O homem que estuprou e assassinou Ana Beatriz Schelter, uma adolescente de 12 anos, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, foi condenado na madrugada desta quarta-feira, 13, depois de 16 horas de julgamento. O crime ocorreu em 2 de março de 2016. O réu responderá por mais de 58 anos e nove meses de prisão em regime fechado.
O homem, de 58 anos, foi o primeiro a ser julgado no processo em que outros dois homens também foram denunciados. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri da Capital. O réu, que está detido desde 2020 e acompanhou o júri, não poderá recorrer em liberdade.
A condenação
O principal autor do assassinato brutal foi condenado por estupro de vulnerável, praticado em concurso de pessoas, mediante emboscada e com abuso da relação de hospitalidade e confiança que mantinha com a vítima; por homicídio qualificado, cometido por asfixia, também mediante emboscada, com recurso que dificultou a defesa da vítima e com o objetivo de assegurar a execução, a ocultação e a impunidade de outro crime, caracterizando feminicídio agravado pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos; além de fraude processual qualificada, em razão da alteração deliberada da cena do crime.
“É um dos casos mais chocantes e desumanos que eu já vi. Esse processo pede justiça. São dez anos de espera e hoje aqui vai ser feita justiça com provas técnicas. A família quer justiça não por vingança, mas por responsabilidade”, afirmou a promotora de Justiça Lanna Gabriela Bruning Simoni.
“A justiça tem mãe, tem filhos e a certeza do julgamento de hoje. A Ana não está mais aqui. Muitas Anas desse mundo não desejam o fim que ela teve”, pontuou o promotor de Justiça Jonnathan Augustus Kuhnen.
Ao final, Ismael Schelter, pai de Ana Beatriz, agradeceu aos promotores de Justiça e afirmou que a justiça foi feita.
Relembre o Caso Ana Beatriz
Ana Beatriz, com então 12 anos, saiu de casa a pé, por volta das 13h do dia 2 de março de 2016, para percorrer o trajeto de poucos minutos até o Colégio Estadual Henrique da Silva Fontes, onde cursava o sétimo ano. Ela nunca chegou ao destino. O desaparecimento foi registrado em boletim de ocorrência naquela noite pelo pai, noticiando o desaparecimento da filha. Na manhã seguinte, o corpo da adolescente foi encontrado dentro de um contêiner às margens da BR‑470, em Rio do Sul.
A perícia constatou que a cena havia sido forjada para simular suicídio por enforcamento, hipótese posteriormente descartada. O exame pericial confirmou que a vítima foi submetida a violência sexual e morta por asfixia, mediante esganadura.
Três homens são acusados pelo crime
Em maio de 2020, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou denúncia contra três homens pelo estupro e assassinato da menina.
O MPSC defende que no trajeto, antes de chegar ao colégio, um homem conhecido da família de Ana, que inclusive frequentava a mesma igreja que a menina e os pais, teria oferecido carona para a vítima. Com ele havia um comparsa no carro.
De lá, os homens seguiram para um local não identificado, onde teriam violentado sexualmente a vítima, causando em Ana graves lesões corporais. Para esconder o crime, os homens teriam matado Ana Beatriz via asfixia por esganadura.
Com Ana já sem vida, o homem que lhe ofereceu carona conseguiu a ajuda de um outro conhecido para esconder o corpo. Ele trabalhava na empresa de banheiros químicos onde a menina foi encontrada e seria o responsável por ter colocado a corda no pescoço dela para simular um suicídio. Além disso, após montar a cena, ele mesmo chamou a polícia.
A investigação apurou também que ele e outro denunciado teriam perfil associado à exploração sexual de crianças e adolescentes, o que reforçou o vínculo entre os envolvidos e o contexto dos crimes.
De acordo com o Ministério Público, apenas o homem que ofereceu carona a Ana Beatriz era conhecido da família da vítima.
Os outros dois homens eram conhecidos do mentor do crime e respondem pelo crime em liberdade. O comparsa que estava no carro também é acusado de estupro de vulnerável e homicídio qualificado.
Os outros dois réus serão julgados pelo Tribunal do Júri da Capital em sessão marcada para o dia 25 de junho de 2026.
Familiares e amigos da vítima acompanharam julgamento
Os pais de Ana Beatriz, familiares e amigos da família acompanharam durante todo o dia e noite o júri popular, no salão de júris do Fórum de Florianópolis. Eles vestiram camisetas com a foto de Ana Beatriz e pediam justiça.
“Quando fiquei sabendo do caso, que a minha tia me explicou e como estudante de Direito, resolvi vir participar do ato por conta que é um caso que choca a gente”, lamentou Vanessa Cristina Karling de Lima Santos, amiga da família.
*Com informações de MPSC




