“Quando criança nunca tive um brinquedo e hoje mais de 3,5 mil ‘filhinhos’ já passaram pelas minhas mãos”. A mensagem é da moradora de Maracajá Ivonete Duarte Comin, de 66 anos, que encontrou uma maneira de mudar a sua realidade e transformou a trajetória em uma jornada marcada pelo cuidado, amor, perseverança e generosidade.
Ivonete descobriu uma maneira única de resgatar a magia do brincar a partir de objetos descartados no Centro de Triagem de Resíduos Sólidos da cidade onde reside. Hoje, por meio de gestos generosos, ela compartilha parte de seu valioso acervo, doando peças que cativaram o seu coração. Recentemente, em mais uma ação nobre, ela presenteou o Museu da Infância da Unesc com alguns de seus preciosos objetos.
“Com habilidade e cuidado, ela os preservou meticulosamente, e agora, alguns desses brinquedos resgatados ganharão um novo lar no Museu da Infância da Unesc, onde serão devidamente musealizados e colocados para a apreciação dos visitantes e pesquisadores, enriquecendo a exposição e mantendo viva a memória desses adoráveis personagens”, diz a coordenadora do Setor Arte e Cultura e do Museu da Infância da Unesc, Amalhene Baesso Reddig, a Lenita, que reforça que “Ivonete é uma verdadeira guardiã desses tesouros do passado, e sua coleção nos convida a refletir sobre o valor histórico e afetivo dos objetos que nos rodeiam”.
Para se ter uma ideia, um dos quartos da casa de Ivonete é exclusivamente dedicado aos brinquedos que ela seleciona cuidadosamente por tamanhos e em locais especiais da sua residência, seja em prateleiras, em cima da cama e até pendurados. Além disso, ela se dedica mensalmente a preservá-los, realizando uma limpeza minuciosa com grande atenção aos detalhes.
“Meu apego é imenso e eles estão sempre limpinhos. Não sei se serei capaz de me desfazer de todos os que encontrei, restaurei e cuidei”, acrescentou Ivonete, enquanto olhava atentamente para os bonecos doados aos Museu, aos quais dedicou tanto zelo e carinho ao longo dos anos.

Segundo Lenita, a atitude da colecionadora demonstra não apenas a paixão pelos brinquedos, mas também o compromisso em preservar o passado e compartilhá-lo com as futuras gerações.
Para a pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão, Gisele Coelho Lopes, a Universidade tem um compromisso contínuo em promover a excelência acadêmica e o desenvolvimento integral dos estudantes, proporcionando-lhes uma formação de qualidade que ultrapasse as fronteiras da sala de aula.
“Os museus da Unesc, dentre eles, o da Infância, desempenham um papel fundamental nesse contexto, pois é um espaço privilegiado para a complementação do ensino, a promoção da pesquisa e a interação com a comunidade”, enfatiza.
“Ao recebermos materiais para o nosso Museu, estamos enriquecendo o ambiente de aprendizagem dos nossos acadêmicos e visitantes. Esses objetos históricos não só despertam a curiosidade e o interesse dos estudantes, mas também os conectam com a história, a cultura e as tradições que permeiam o conhecimento que buscamos transmitir. Eles se tornam testemunhos tangíveis do nosso passado, instigando o pensamento crítico e estimulando o diálogo interdisciplinar”, acrescenta Gisele.




