22.1 C
Criciúma
quinta-feira, setembro 3, 2026

Mais de 6 mil pacientes esperam por exame de ultrassom em Criciúma

Com a demora, tem pacientes que acabam tendo que realizar outras avaliações

Criciúma

Paulo Paixão

Mais de 6 mil pessoas aguardam meses — e em alguns casos mais de um ano — na fila por um exame de ultrassonografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Criciúma. A longa espera tem preocupado pacientes e profissionais da saúde, já que o atraso no diagnóstico pode agravar problemas médicos. Um dos casos é o do usuário da rede municipal Dailto Feuser, que precisou esperar seis meses para conseguir realizar o exame no joelho.

Feuser conta que procurou atendimento após sentir uma forte dor. “Eu senti uma fisgada no joelho, fui na médica do posto do bairro e ela me mandou fazer um ultrassom. Fiquei aguardando esse exame e ele demorou seis meses. Saiu agora”, relatou.

A demora, porém, acabou trazendo consequências. “Só que agora, quando fui na consulta, o médico que fez o exame já disse que vou ter que fazer uma ressonância, porque demorou muito tempo”, contou.

O caso é citado também pelo vereador Luiz Fontana, que é médico. “Muitas pessoas que estão nessa fila há mais de um ano ou já fizeram o exame no particular ou continuam esperando e, nesse período, o problema acabou piorando”, afirmou. Segundo ele, os casos precisariam ser reavaliados para identificar quem ainda necessita do procedimento.

Cobranças no Legislativo

A espera por exames de ultrassonografia voltou a ser tema de debate na Câmara de Vereadores de Criciúma. A demora para a realização do procedimento preocupa pacientes e profissionais da área da saúde diante do elevado número de pessoas que aguardam atendimento na rede pública do município.

Informações apresentadas pelo vereador Luiz Fontana (PL) durante sessão do Legislativo apontam que milhares de pacientes estariam na fila para realizar o exame, mesmo com a existência de diversas clínicas na cidade com capacidade para oferecer o serviço.

Fontana levantou questionamentos sobre a forma como os exames vêm sendo organizados e contratados pela Administração municipal. De acordo com o parlamentar, a iniciativa de aprofundar a discussão surgiu após relatos recebidos tanto de pacientes quanto de clínicas da cidade. Ele citou como exemplo o caso de um assessor que aguardou meses para conseguir realizar um ultrassom no joelho.

O vereador também chamou a atenção para o número de estabelecimentos aptos a realizar o exame no município. Segundo ele, mais de 14 clínicas possuem estrutura para oferecer o procedimento, o que, em sua avaliação, deveria evitar a formação de uma fila tão extensa.

Outro ponto questionado pelo parlamentar é o encaminhamento de grande parte dos exames por meio de um consórcio regional de saúde, modelo que, segundo ele, trabalha com valores menores do que os pagos anteriormente.

Fontana ainda criticou a decisão da prefeitura de implantar uma nova clínica pública de ultrassom e raio-x no bairro Rio Maina, em vez de ampliar a quantidade de exames realizados nas unidades privadas já existentes na cidade. “O objetivo deles é abrir essa clínica lá no Rio Maina da prefeitura porque as clínicas não estão dando conta. Mentira!”, afirmou Fontana.

Ele acrescentou: “Por exemplo, teve clínica que abriu 500 vagas para fazer o mutirão e a prefeitura mandou 300 pessoas. Por que não mandou as 500 vagas que eles disponibilizaram? Não sei, não tem explicação”, disse o vereador à reportagem.

Na avaliação do parlamentar, a criação de uma nova estrutura exigirá investimentos em espaço físico, aquisição de equipamentos e contratação de empresa responsável por disponibilizar médicos para o atendimento, algo que, segundo ele, não seria necessário neste momento.

Diante do cenário, o vereador apresentou um requerimento na Câmara solicitando informações detalhadas sobre o tamanho da fila de espera e os critérios adotados para a contratação dos exames no município.

Encaminhamento para outros municípios

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a demanda por ultrassonografia em Criciúma é de aproximadamente seis mil solicitações por mês, no entanto o Município não confirma qual é a fila de espera atualmente. Em nota, a pasta afirmou: “Esse volume é significativamente maior do que a capacidade operacional das empresas que prestam o serviço na cidade”.

Sobre o tempo de espera, o município informou que encaminha pacientes para outros municípios com o objetivo de dar mais agilidade ao atendimento. “Para reduzir o tempo de espera, a Secretaria de Saúde já encaminha pacientes a prestadores em municípios vizinhos, garantindo o atendimento mesmo quando não há vaga nas empresas que atendem em Criciúma”, diz a nota.

A prefeitura também informou que trabalha na implantação de um Centro Municipal de Diagnóstico por Imagem. “O objetivo é ampliar a oferta de forma definitiva”, concluiu o comunicado.

Últimas