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domingo, setembro 20, 2026

Da doação ao transplante, uma rede que pode salvar vidas

A mobilização ganha destaque no Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, celebrado em 22 de setembro, data que reforça a importância de ampliar o número de pessoas cadastradas nos registros de doadores.

Para quem espera por um transplante de medula óssea, encontrar um doador compatível pode significar uma nova oportunidade de viver. Para quem se cadastra como doador, é um gesto simples que pode salvar vidas. Entre esses dois momentos existe uma rede de cuidado que envolve cadastro, busca por compatibilidade, tratamento e transplante. É nesse caminho que atuam as unidades do Governo do Estado — o Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (HEMOSC) e o Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON).

A mobilização ganha destaque no Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, celebrado em 22 de setembro, data que reforça a importância de ampliar o número de pessoas cadastradas nos registros de doadores.

O HEMOSC é responsável pelo cadastro de doadores de medula óssea no Estado e faz o exame que descreve o Sistema HLA (Antígeno Leucocitário Humano) do doador. Este sistema é a “identidade” do sistema imunológico, que será usada para comparar a compatibilidade entre o doador e o receptor da medula. Já o CEPON realiza os transplantes de células-tronco hematopoéticas (TCTH), ou seja, a medula.  Assim, ambas as unidades formam uma rede que conecta quem pode doar a quem precisa de uma nova chance.

Em Santa Catarina, o cadastro pode ser realizado nas unidades do HEMOSC em Florianópolis, Criciúma, Chapecó, Lages, Joaçaba, Blumenau, Joinville, Tubarão, Jaraguá do Sul e Canoinhas.

Os dados dos voluntários passam a integrar o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Quando um paciente precisa de um transplante e não encontra um doador compatível na família, a busca pode chegar ao registro nacional. A chance de compatibilidade entre irmãos é de aproximadamente 25%. Entre pessoas não aparentadas, a possibilidade pode chegar a uma em 100 mil, dependendo das características genéticas analisadas. Por isso, cada novo cadastro importa.

Do cadastro à segunda chance

No CEPON, a Unidade de Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas é a única de Santa Catarina a realizar, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tanto transplantes autólogos, utilizando células do próprio paciente, quanto alogênicos, utilizando células de um doador. Em 2025, foram realizados 111 transplantes. De janeiro a agosto de 2026, já foram 103 transplantes, sendo 74 autólogos e 29 alogênicos. Por trás dos números estão pacientes que tiveram suas histórias transformadas pelo tratamento.

Geraldo Heck, de 59 anos, sempre teve uma vida ativa. Trabalhava, praticava esportes e não imaginava que um cansaço cada vez mais intenso e uma tosse persistente seriam sinais de leucemia. Depois do diagnóstico e do tratamento, a doença retornou alguns meses mais tarde. Foi então encaminhado para o transplante de medula óssea, realizado no CEPON em 28 de março de 2026. O procedimento alogênico marcou uma nova etapa de sua vida.

Hoje, Geraldo já retomou as caminhadas e corridas e fala sobre o transplante com gratidão. “Quem doa uma medula está dando uma segunda chance de vida para alguém”, afirma. A frase resume o significado de um gesto que começa muito antes do transplante: no momento em que alguém decide se cadastrar como possível doador.

Uma nova história para viver em família

Para Ana Jaqueline, de 33 anos, o transplante também representou uma oportunidade que parecia ser sua única possibilidade de cura. Mãe de três filhos, ela enfrentou aproximadamente três anos e meio de tratamento contra um linfoma de Hodgkin. Foram cerca de 45 a 50 sessões de quimioterapia e diferentes protocolos até que o transplante alogênico fosse indicado. A busca pelo doador começou dentro da própria família e o pai tornou-se o doador.

O transplante foi realizado em outubro de 2025. Próxima de completar 11 meses do procedimento, Ana já retomou atividades do cotidiano.”E o transplante me deu a liberdade de viver. Viver uma nova história, uma nova vida”, conta. A experiência também transformou sua relação com a doação. Hoje, incentiva familiares e amigos a doarem sangue e medula óssea. “Como meu pai salvou a minha vida, outras pessoas podem salvar a vida de muita gente”, afirma.

Quer ser um doador?

O cadastro de doadores de medula óssea pode ser realizado nas unidades do HEMOSC. Ao se cadastrar, o voluntário passa a fazer parte do REDOME e poderá ser chamado caso seja identificada uma possível compatibilidade com um paciente que necessita do transplante. Doe esperança. Cadastre-se como doador de medula óssea. Saiba mais em hemosc.org.br.

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