Uma ação conjunta entre a Polícia Civil de Santa Catarina e a Polícia Federal resultou no resgate de vítimas de exploração sexual e na desarticulação de um esquema de trabalho análogo à escravidão em São Lourenço do Oeste, no Oeste do estado, na última sexta-feira (10).
Entre as vítimas está uma mulher argentina, de 22 anos, que vivia em situação de cárcere privado. A filha dela, de apenas 3 anos, foi encontrada em outro endereço, separada da mãe — estratégia utilizada pelo grupo criminoso para exercer controle emocional e impedir tentativas de fuga.
De acordo com as investigações, mulheres eram atraídas com promessas de altos ganhos, mas ao chegarem ao local eram submetidas à exploração sexual e a um sistema de servidão por dívida. As vítimas eram cobradas de forma abusiva por despesas básicas, como alimentação e moradia, o que as mantinha presas ao esquema.
O grupo também utilizava mecanismos de vigilância e intimidação, como retenção de documentos e celulares, monitoramento por câmeras, presença de seguranças e até agressões físicas contra quem resistisse.
A apuração teve início na Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de São Lourenço do Oeste, após denúncias registradas por vítimas desde 2023. O avanço das investigações, intensificado após uma prisão em flagrante em 2025, levou o caso à esfera federal devido à suspeita de tráfico internacional de pessoas.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em quatro endereços. Dois homens apontados como responsáveis pelo esquema foram presos em flagrante.Eles devem responder por crimes como redução à condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, cárcere privado e lavagem de dinheiro. Ambos permanecem à disposição da Justiça Federal.A operação contou ainda com o apoio do Ministério Público do Trabalho.



