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segunda-feira, agosto 10, 2026

Homem que obrigou ex a ingerir soda cáustica em SC é condenado

O indivíduo também golpeou a vítima com uma faca, que só não morreu porque o corte não atingiu a artéria por meio milímetro

Um morador de Campos Novos, no Planalto Sul de SC, foi condenado a 37 anos e cinco dias de prisão por obrigar a ex-companheira a ir até a casa dele, fazê-la ingerir soda cáustica e cortar seu pescoço. Ele foi julgado e condenado pelo Tribunal do Júri pelo crime de feminicídio tentado, com as causas de aumento de pena do descumprimento de medidas protetivas, meio cruel e recurso que dificultou a defesa.

O crime foi motivado pela não aceitação do término do relacionamento.

Segundo a denúncia, apresentada pelo Promotor de Justiça Paulo Roberto Colombo Junior aos jurados, poucos dias antes do crime, o homem, inconformado com o fim da relação, ameaçou a vítima de morte com uma faca, o que motivou um pedido de medidas protetivas de urgência. Na manhã do crime, ele descumpriu a decisão judicial e aguardou a vítima nas proximidades do seu local de trabalho, subindo de surpresa na garupa de sua moto assim que ela chegou e a obrigando a seguir até a casa dele. 

Chegando ao local, ele a forçou a ingerir soda cáustica, provocando graves queimaduras na boca e na língua. Mais tarde, quando a vítima estava sentada em uma cadeira, vomitando e sem nenhuma condição de reagir, ele desferiu uma facada em seu pescoço, com a intenção de matá-la. 

A vítima permaneceu agonizando por cerca de cinco horas, até que a irmã e a sobrinha do homem chegaram na casa e prestaram socorro, acionando o serviço médico. A morte somente não ocorreu por circunstâncias alheias à vontade do réu, pois o golpe não atingiu a artéria carótida da mulher por meio milímetro e a vítima conseguiu ser socorrida. 

Ela ficou com sequelas graves e prestou um depoimento emocionado durante o Tribunal do Júri, relatando aos jurados as consequências físicas e emocionais da violência e revivendo os momentos de sofrimento e medo enfrentados naquele dia. 

O Promotor de Justiça Paulo Roberto Colombo Junior diz que a condenação é uma resposta firme a mais um ato de violência praticado contra uma mulher em razão de uma escolha pessoal. “Não podemos aceitar a banalização da vida. O sentimento de posse e a incapacidade de aceitar um ‘não’ jamais podem ser tratados como justificativas para a violência. A impunidade se alimenta desse ciclo e pode custar vidas, por isso a resposta precisa ser firme, como aconteceu nesse caso”, conclui. 

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