Presidentes de cooperativas de energia de Santa Catarina se reuniram nesta terça-feira, 27, no auditório Ítero Rafael Zaccaron, na sede da Coopercocal, para discutir os desafios do setor diante da reforma tributária e os possíveis impactos das mudanças fiscais para os associados.
Um dos principais pontos da pauta foi a preocupação com a regulamentação da reforma tributária e os possíveis reflexos sobre o ato cooperativista, princípio que garante tratamento tributário específico às operações realizadas entre cooperativas e seus associados.
Segundo o presidente da Coopercocal, o Belha, a discussão é importante para preservar os diferenciais do modelo cooperativista e evitar o aumento dos custos para os consumidores. Ele alertou para a possibilidade de mudanças na cobrança de tributos sobre as faturas de energia elétrica e defendeu a mobilização do setor junto a deputados federais e senadores.
“Se eles colocarem esse imposto, não tem porquê de ser um associado da cooperativa”, afirmou o presidente, ao destacar que as cooperativas pertencem aos associados e devem oferecer benefícios aos consumidores.
Preparação para 2027
A reunião também abordou os desafios enfrentados pelas cooperativas após a quebra de 14 comercializadoras de energia no país, situação que, segundo o presidente da federação das cooperativas associadas, provocou prejuízos ao setor.
O encontro buscou discutir estratégias para que as cooperativas se organizem diante desse cenário e planejem as ações para 2027. Outro objetivo foi orientar os dirigentes sobre a necessidade de preparação das equipes contábeis e jurídicas para as mudanças previstas com a implementação da reforma tributária.
De acordo com Edson Flores da Cunha, presidente da FECOERUSC (Federação das Cooperativas de Energia de Santa Catarina), ao longo de 2026 foram realizadas reuniões e capacitações com colaboradores das cooperativas para preparar as instituições para as novas regras.
A preocupação envolve, principalmente, as alterações relacionadas ao PIS e à Cofins, além das novas alíquotas previstas no sistema tributário. A intenção é evitar que as cooperativas sejam surpreendidas por mudanças na regulamentação e garantir que os direitos relacionados ao ato cooperativista sejam preservados.
Cooperativismo e desenvolvimento regional
Além das questões tributárias e financeiras, a reunião reforçou a importância das cooperativas para o desenvolvimento das comunidades catarinenses.
O presidente da federação destacou que Santa Catarina tem forte presença do cooperativismo, com atuação em áreas como energia, crédito, agronegócio e educação. Segundo ele, a participação dos associados nas decisões contribui para fortalecer as instituições e impulsionar o desenvolvimento local e regional.
Na Coopercocal, esse trabalho também se reflete em iniciativas sociais. Entre elas está a Coopercocal Inclusiva, clínica inaugurada em 2026 para atender crianças com autismo, além de ações voltadas às mulheres cooperativistas e artesãs.
A reunião integra a agenda mensal dos presidentes das cooperativas catarinenses, mas teve caráter especial diante das mudanças tributárias e dos desafios econômicos previstos para o próximo ano.




