22.3 C
Criciúma
domingo, agosto 2, 2026

Empresas devem se planejar para a Reforma Tributária

Próximos meses serão decisivos para empresas revisarem processos, tecnologia e gestão tributária antes da implementação gradual do novo sistema

A regulamentação da Reforma Tributária inaugurou uma nova fase para as empresas brasileiras. Embora a transição para o novo modelo seja gradual, o segundo semestre de 2026 será determinante para que empresários executem um planejamento estruturado.

De acordo com o Mapa das Empresas do Governo Federal, o país possui cerca de 25,2 milhões de empresas ativas. A adaptação não envolve apenas mudanças na forma de recolher tributos, mas também adequações em processos internos, sistemas, fluxo de caixa e governança fiscal, fatores que podem impactar diretamente a competitividade e até a continuidade dos negócios.

Além disso, por coincidir com o calendário das eleições de 2026, o ambiente regulatório tende a ganhar ainda mais atenção do mercado. Nesse contexto, a recomendação é para que donos e CEOs de empresas adotem uma postura preventiva, acompanhando a evolução da regulamentação e antecipando os ajustes necessários para reduzir riscos e preservar a competitividade.

Para a advogada Mérces da Silva Nunes, especialista em Direito Tributário, adiar esse planejamento pode representar um risco significativo. “A Reforma Tributária não exige apenas que as empresas paguem tributos de forma diferente. Ela exige uma mudança na forma de gerir o negócio. Quem deixar para se adaptar apenas quando as novas regras estiverem plenamente em vigor poderá enfrentar dificuldades operacionais, financeiras e de conformidade que, dependendo da situação da empresa, podem comprometer sua saúde financeira”, alerta.

3 razões para começar o planejamento ainda em 2026

  • O monitoramento das operações será cada vez mais intenso

O novo modelo tributário amplia significativamente a necessidade de integração entre contabilidade, informações fiscais, financeiras e bancárias. “A tendência é de um monitoramento muito mais sofisticado das operações das empresas por parte do Fisco, reduzindo espaços para inconsistências entre documentos fiscais, movimentação financeira e apuração dos tributos. Isso exige organização e governança desde já”, explica a advogada.

  • O split payment muda a lógica do fluxo de caixa

Com a implementação gradual do split payment, o valor correspondente aos tributos (CBS e IBS) será retido pela instituição financeira e repassado à União e ao Comitê Gestor no momento da liquidação da operação, enquanto a empresa receberá o valor líquido da operação. “Isso altera completamente a dinâmica do fluxo de caixa das empresas e exige planejamento financeiro, revisão de contratos, adequação de sistemas e maior controle sobre capital de giro. As empresas que não se prepararem poderão enfrentar dificuldades de liquidez”, comenta.

  • A adaptação tecnológica deixou de ser uma opção

A Reforma Tributária demandará atualização de ERPs, revisão de cadastros, parametrização de documentos fiscais, treinamento de equipes e revisão da cadeia de fornecedores e clientes. Quanto maior a empresa, maior tende a ser a complexidade dessa transição. “Quem iniciar esse processo apenas às vésperas da implementação corre o risco de enfrentar paralisações operacionais, autuações e aumento expressivo de custos”, alerta.

Conforme Mérces, embora a transição tenha sido desenhada para ocorrer ao longo dos próximos anos, o período de preparação é justamente agora. “2026 é o momento de diagnosticar riscos, revisar processos e construir um plano de adaptação. As empresas que enxergarem a Reforma Tributária apenas como uma mudança de alíquotas poderão ser surpreendidas por impactos muito mais profundos na operação. Em alguns casos, a ausência de planejamento poderá comprometer seriamente a continuidade do negócio”, conclui.

Últimas