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sexta-feira, julho 31, 2026

Barragem do Rio São Bento mudou a história da água no Sul; Entenda

Obra inaugurada há 20 anos encerrou décadas de insegurança hídrica, atende mais de 400 mil moradores em sete municípios da Amrec e sustenta a produção agrícola local

Durante décadas, o crescimento da Região Carbonífera esbarrou em um problema elementar: a disponibilidade de água. Os danos ambientais acumulados pela mineração comprometeram rios e nascentes, enquanto os mananciais existentes já não ofereciam a segurança necessária para acompanhar a expansão das cidades.

Inaugurada em 21 de junho de 2006, a Barragem do Rio São Bento mudou essa realidade. A estrutura construída em Siderópolis completou 20 anos como o maior reservatório de água do Sul de Santa Catarina. Atualmente, o sistema atende mais de 400 mil moradores de Criciúma, Siderópolis, Forquilhinha, Nova Veneza, Maracajá, Içara e Morro da Fumaça. A água armazenada aos pés da Serra Geral segue até a Estação de Tratamento de Água, no bairro São Defende, em Criciúma, antes de chegar às residências.

O caminho entre o reservatório e as torneiras representa o resultado de um processo que começou a ser discutido ainda no início da década de 1980. Naquele período, a falta de recursos hídricos, principalmente em Criciúma, já colocava em dúvida a capacidade de abastecimento diante do avanço populacional e econômico da região.

Em 1982, foi concluído o relatório técnico preliminar dos recursos hídricos disponíveis. O anteprojeto surgiu no ano seguinte e o projeto básico de engenharia ficou pronto em 1989. A implantação, porém, avançou apenas no fim da década seguinte, após a obtenção da licença ambiental prévia.

Início dos trabalhos

O intervalo entre os primeiros estudos e o início das obras mostra a dimensão do desafio. Além da construção do barramento e da adutora, o empreendimento exigiu desapropriações, licenciamento ambiental, retirada de famílias e preparação da área que seria ocupada pelo reservatório. As obras começaram efetivamente em 2001.

A água passou a ser represada de forma gradual a partir de 2003 e, em julho de 2005, a então Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma) liberou a licença ambiental necessária para a conclusão dos trabalhos. A barragem e a adutora foram inauguradas no ano seguinte.

O empreendimento recebeu investimento aproximado de R$ 60 milhões, com recursos da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) e contrapartidas dos governos estadual e federal. O reservatório tem capacidade para armazenar cerca de 58 bilhões de litros de água e forma um lago artificial de aproximadamente 450 hectares, área equivalente a quase 500 campos de futebol.

Estrutura sustenta o abastecimento regional

Operada e monitorada durante 24 horas por dia, a barragem se tornou uma das principais estruturas do sistema de abastecimento regional. O gerente regional Sul da Casan, Fernando Porporatti, destaca que a importância da obra permanece duas décadas depois de sua inauguração. “A barragem segue como uma estrutura estratégica e permanentemente monitorada. Seu principal objetivo é o abastecimento público”, afirma.

Antes do reservatório, a região dependia de mananciais menores e diretamente sujeitos à variação das chuvas. A disponibilidade diminuía rapidamente nos períodos de estiagem, justamente quando aumentava a pressão sobre rios e nascentes já afetados por décadas de exploração mineral. Com a barragem, o abastecimento passou a contar com uma reserva capaz de atravessar períodos de menor precipitação sem depender apenas do volume instantâneo dos cursos d’água. A mudança trouxe previsibilidade para os municípios e criou condições para que o sistema acompanhasse a expansão urbana registrada nas duas últimas décadas.

Fim do problema

A disponibilidade de um manancial protegido também permitiu reduzir a dependência de fontes comprometidas pela exploração do carvão. A atividade mineral foi durante décadas um dos principais motores econômicos do Sul catarinense, mas deixou como consequência rios afetados pela drenagem ácida, nascentes degradadas e áreas que ainda passam por processos de recuperação ambiental. Governador de Santa Catarina no período em que a obra foi viabilizada, entre 1999 e 2002, o hoje senador Esperidião Amin considera a barragem uma resposta a parte desse problema histórico… [continue a leitura clicando aqui]

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THIAGO OLIVEIRA / SIDERÓPOLIS

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