Alexandra Cavaler
Balneário Rincão
O crescimento de Balneário Rincão nos últimos anos revela uma cidade dividida entre avanços e carências históricas. De um lado, bairros com ruas pavimentadas, iluminação e acesso a serviços; de outro, comunidades onde a infraestrutura ainda é precária, a mobilidade é limitada e o acesso a direitos básicos segue sendo um desafio diário. No bairro Lagoa dos Freitas, essa desigualdade se materializa nas ruas sem pavimentação, na falta de manutenção e nas dificuldades enfrentadas por famílias que dependem de apoio social para garantir o mínimo.
Entre áreas urbanizadas e regiões ainda marcadas pela precariedade, o município revela contrastes que vão além da paisagem. Enquanto parte da cidade avança com infraestrutura e serviços, moradores de comunidades mais afastadas relatam dificuldades básicas e a sensação constante de abandono.
Na região próxima às dunas, famílias convivem com a falta de regularização, ausência de serviços essenciais e dificuldades de acesso. Um morador, que prefere não se identificar, conta que vive há mais de 20 anos na cidade e afirma que a situação pouco mudou ao longo do tempo.
Segundo ele, a comunidade onde reside acabou ficando à margem do desenvolvimento. “A gente quer fazer tudo certo, pagar energia, ter água regular, mas lá tudo é irregular. A gente tenta se organizar, mas não consegue apoio”, relata.
Reclamações em varias áreas
O morador afirma ainda que, apesar de ter buscado regularizar a situação do terreno, enfrentou problemas e hoje vive em uma área considerada irregular, o que impede avanços básicos. Ele também destaca que serviços simples, como transporte por aplicativo, não chegam até a localidade, obrigando os moradores a se deslocarem até pontos mais distantes.
“Além disso, há reclamações sobre a falta de manutenção nas vias. “Agora estão arrumando algumas ruas, mas a nossa nunca recebe melhorias. A gente se sente esquecido”, diz.
Outro ponto levantado é a incerteza em relação a cadastros habitacionais. Segundo o relato, moradores já buscaram inclusão em programas, mas nunca receberam retorno ou visitas técnicas para avaliação das condições.
Atualmente desempregado, assim como a esposa, o morador afirma que a família segue enfrentando dificuldades, mas mantém o desejo de conquistar moradia digna e regularizada. “A gente não quer nada fora da lei. Queremos nosso cantinho, pagar nossas contas certinho e viver com dignidade”, completa.
A realidade descrita por ele reflete a situação de outras famílias que vivem na mesma região, evidenciando os desafios enfrentados por comunidades que ainda aguardam por inclusão e infraestrutura básica no município.
O abismo social que reflete a desigualdade
Mais do que um contraste urbano, a desigualdade em Balneário Rincão expõe um abismo social que afeta diretamente a dignidade das pessoas. Enquanto parte da cidade avança, outra permanece à margem, convivendo com a ausência do poder público em áreas essenciais como educação, saúde e habitação. Nesse cenário, iniciativas como a Associação Beneficente Evangélica Construindo Gigantes e Associação Beneficente Mulheres Voluntárias do Mirassol, as quais envolvem o trabalho de lideranças como Simara Polucena e Gerusa João Inácio Florsovski surgem como redes de apoio fundamentais tentando suprir, com esforço coletivo, lacunas que deveriam ser garantidas de forma igualitária a toda a população.
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