HMISC: Profissionais entrarão em greve e pacientes serão transferidos

Atendimento hospitalar deve ser interrompido a partir do meio-dia desta sexta-feira, 29, em meio à transição de gestão da unidade e ao impasse envolvendo o pagamento de salários e rescisões

O atendimento no Hospital Materno-Infantil Santa Catarina (HMISC), em Criciúma, deve ser interrompido a partir do meio-dia desta sexta-feira, 29, em meio à transição de gestão da unidade e ao impasse envolvendo o pagamento de salários e rescisões trabalhistas dos profissionais da saúde.

O corpo clínico encaminhou um ofício ao Ministério Público, Governo do Estado, Secretaria de Estado da Saúde, Central Estadual de Regulação de Leitos, SAMU Estadual e ao Conselho Regional de Medicina do Estado de Santa Catarina alertando sobre a situação (confira abaixo na íntegra).

Segundo o documento, durante a manhã e parte da tarde desta quarta-feira, 27, o pronto-socorro e o centro obstétrico funcionam apenas para casos de urgência e emergência. A partir das 15h, a unidade inicia a transferência dos pacientes internados para outros hospitais da região. A previsão é de paralisação total das atividades até sexta-feira.

A atual gestora do hospital encerra o contrato no sábado, 30. A nova administração ficará sob responsabilidade da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Bernardo do Campo (SBCampo), de São Paulo, vencedora do edital de chamamento público para gerir o novo contrato do HMISC.

Enquanto a mudança se aproxima, o hospital enfrenta aumento no absenteísmo entre os profissionais e incertezas sobre os pagamentos pendentes.

Em trecho do ofício redigido pelo corpo clínico e enviado às autoridades, os profissionais alertam sobre a situação enfrentada pelo unidade de saúde. “O hospital encontra-se em processo de transição administrativa, associado a atrasos reiterados de pagamentos, insegurança trabalhista e progressiva redução das equipes assistenciais, especialmente de enfermagem e apoio técnico, situação que já vem ocasionando insuficiência crítica de profissionais em setores essenciais da instituição”.

Paralisação está prevista para esta semana

Em entrevista à Rádio Som Maior, o cirurgião pediátrico do hospital, Dr. Christian Prado, afirmou que os trabalhadores devem entrar em greve caso salários e verbas rescisórias não sejam quitados até o meio-dia de sexta-feira.

“É muito difícil imaginar que eles vão receber até meio-dia, não acredito que o Estado e nem o IDEAS, que administra o hospital até agora, vão realizar o pagamento”, alertou.

Segundo Prado, uma das principais preocupações é a transferência dos pacientes internados, especialmente os casos mais delicados. “A preocupação que nós temos é que além das entradas dos pacientes externos, nós temos 45 pacientes internados. E nós não podemos chegar e tentar transferir todo mundo de um dia para o outro”, ressalta Dr. Chistian.

Outro ponto levantado pelo médico envolve os contratos dos profissionais de apoio e técnicos de enfermagem contratados pelo regime CLT. Segundo ele, o IDEAS antecipou o aviso prévio das equipes de apoio e dos técnicos de enfermagem. Com isso, os contratos desses profissionais se encerram em 30 de maio, enquanto a nova empresa responsável pela administração do hospital assume apenas em 1º de junho.

Pacientes internados serão transferidos para outros hospitais da região

As transferências dos pacientes internados começam ainda na tarde desta quarta-feira. Conforme o cirurgião, a partir das 15h desta quarta-feira, os pacientes internados começarão a ser transferidos para outros hospitais da região que possuam leitos estaduais, inclusive de UTI. Entre as unidades que devem receber os pacientes estão o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, o Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, e o Hospital Regional de Araranguá. Caso não haja vagas disponíveis, os pacientes poderão ser encaminhados para outras regiões do Estado, conforme a disponibilidade de leitos.

Prado também relatou casos recentes atendidos pela equipe médica e demonstrou preocupação com a continuidade do atendimento nos próximos dias. “Hoje de manhã nós recebemos um paciente na emergência com meningite e que teve parada cardíaca. Teve um bebê que foi atendido e esse paciente precisa ir para a UTI. Os médicos têm compromisso ético até 31 de maio, mas sem nenhum técnico de enfermagem e demais profissionais, como manter o atendimento?”, questiona o cirurgião.

A situação gera preocupação também por ocorrer às vésperas do inverno, período em que tradicionalmente aumenta a demanda por internações pediátricas e atendimentos hospitalares.

Baixe e confira o ofício na íntegra:

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