As fortes chuvas registradas nesta segunda-feira, 21, deixaram famílias desalojadas e causaram prejuízos em diferentes pontos de Criciúma e região. O volume de água fez rios transbordarem rapidamente, atingiu residências e obrigou moradores a deixarem suas casas em meio à elevação da água.
Entre os atingidos está Dejair Spinosa, que chegou a Santa Catarina há apenas 15 dias, vindo do Rio Grande do Sul. Ele alugou uma casa no bairro Sangão, próxima ao Rio Criciúma, mas não esperava enfrentar uma enchente de grandes proporções tão pouco tempo depois de chegar ao Estado.
“Viemos do Rio Grande do Sul pra cá faz 15 dias, alugamos uma casa ali em Sangão e ela fica próxima do rio, só que não esperava que ia ter aquela enchente ali”, relatou.
Segundo Dejair, a família precisou deixar a residência durante a tarde, quando a água já havia tomado a rua e começado a entrar na casa. Um vizinho utilizou um barco para retirar os moradores, que foram inicialmente levados até uma igreja próxima. Depois, com o apoio da Defesa Civil, a família foi encaminhada para um local de abrigo.
A residência, no entanto, ficou debaixo d’água. O carro também não pôde ser retirado da garagem. Agora, a preocupação é retornar ao imóvel, avaliar os danos e verificar o que poderá ser recuperado.
“Agora chegar em casa, arregaçar as mangas e fazer um faxinão grande lá, porque deve estar tudo embarrado”, contou Dejair.
Correnteza destrói parte de residência
Diego Gamarra relatou momentos de tensão durante a enchente. Ele conta que estava trabalhando quando recebeu uma mensagem da esposa avisando que o nível do rio estava subindo. Ele voltou para casa para tentar retirar equipamentos e objetos, mas a água aumentou rapidamente.
Em poucos minutos, a água chegou à altura do sofá dentro da residência. A família precisou retirar as crianças e, posteriormente, os bombeiros foram acionados para ajudar na retirada dos moradores.
A situação se agravou quando o muro da casa caiu e uma forte correnteza atingiu o imóvel. Segundo Diego, parte da estrutura começou a ceder e os objetos foram levados pela água.
Durante a retirada, porém, uma situação tornou o momento ainda mais doloroso. Um dos cachorros da família, o Paçoca, desapareceu depois que a correnteza atingiu a residência.
“Quando eu não achei meu cachorro, eu fiquei mais desesperado ainda, porque eles são como filhos mesmo meus”, contou Diego.
O outro cachorro foi colocado em uma geladeira durante o resgate para evitar que ele mordesse as pessoas que tentavam ajudar. Diego precisou deixar o local diante do risco de desabamento da casa.
Para quem quiser ajudar, os amigos de Diego mobilizaram uma vakinha. As doações podem ser feitas pelo pix 048.141.041-46 (Diego Gamarra).
Centro Multiuso recebe famílias atingidas
Com os impactos provocados pela chuva, o Centro Multiuso da AFASC, no Parque das Nações, foi utilizado como abrigo para pessoas que ficaram sem condições de permanecer em suas residências.
De acordo com Gisele, presidente de honra da AFASC, 40 pessoas passaram pelo espaço durante a noite, distribuídas em oito famílias. Com a melhora das condições, duas famílias conseguiram retornar para suas casas. Outras 28 pessoas permanecem no local.
“Devido às fortes chuvas ontem, a Defesa Civil referenciou aqui o Centro Multiuso da FASC como abrigo primário dessas pessoas que não têm para onde ir”, explicou Gisele.
A estrutura está funcionando em conjunto com o Serviço Social, a Defesa Civil e a Prefeitura de Criciúma. Além do acolhimento, a equipe acompanha o retorno das famílias e recebe doações para os atingidos.
Neste momento, são necessários principalmente materiais de limpeza, kits de higiene pessoal e roupas de cama. As doações podem ser entregues no Centro Multiuso, no Parque das Nações, bairro Próspera, e também no CREAS do bairro São Luís.
Rios voltam à calha, mas Defesa Civil mantém monitoramento
Na manhã desta terça-feira, 22, o nível dos rios apresentou redução. Segundo Fred Gomes, diretor da Defesa Civil, as equipes seguem acompanhando os pontos que ainda apresentam alagamentos e verificando as ocorrências registradas pela população.
“De uma forma geral, todos os rios que a gente teve problema, que a água saiu fora da calha, já voltaram ao normal”, afirmou.
Apesar da redução dos níveis, ainda existem locais onde a água permanece acumulada, seja pela situação dos rios ou por problemas de drenagem. As equipes trabalham na identificação dessas ocorrências e no encaminhamento dos atendimentos.
Fred também destacou que o volume registrado durante a chuva ficou muito acima do que era previsto. A estimativa inicial apontava para aproximadamente 20 a 30 milímetros de chuva, mas algumas estações registraram entre 170 e 180 milímetros em um único dia. A média histórica de setembro é de aproximadamente 130 milímetros.
Para os próximos dias, a Defesa Civil não prevê chuva significativa até o fim de semana, mas mantém o monitoramento das condições meteorológicas.
Moradores que tiveram suas casas atingidas e identificaram problemas estruturais devem registrar uma ocorrência junto à Defesa Civil para que uma equipe de engenharia faça a avaliação do imóvel. Também há atendimento da assistência social para orientar as famílias sobre os encaminhamentos necessários.
O cenário deixado pela chuva ainda é de limpeza, avaliação dos prejuízos e busca por recuperação dos bens perdidos. Enquanto moradores retornam às casas para verificar os estragos, equipes públicas e entidades assistenciais seguem mobilizadas para atender quem precisou deixar tudo para trás.




