 municípios.

Outro investimento foi destinado ao Hospital Bom Samaritano, na região de São José. Já um terceiro projeto contemplou o grupo voluntário GERAR, de Jaraguá do Sul, responsável pelo atendimento em situações de emergência e desastres naturais. Ao todo, o grupo recebeu cerca de 45 equipamentos para atuação em ocorrências como enchentes e deslizamentos.

“Nós queremos trazer projetos desse porte para Criciúma. A região tem instituições fortes e necessidades importantes. Nosso objetivo é unir clubes, empresas e parceiros internacionais para desenvolver iniciativas que realmente deixem um legado para a comunidade”, explica.

Outra frente que ganha atenção na gestão 2026/2027 é a preparação dos clubes para atuar em situações de emergência, como enchentes, deslizamentos e outros desastres naturais.

Segundo Ramon Cordeiro, o Distrito 4652 possui uma Comissão de Resposta a Desastres, responsável por orientar os clubes a estabelecerem parcerias antecipadas com as Defesas Civis municipais.

“Nós queremos que pelo menos um clube de cada município esteja preparado para atuar junto da Defesa Civil. Quando acontece um desastre, a resposta precisa ser muito rápida”.

Além da atuação imediata, o Rotary também trabalha com protocolos para o período pós-desastre, quando as famílias começam o processo de reconstrução.

“Depois que passa o momento mais crítico, o Rotary também atua com muita força, ajudando na recuperação das famílias e das comunidades.”

Caso seja necessário, os clubes também podem solicitar recursos do Fundo Distrital para atender demandas emergenciais, seguindo critérios estabelecidos pelo Rotary Internacional.

Bairro da Juventude nasceu a partir de uma iniciativa do Rotary

Durante a entrevista, Tito Lívio Góes lembrou um capítulo importante da história de Criciúma que, segundo ele, ainda é pouco conhecido pela população.

O atual Bairro da Juventude surgiu em 1948 por iniciativa de rotarianos, quando foi criada a Sociedade Criciumense de Auxílio aos Necessitados (SCAN).

Anos depois, em 1953, toda a estrutura foi doada aos padres Rogacionistas, que passaram a administrar a instituição, posteriormente rebatizada como Bairro da Juventude.

“O maior projeto social de Criciúma foi desenvolvido pelo Rotary. Muitas pessoas não sabem disso. Meu pai participou dessa fundação e depois eu também tive a oportunidade de atuar durante muitos anos na instituição”, relata.

Clube quer ampliar número de voluntários em Criciúma

Atualmente, Criciúma possui três clubes de Rotary, além das unidades de Içara, Cocal do Sul e Urussanga. Somados, eles reúnem aproximadamente 80 associados.

Para Ramon, entretanto, esse número ainda está abaixo do potencial da cidade. Ele compara Criciúma com municípios como Blumenau, que possui cerca de 350 rotarianos distribuídos em 12 clubes, e Tubarão, que reúne aproximadamente 120 associados.

“Criciúma é uma cidade forte economicamente, referência em Santa Catarina e tem um enorme potencial para ampliar o número de voluntários. Quanto mais pessoas participarem, maior será a capacidade de desenvolver projetos e atender quem precisa”.

O governador reforça que o Rotary está aberto a qualquer pessoa interessada em servir à comunidade. Hoje existem clubes formados apenas por mulheres, apenas por homens e também clubes mistos. Além disso, o movimento conta com o Interact, para adolescentes, o Rotaract, voltado aos jovens adultos, e as associações das senhoras de rotarianos.

“Todas as profissões são bem-vindas. O Rotary mudou muito ao longo dos anos e continua se adaptando à sociedade. O que procuramos são pessoas dispostas a doar um pouco do seu tempo”, conta.

Os novos associados passam inicialmente por um período de integração para conhecer o funcionamento da organização. Depois, podem atuar em diferentes áreas, como projetos humanitários, juventude, quadro associativo, banco ortopédico e ações comunitárias. “O espaço para trabalhar nunca falta. Sempre existem novas ideias, novos projetos e mais pessoas precisando de ajuda”.

Ao encerrar a entrevista, Ramon resumiu o propósito da organização em uma frase que, segundo ele, orienta o trabalho dos mais de 1,4 milhão de rotarianos espalhados pelo mundo.

“Nosso lema é ‘Dar de si antes de pensar em si’. O nosso maior ganho não é financeiro. É ver o sorriso de quem foi ajudado e perceber que conseguimos transformar, mesmo que um pouco, a vida de alguém”, finaliza o governador.

Para quem deseja conhecer o movimento, os clubes de Criciúma mantêm reuniões semanais abertas à apresentação de novos interessados, que podem participar dos encontros, conhecer os projetos desenvolvidos e entender como contribuir com as ações voluntárias realizadas na região.

Nesta segunda-feira, 3, haverá reunião com a presença do governador Ramon na Churrascaria Apolo XVI, às 19h30.

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