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sábado, agosto 29, 2026

Jovens brasileiros preferem empreender a ter carteira assinada

Pesquisas apontam mudança de mentalidade da nova geração; especialistas explicam como a educação empreendedora é crucial no mundo dos negócios

O desejo de autonomia, flexibilidade e propósito tem provocado uma mudança de mentalidade na nova geração de profissionais brasileiros. Pela primeira vez, a abertura de um negócio próprio se tornou um objetivo mais desejado do que o emprego formal.

Dados de um estudo da Hibou Pesquisa e Insights revelam que, entre o público de 16 a 34 anos, 33% preferem ter a própria empresa, contra 32% que ainda optam pelo regime CLT. A radiografia do Sebrae/PNAD Contínua corrobora a tendência e aponta quase 5 milhões de jovens com até 29 anos gerenciando o próprio negócio.

Onde estão e como atuam

Segundo a pesquisa do Sebrae, 43,5% desses novos empresários estão concentrados no Sudeste, 24,3% no Nordeste, 14,4% no Sul, 10,0% no Norte e 7,7% no Centro-Oeste. Em relação aos setores da economia, 57% atuam na área de Serviços, 17% no Comércio, 11% na Construção, 10% na Agropecuária e 5% na Indústria. “Hoje, o jovem não quer apenas um crachá; ele busca propósito e quer criar soluções para problemas reais. Essa geração é movida pela vontade de ser dona da própria rotina e ver o resultado direto do seu esforço. Existe também o fator financeiro e o desejo de não passar a vida toda como subordinado”, explica Nelly H. Marques Cordeiro, professora de cursos de Gestão.

Do entusiasmo aos desafios

A jornada de empreender cedo é marcada por obstáculos específicos e estruturais. A falta de bagagem de mercado, o acesso limitado a capital e a escassez de networking profissional costumam ser os primeiros baldes de água fria. “Em muitos casos, a ideia é boa, mas o empreendedor inicia sua trajetória sem conhecer profundamente o cliente, o mercado e a necessidade que pretende resolver”, esclarece o head de Inovação do Grupo Educacional Integrado, Fabrício Pelloso Piurcosky.

O especialista salienta que a mortalidade empresarial raramente acontece por um único motivo. “Os principais fatores envolvem falta de planejamento, gestão financeira inadequada, dificuldade para formar preço, ausência de controle de custos, baixo capital de giro e pouca capacidade de adaptação às mudanças”, complementa.

Obstáculo da confiança aos 20 anos

O estudante do 6º período do curso de Administração do Integrado, Guilherme Bittencourt Alcantud, de 20 anos, vivencia essa realidade no dia a dia. Ele é fundador da Chateau Labs, empresa de software e inteligência artificial que desenvolve automações e atendentes virtuais via WhatsApp. “A maior dificuldade é a credibilidade. Quando você é jovem, muita gente duvida da sua capacidade de entrega antes mesmo de te ouvir. Por isso, é necessário entregar o dobro”, relata.

Educação contra a mortalidade das empresas

Com o intuito de mitigar riscos e transformar ideias em propostas consistentes, Nelly e Piurcosky defendem que a capacitação contínua é o caminho seguro. Para eles, a educação empreendedora reduz incertezas, aumenta a qualidade das decisões e desenvolve competências essenciais como criatividade, liderança, resolução de problemas e visão estratégica.

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