A espera por uma cirurgia tem se transformado em um cenário de angústia para a família da senhora Ana Margarete Henrique Kestering, de 80 anos. Internada há mais de 10 dias no Hospital São José após uma fratura de fêmur, a idosa já teve o procedimento cancelado quatro vezes, sempre pelo mesmo motivo: a falta de leitos de UTI.
Enquanto isso, segundo familiares, o estado de saúde e o sofrimento emocional da paciente só aumentam. “A situação tá bem complicada. A cirurgia dela dentro de uma semana já foi cancelada quatro vezes e a única coisa que sabem nos dizer é que não tem leito de UTI”, relata Cristiani Silveira Kestering, esposa do neto de dona Ana.
A idosa, que sofre de Alzheimer, enfrenta ainda mais dificuldades durante a internação. Ainda segundo a família, o quadro de confusão e agitação se agravou nos últimos dias, exigindo medidas extremas.
“Como ela tem Alzheimer, tiveram que amarrar porque fica muito agitada. Fica confusa, grita pedindo pra sair dali”, conta Cristiani.
A imagem descrita pelos familiares é difícil de ignorar: uma mulher de 80 anos, debilitada, pesando cerca de 37 quilos, imobilizada em uma cama de hospital enquanto aguarda por um procedimento essencial.
“Estamos falando de uma senhora que antes de ser membro da nossa família é um ser humano. Existe uma vida ali passando por todo esse sofrimento”, desabafa.
O filho da paciente, Pedro Giovani Kestering, relata uma rotina desgastante e frustrante. Segundo ele, a família convive diariamente com a expectativa da cirurgia, que nunca se concretiza.
“Todo dia tem previsão, só que estão sempre com a mesma desculpa: falta de leito de UTI”, afirma.
Ele descreve ainda o impacto direto dessa espera no estado clínico da mãe. “Eles vêm, preparam ela para cirurgia, ela fica sem comer, e no final da tarde cancelam. E ela está cada vez pior. Está na cama, comendo muito pouco, amarrada”.
Pedro afirma que chegou a entrar em contato com a Assistência Social, mas que não teve respostas concretas.
“Nada. Estamos esperando resposta até agora. A assistência social só mandou procurar a ouvidoria”, relata o filho de dona Ana, demonstrando frustração com a falta de encaminhamento.
Apesar da revolta, os familiares fazem questão de destacar que não se trata de críticas aos profissionais de saúde que atendem a paciente, mas sim de um apelo por solução.
“Não estamos pedindo muito, apenas uma posição concreta da cirurgia que ela precisa fazer”, reforça Cristiani.
Outro ponto levantado pela família é a percepção de desigualdade no acesso aos leitos.
“Se for uma cirurgia paga, tem leito”, afirma Cristiani, citando um caso recente de um conhecido que conseguiu vaga ao migrar para atendimento particular.
O que diz o hospital
Procurada pelo portal TN Sul, a assessoria do hospital confirmou que a cirurgia foi suspensa devido à indisponibilidade na UTI e ressaltou que a gestão desses leitos é feita pelo Estado e não pelo Hospital São José. Confira na íntegra:
NOTA HOSPITAL SÃO JOSÉ
A cirurgia foi suspensa devido à indisponibilidade de leitos de UTI. Ressaltamos que esses leitos são regulados pelo Estado e, no momento, encontram-se com 100% de ocupação no hospital.
Assim que houver disponibilidade, o procedimento será realizado. Para garantir a segurança da paciente, é fundamental que o pós-operatório ocorra em ambiente de UTI.”, diz o comunicado.
Um apelo urgente
Enquanto a burocracia e a superlotação impedem o avanço do caso, dona Ana e toda a família seguem em uma angustiante espera.




