Thiago Oliveira
Criciúma
Depois de conceder férias coletivas de 60 dias aos trabalhadores, a Dexco, controladora da marca Ceusa, em Urussanga, deve prorrogar o período por, pelo menos, mais 15 dias. A decisão já foi comunicada ao Sindicato das Indústrias de Cerâmica de Criciúma (Sindiceram) e também ao Sindicato dos Trabalhadores Ceramistas e da Construção Civil.
Para o diretor executivo do Sindiceram, Manfredo Gouveia, trata-se de um movimento estratégico diante da queda nas vendas. “Notadamente, há uma retração no volume de vendas. Se olharmos para a última década, nós temos uma retração da atividade econômica que é notada, salta aos olhos. Pelo menos quatro fábricas entre produtores de cerâmica e colorifícios, três delas fecharam, uma recentemente comunicou que está estudando a transferência de 100% da sua produção para outra região do país”, afirma.
Banco de horas
Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Ceramistas, Itaci de Sá, contesta a forma como a empresa conduz o processo, especialmente a possibilidade de utilização do banco de horas para compensar o período adicional. “Não é muita surpresa, porque sabemos como a Dexco age, como é a política dela. Ela deu 60 dias de férias e agora ela quer prorrogar por mais 15 dias e possivelmente mais 15 da unidade de Urussanga. Mas colocar esses 15 dias em banco de horas e argumentamos que banco de horas não é para isso”, explica, destacando ainda que foi marcada uma reunião hoje entre a empresa e o sindicato. “Eles querem saber a alternativa. A alternativa é pagar. O banco de horas não é para colocar em férias coletivas e nem licença remunerada. É quando o empregado precisa sair sem ter horas para descontar. É para isso. Não 15 dias mais 15 dias. Porque o empregado não quer ficar parado e colocar no banco de horas. Isso não. A lei não é bem clara, mas a jurisprudência dos tribunais está sendo bem clara nisso. Banco de horas é excepcionalmente para casos assim”, completa.
Sinal de alerta no setor
O episódio se soma a um cenário já delicado. No ano passado, a Dexco demitiu cerca de 30 trabalhadores e encerrou uma linha de produção em Urussanga. Para o sindicato laboral, o movimento é indicativo de um possível fechamento da unidade no futuro. “A gente sabe que vão fechar a unidade de Urussanga daqui a pouco. Depois vão fechar a Portinari, em Criciúma. A gente lamenta, mas não tem muita coisa a fazer. Não é só cerâmica. São outras atividades, outras empresas que eles compraram. Eles têm uma fábrica em Botucatu, em São Paulo. Uma unidade grande. Vão produzir com as marcas Ceusa e Portinari. Os trabalhadores estão sabendo e vamos ver como vai ser feito isso”, afirma Itaci.
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