Guerra encarece insumos e pressiona indústria do plástico

Alta do petróleo eleva custos, trava negociações e acende alerta para desabastecimento e queda na demanda

Thiago Oliveira

Criciúma

A escalada do conflito no Irã já ultrapassa fronteiras geográficas e atinge, com força, a indústria do Sul catarinense. Com a disparada de mais de 50% no preço do petróleo desde o início da crise, o setor plástico vive um cenário de instabilidade, custos elevados e incertezas operacionais.

Na região Sul de Santa Catarina, principal polo da cadeia produtiva do plástico, os impactos são diretos. O aumento no preço do petróleo afeta diretamente insumos como o polietileno (PE) e o polipropileno, amplamente utilizados na produção de embalagens e descartáveis.

Já está na rotina

De acordo com o diretor executivo do Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc), Elias Caetano, o impacto já é sentido na rotina das empresas, que enfrentam dificuldades tanto na aquisição de matéria-prima quanto na definição de preços. “A gente vem sofrendo os impactos diretos sobre os custos. A disponibilidade de matéria-prima, a logística e a formação dos preços estão instáveis. Nós temos aqui grandes empresas que já suspenderam vendas, que estão vendendo com o preço do dia, sem poder garantir preço e operando sem garantias contratuais mínimas, tanto no suprimento quanto na revenda. É atípico dentro do nosso setor trabalhar com tanta incerteza e volatilidade. É um setor que é muito diversificado, mas nosso carro-chefe aqui da região é descartável, e as embalagens e a reciclagem são segmentos que não tem gordura para margem de erro de médio e longo prazo. Os preços estão sendo repassados.  A indústria da nossa região, é um elo intermediário da cadeia. Está pressionado entre os fornecedores, entre os aumentos de preços, de custos de matérias-primas dos fornecedores e uma retração nas compras de clientes. Então, a gente fica pressionado com margens já comprimidas”, destaca.

Efeito dominó até o consumidor

A presença do plástico em praticamente todas as cadeias produtivas faz com que o impacto se espalhe rapidamente. “Quase todas as atividades consomem plástico. E aqui na região, estamos dedicados especialmente à produção de embalagens, para higiene, limpeza, bebidas, alimentos, além dos descartáveis. Então, é um efeito dominó. Petróleo e gás mais caros vão elevar o custo de matéria-prima e são a base da nossa indústria. E isso vai, em cascata, refletir no preço do produto lá na gôndola do supermercado. Mas é uma cadeia longa. Então, até que o material comprado seja embarcado, viaje, chegue aqui, seja transformado na embalagem que vai ser entregue lá na indústria, por exemplo, de alimentos. Até que essa indústria produza o alimento, embale com a nossa embalagem e leve para o supermercadista, que vai colocar na logística interna de reposições até ir para a gôndola, leva um tempo que ainda não aconteceu. Mas é inevitável que isso aconteça e isso ainda vai ser percebido de uma maneira muito mais expressiva, porque o que nós estamos percebendo hoje é um mercado que não está comprador, mas que tem que repassar. Agora, quando o consumidor final começar a perceber o aumento do custo, é que a gente vai realmente sentir a queda da demanda. É lá na ponta que o ritmo de compra e o poder de compra do consumidor final é que vai ditar o ritmo”, explica Elias.

Instabilidade

Os números reforçam a dimensão do problema. Em alguns casos, o preço da matéria-prima mais do que dobrou em poucas semanas. “Alguns materiais da nossa matéria-prima já subiram mais de 100%. Polipropileno, polietileno são as nossas principais matérias-primas. Saímos de um patamar de em torno de 700 dólares por tonelada para mais de 1.400 dólares. Está mudando todos os dias, não tem nenhuma garantia. As tabelas estão mudando todos os dias”, garante o diretor do Sinplasc.

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