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quinta-feira, agosto 27, 2026

Laje da Jagua: do mar a força da economia e do turismo internacional

Ondas gigantes atraem investimentos, ampliam a visibilidade da cidade e impulsionam setores como hotelaria, gastronomia, comércio e serviços durante todo o ano

Por Alexandra Cavaler

Jaguaruna

O município de Jaguaruna vive um momento de transformação econômica impulsionado por um de seus maiores patrimônios naturais. Conhecida pelas ondas gigantes que desafiam surfistas de todo o mundo, a Laje da Jagua vem consolidando o município como um dos principais destinos brasileiros para o surfe de ondas grandes, atraindo investimentos, ampliando a visibilidade internacional da cidade e abrindo novas perspectivas para o desenvolvimento econômico regional.

Mais do que um ponto de prática esportiva, a Laje da Jagua passou a representar uma oportunidade estratégica para reduzir a sazonalidade do turismo local, tradicionalmente concentrado nos meses de verão. A expectativa é que a movimentação gerada pelo chamado “Big Surf” fortaleça setores como hotelaria, gastronomia, comércio e serviços, especialmente durante o inverno.

O surfista de ondas grandes, Thiago Jacaré destaca que Jaguaruna vive um momento único de projeção nacional e internacional. “Hoje Jaguaruna é a bola da vez. Só se fala na Laje da Jagua. O potencial de divulgação que teremos com um campeonato mundial é muito maior do que qualquer outro evento realizado até agora. Jaguaruna já entrou no mapa mundial das grandes ondas”, afirma.

Segundo ele, o impacto econômico vai muito além do esporte. “O surfista não vem sozinho. Ele traz família, amigos, equipe de apoio. Essas pessoas se hospedam, frequentam restaurantes, compram no comércio local e movimentam toda a economia. Já percebemos isso nos dias de grandes ondas, principalmente na baixa temporada”, observa.

Jacaré ressalta ainda que a Laje da Jagua pode colocar Jaguaruna entre os principais destinos de ondas grandes da América do Sul. “Hoje temos uma das maiores ondas do Brasil em fundo de pedra e estamos disputando espaço entre as maiores da América do Sul. Isso cria uma vitrine internacional para o município e para toda a região”.

Sebrae lidera articulação para transformar litoral Sul catarinense em referência nacional no surf de ondas grandes

O potencial das ondas gigantes do litoral Sul catarinense está ganhando uma nova dimensão. Mais do que impulsionar a prática esportiva, o surf de ondas grandes passa a integrar uma estratégia de desenvolvimento regional liderada pelo Sebrae/SC, em parceria com o Movimento Big Wave Brasil e prefeituras da região.

A proposta é estruturar uma rota turística integrada envolvendo os municípios de Laguna, Garopaba, Imbituba e Jaguaruna, além de Tubarão como cidade de apoio e serviços, criando um roteiro capaz de atrair visitantes, investimentos e eventos de alcance nacional e internacional.

A iniciativa surge a partir da percepção de que a região reúne condições naturais privilegiadas para o surf de ondas grandes, mas ainda carece de organização e integração entre os diversos atores envolvidos na cadeia turística.

Nesse contexto, o Sebrae/SC assume papel estratégico na coordenação das ações voltadas à estruturação do destino, promovendo o diálogo entre o poder público, empresários e entidades ligadas ao turismo e ao esporte.

Segundo a analista de Projetos do Sebrae/SC, Juliana Ghizzo, o trabalho vai muito além da promoção do surf e busca transformar um potencial existente em um produto turístico estruturado e competitivo. “Estamos conduzindo um processo de construção de um roteiro integrado entre os cinco municípios com a temática do Big Surf. As ondas já existem, o interesse existe, mas precisamos organizar essa oferta turística para que ela se torne um destino consolidado. O objetivo é estruturar, formatar e operacionalizar esse roteiro, envolvendo os empreendedores locais e fortalecendo toda a cadeia produtiva do turismo”, destaca.

A atuação do Sebrae prevê uma série de etapas voltadas à qualificação do setor. Entre elas estão o mapeamento dos pontos de interesse relacionados ao surf de ondas grandes, a integração dos atrativos turísticos existentes, a construção de um calendário de ações e eventos, além da produção de materiais promocionais e informativos.

Outra frente importante será a mobilização do empresariado regional. A expectativa é ampliar a participação de hotéis, pousadas, restaurantes, agências de turismo, operadoras e demais negócios ligados ao atendimento dos visitantes.

“Queremos aproximar os empreendedores dessa oportunidade e ajudá-los a desenvolver produtos e serviços alinhados a essa demanda. O turismo de experiência tem crescido muito e o Big Surf pode se tornar um diferencial importante para a região”, ressalta Juliana.

De acordo com a analista, o surf está presente em diversos destinos turísticos ao redor do mundo, mas as ondas grandes representam um nicho específico e altamente valorizado, capaz de atrair praticantes, admiradores e turistas interessados em experiências ligadas ao esporte e à natureza. “O Big Surf não substitui as características individuais de cada município. Pelo contrário, ele complementa a oferta turística já existente, amplia o fluxo de visitantes e cria novas oportunidades de geração de renda para os negócios locais”, acrescenta.

A proposta também busca fortalecer a identidade regional, criando uma conexão entre os municípios por meio de um produto turístico comum, capaz de valorizar as características naturais e culturais do litoral Sul catarinense.

Para o surfista de ondas grandes e idealizador do Movimento Big Wave Brasil, Thiago Jacaré, a construção dessa rota representa um passo fundamental para consolidar a região no cenário nacional e internacional. “Temos ondas grandes, temos cultura e temos uma história ligada ao mar. O que faltava era organização. Muitas pessoas nem sabem onde estão os picos, como chegar ou quais serviços encontrar. A integração entre as cidades permitirá criar um destino mais atrativo e preparado para receber visitantes e atletas”, afirma.

Com a articulação liderada pelo Sebrae/SC, a expectativa é transformar um patrimônio natural já reconhecido pelos surfistas em um produto turístico estruturado, capaz de gerar desenvolvimento econômico, fortalecer a identidade regional e posicionar o litoral Sul catarinense entre os principais destinos brasileiros para o surf de ondas grandes.

Desenvolvimento econômico durante o ano inteiro

Para o secretário municipal de Esporte e Turismo, Dante Mariga Gentil, a principal meta da Administração Municipal é transformar a Laje da Jagua em um motor econômico permanente.

“A nossa grande meta é transformá-la em um motor econômico para o ano inteiro, diminuindo a dependência exclusiva do verão. O potencial para gerar emprego, renda e atrair turistas nos meses frios é enorme”, destaca.

Embora o fluxo turístico ainda esteja em fase de consolidação, o secretário afirma que os reflexos já podem ser percebidos. “Hoje a cidade atrai atletas profissionais, equipes de apoio e canais de mídia especializados durante o inverno. O desafio agora é transformar essa presença em fluxo turístico contínuo e consumo efetivo no comércio local”.

Visibilidade internacional e novos investimentos

A aposta do município para acelerar esse processo está na realização de grandes eventos ligados ao surfe de ondas gigantes. Apelidada por muitos de “Nazaré Brasileira”, em referência à famosa praia portuguesa conhecida pelas ondas extremas, a Laje da Jagua ganhou notoriedade após registrar algumas das maiores ondas já surfadas no país.

“A nossa grande aposta é sediar eventos de alcance mundial. Essa visibilidade internacional será fundamental para consolidar Jaguaruna como destino turístico especializado”, afirma Gentil, revelando que entre as iniciativas em andamento está a construção da Rota do Big Surf, projeto regional que reúne os municípios de Jaguaruna, Laguna, Imbituba, Garopaba e Tubarão. A proposta busca integrar atrativos turísticos, serviços e infraestrutura voltados ao turismo esportivo.

Além disso, a prefeitura confirmou um aporte de R$ 300 mil para apoiar a realização de um evento mundial de ondas gigantes, posicionando o município entre os principais patrocinadores da competição.

Benefícios para o comércio local

Embora os resultados econômicos mais expressivos ainda sejam projetados para os próximos anos, empresários dos setores de hotelaria, gastronomia e comércio já acompanham o crescimento do interesse pela região. “O trade turístico apoia a iniciativa porque sabe que o surfe de ondas grandes pode movimentar a cidade justamente no período em que tradicionalmente há menos visitantes”, explica o secretário.

Outro projeto considerado estratégico é a regulamentação do passeio náutico até a Laje da Jagua. Como a formação rochosa e as ondas gigantes não podem ser observadas da praia, a proposta prevê operações seguras para levar turistas até o local durante os períodos adequados.

Orgulho local e legado para as futuras gerações

Além dos impactos econômicos, a Laje da Jagua também vem fortalecendo a identidade cultural da comunidade. Segundo Dante Gentil, estão sendo estudadas iniciativas como a criação de um museu dedicado à história da Laje e a construção de um monumento que represente a onda gigante.

“O maior ganho neste momento é o resgate do orgulho da comunidade. Queremos que os jovens reconheçam esse patrimônio natural como uma riqueza da cidade e uma oportunidade de futuro”.

Para Thiago Jacaré, o legado também passa pela educação e pelos projetos sociais. “Estamos levando essa história para dentro das escolas, mostrando às crianças o potencial que existe aqui. O Big Surf pode gerar oportunidades para atletas, profissionais do turismo e para toda a comunidade. É um movimento que está apenas começando”, conclui o surfista.

Feito histórico de Michaela Fregonese amplia a projeção e reforça potencial do município

A histórica onda de 12,25 metros surfada por Michaela Fregonese na Laje da Jagua, em Jaguaruna, representa muito mais do que um recorde esportivo. O feito da atleta paranaense, considerado a maior onda já surfada por uma mulher no Brasil, reforça o protagonismo do município catarinense no cenário das ondas gigantes e amplia as oportunidades econômicas ligadas ao turismo esportivo.

A Laje da Jagua vem ganhando destaque nacional e internacional por reunir condições raras para a prática do Big Surf. A cada nova sessão de ondas extremas, a região atrai atletas, equipes técnicas, cinegrafistas, fotógrafos especializados e milhares de espectadores pelas plataformas digitais.

O recorde conquistado por Michaela coloca novamente Jaguaruna em evidência e fortalece um mercado que movimenta patrocinadores, marcas esportivas, produção audiovisual, eventos internacionais e o turismo de experiência. Nos principais destinos mundiais de ondas gigantes, a exposição gerada por grandes feitos esportivos costuma refletir diretamente na economia local, com aumento da procura por hospedagens, restaurantes, passeios e serviços ligados ao turismo.

A sessão que resultou no recorde ocorreu após a passagem de um ciclone extratropical pelo Sul do país, condição que gerou um swell de grande intensidade e levou surfistas de diferentes estados até o litoral catarinense. As imagens da onda rapidamente repercutiram entre praticantes e veículos especializados, ampliando a visibilidade da Laje da Jagua no circuito internacional.

“Eu acho que fui privilegiada com essa onda. Tava todo mundo falando sobre o recorde, mas quando vi as imagens depois fiquei de queixo caído. Realmente foi uma onda muito grande e difícil de surfar”, afirmou Michaela após a sessão histórica.

A atleta vive um dos melhores momentos da carreira. Em 2025, conquistou o título mundial do Big Wave Challenge, disputado na Califórnia, além de vencer as categorias Onda do Ano e Maior Onda do Ano, consolidando seu nome entre os principais do surfe de ondas gigantes no mundo.

O novo recorde feminino reforça ainda mais a importância da Laje da Jagua para os projetos de desenvolvimento turístico da região. Com iniciativas voltadas à realização de competições internacionais, estruturação da Rota do Big Surf e promoção do destino em feiras e eventos especializados, Jaguaruna busca transformar a notoriedade conquistada no mar em geração de renda e oportunidades para a população.

Embora a maior onda já surfada no Brasil continue sendo a de 14,82 metros, registrada por Lucas Chumbo na própria Laje da Jagua em 2025, o feito de Michaela amplia a presença feminina no esporte e confirma o potencial do litoral sul catarinense como um dos principais polos de ondas gigantes da América do Sul.

Michaela surfando o “paredão de água” de 12,25 metros na Laje da Jagua

Maternidade, superação e ondas gigantes

Quando encarou a parede de água de 12,25 metros na Laje da Jagua, em Jaguaruna, a surfista Michaela Fregonese não imaginava que estava escrevendo um capítulo histórico do surfe brasileiro. A onda, considerada a maior já surfada por uma mulher no país, é resultado de uma jornada iniciada ainda na adolescência, marcada por mudanças de vida, desafios físicos e muita persistência.

Natural de Curitiba, Michaela começou a surfar aos 12 anos, no litoral paranaense, praticando bodyboard. Aos 15, trocou a prancha e, dois anos depois, mudou-se para Florianópolis para perseguir o sonho de viver do esporte.

“Comecei no bodyboard aos 12 anos e passei para a prancha aos 15. Aos 17 fui morar em Florianópolis e comecei a competir. Viajei muito, morei em Bali, no Havaí e vivi intensamente o surfe”, relembra.

Apesar da paixão pelas ondas grandes, a decisão de se dedicar profissionalmente ao Big Surf veio apenas anos depois, já na fase adulta e após a maternidade.

“Depois que meu filho nasceu, em 2008, fiquei muito focada na maternidade. Mas em 2017 fiz uma viagem para Porto Escondido, no México, e lá peguei um tubo com uma prancha gigante. Foi naquele momento que decidi que queria ser uma das melhores surfistas de ondas grandes do mundo”.

O caminho, porém, não foi simples. Na mesma cidade mexicana onde decidiu seguir carreira, viveu um dos momentos mais difíceis da trajetória. “Foi meu primeiro campeonato de ondas grandes. Tomei uma onda muito forte, fui parar no hospital, levei mais de 30 pontos e tive que voltar para casa de cadeira de rodas. Naquele momento pensei que não tinha nascido para aquilo. Foi muito traumatizante”, lembrou.

Anos depois, a perseverança seria recompensada. Em 2025, Michaela conquistou o título mundial do Big Wave Challenge, na Califórnia, além dos prêmios de Maior Onda do Ano e Onda do Ano, considerados alguns dos mais importantes do surfe de ondas gigantes. “Ser campeã das duas categorias ao mesmo tempo foi o ápice da minha carreira. Sempre sonhei em vencer uma delas, mas nunca imaginei conquistar as duas”, comemora

O desafio da Laje da Jagua

Mesmo experiente, Michaela admite que sentiu apreensão antes de encarar a onda que entraria para a história.

“Eu estava com muito receio porque nunca tinha surfado aquela esquerda da Laje da Jagua. Sempre existe aquele medo de as coisas não darem certo, de cair ou acontecer alguma coisa”.

A dimensão do feito só ficou clara depois que ela deixou o mar. “Todo mundo falava que eu tinha pego uma onda gigante, mas eu não tinha noção do tamanho. Quando vi as imagens depois, a ficha caiu. Fiquei de queixo caído. Era realmente uma onda muito grande”, revelou.

Para a surfista, a Laje da Jagua reúne características únicas e ainda tem potencial para produzir marcas ainda maiores. “Sem dúvida nenhuma é a melhor laje do nosso litoral. Ela quebra para os dois lados e suporta ondulações gigantes. Quanto maior a ondulação, melhor ela funciona. Eu acredito que ainda veremos muitos recordes sendo quebrados lá”.

Referência para novas gerações

Michaela também acredita que o recorde feminino ajuda a impulsionar todo o universo das ondas gigantes. “Agora existe uma marca a ser batida. Isso tira as pessoas da zona de conforto e motiva outros atletas a buscarem seus limites. É um movimento importante para o surfe de ondas grandes”, destacou a surfista que, aos 45 anos, mantém uma rotina intensa de treinos, que inclui musculação, exercícios aeróbicos, corrida, pedaladas, natação e preparação mental.

“Quando as ondas gigantes chegam, você precisa estar pronta. Por isso procuro treinar sempre, dormir bem e me alimentar da melhor forma possível”, contou acrescentando que depois do recorde histórico em Jaguaruna, os planos seguem voltados para o mar. “Quero continuar buscando as maiores ondas do mundo, ter bons resultados nos campeonatos e seguir evoluindo. Também sonho em conquistar patrocinadores maiores para continuar perseguindo as ondas gigantes”.

Thiago Jacaré e os Jagua Boys: os homens que colocaram a Laje da Jagua no mapa mundial das ondas gigantes

“A Maior Onda da Minha Vida foi lá em Nazaré, Portugal”, conta Jacaré – Registro: @diegobalestr

Muito antes de a Laje da Jagua ganhar o apelido de “Nazaré Brasileira”, registrar recordes nacionais e atrair a atenção da comunidade internacional do surfe, um grupo de apaixonados pelo mar já acreditava que aquele pico escondido no litoral de Jaguaruna tinha potencial para entrar na elite mundial das ondas gigantes.

Entre eles estava Thiago Jacaré, surfista que cresceu entre a Praia da Jagua e o Farol de Santa Marta e que se tornou um dos principais nomes na divulgação da maior onda do Brasil. Hoje, após mais de duas décadas dedicadas ao Big Surf, ele vê o reconhecimento chegar justamente para um projeto que ajudou a construir desde o início.

“São 22 anos de luta proclamando que a Laje da Jagua era a maior onda do Brasil. Durante muito tempo pouca gente acreditava. Agora isso foi reconhecido e a gente vê a Laje da Jagua se consolidando como a capital nacional das ondas gigantes”, afirma.

A paixão pelo surfe começou ainda na infância. Frequentador assíduo das praias da região, Jacaré ganhou sua primeira prancha por volta dos 12 anos e rapidamente se apaixonou pelo mar. “Eu já vivia na praia desde criança. Depois comecei a surfar praticamente todos os dias e fui me encantando pelas condições maiores, pelas ressacas e pelos desafios que o oceano oferecia”, conta.

O encontro com o Big Surf aconteceu no início dos anos 2000, quando conheceu o surfista Zeca Scheffer, considerado um dos pioneiros na exploração da Laje da Jagua. “Foi ali que comecei a enxergar uma carreira ligada às ondas grandes. Participei de toda aquela fase inicial, recebendo atletas, ajudando na logística, monitorando os swells e acompanhando cada passo da descoberta da laje”.

O nascimento dos Jagua Boys

Da convivência entre surfistas, pilotos de jet ski, fotógrafos e apoiadores nasceu o grupo Jagua Boys, hoje uma das principais referências do Big Surf brasileiro.

A iniciativa surgiu a partir da antiga Associação de Tow In de Jaguaruna e ganhou identidade própria após a morte de Zeca Scheffer, em 2006. “Percebemos que precisávamos de um nome que representasse nossa história. A inspiração veio de equipes australianas que protegiam e desenvolviam picos de ondas gigantes. Assim nasceu o Jagua Boys, um grupo formado por pessoas apaixonadas pela Jagua e pelo surfe de ondas grandes”, revelou Jacaré.

Hoje a equipe reúne surfistas, pilotos, fotógrafos, cinegrafistas e profissionais responsáveis por toda a operação que envolve uma sessão de ondas gigantes. “Todo mundo é importante. Desde quem pilota o jet ski até quem está registrando as imagens. Existe uma coordenação enorme para que tudo funcione com segurança”, reforça.

A escola que preparou Jacaré para Nazaré

Um dia de treino da equipe Jagua Boys, na Laje da Jagua – Registro: @bredoliveira

Para Thiago, a Laje da Jagua foi a grande responsável por sua evolução dentro do esporte. “A Laje da Jagua me deu a experiência e a técnica necessárias para depois surfar ondas como Nazaré, em Portugal. Foi ali que eu me preparei física, mental e psicologicamente”, ressalta o morador da região, assinalando que a ligação com o local vai muito além do esporte. “Minha casa fica de frente para a laje. Eu acordo, abro a janela e vejo a onda quebrando. Tenho uma relação de amor com aquele lugar desde criança. Também participei de muitas lutas para preservar a praia, as lagoas e as dunas”.

O dia em que quase morreu em Nazaré

Acostumado a enfrentar ondas gigantes, Jacaré viveu em 2018 o momento mais dramático da carreira. Durante uma sessão em Nazaré, Portugal, considerada uma das ondas mais perigosas do planeta, ele sofreu uma queda que quase terminou em tragédia.

“Caí logo na primeira onda de uma série e tomei cinco ondas de aproximadamente 20 metros na cabeça. Elas me empurravam em direção às pedras. Foi o pior caldo da minha vida. Se eu não tivesse sido resgatado, talvez não estivesse aqui contando essa história. Até hoje muita gente em Nazaré diz que não entende como consegui sobreviver”, lembra.

Apesar dos riscos, Jacaré acredita que o medo faz parte da modalidade, mas não pode dominar o atleta. “O medo existe e sempre vai existir. O segredo é transformá-lo em adrenalina. Se você desce uma onda gigante dominado pelo medo, a chance de algo dar errado aumenta muito. É preciso confiar na preparação e entrar na água com coragem”, declara Jacaré.

O sonho que colocou Jaguaruna no radar mundial

“Um dos muitos dias memoráveis na Laje da Jagua, urfando na Remada”, Luiz Henrique da silva (luizinhobigsurf) – Registro: @luisreis_photo

Quando começou a falar sobre o potencial da Laje da Jagua, Jacaré admite que muitos consideravam a ideia exagerada. Hoje, porém, vê o pico catarinense sendo comparado aos maiores destinos do planeta. “A gente sempre sonhou com essa projeção internacional. Plantamos essa semente durante muitos anos. Agora estamos começando a colher os resultados, pontuou ele relatando que o reconhecimento esportivo é apenas parte da transformação que pode acontecer na região. “O Big Surf pode mudar a realidade econômica de Jaguaruna. Já vemos mais atletas, mais visitantes, mais mídia especializada chegando. Com campeonatos internacionais, hotéis, pousadas, restaurantes e o comércio local tendem a crescer muito”.

O próximo desafio

Mesmo depois de tantos recordes, viagens e experiências extremas, Thiago Jacaré ainda guarda um sonho. “Quero surfar Jaws, no Havaí. Era um objetivo antigo, mas tive problemas com visto e precisei adiar esse plano. Agora surgiu uma nova oportunidade e espero realizar esse sonho em breve”.

Enquanto isso, ele continua trabalhando para que a Laje da Jagua alcance um novo patamar. “Meu maior orgulho é ver o mundo inteiro falando de uma onda que a gente acreditou quando quase ninguém acreditava. A Laje da Jagua ainda tem muita história para escrever”, conclui orgulhoso.

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