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quarta-feira, setembro 2, 2026

Operação da PF investiga fraude previdenciária de R$ 365 mi na Celesc

Fraudes ocorreram entre 2004 e 2011; operação tem ex-diretor financeiro da fundação Celos como principal alvo

A Operação Sem Lastro, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira, 8, tem o dinheiro de aposentados da fundação Celos, administradora da previdência da Celesc como ponto central. Segundo o delegado federal Christian Barth, o rombo chega ao valor total de R$ 365 milhões e estaria afetando o bolso de segurados.

“Atualmente, os segurados tanto aposentados como pessoas que ainda não se aposentaram, estão tendo que fazer aportes financeiros nas contribuições por conta das perdas que essas operações causaram no fundo”, afirma o delegado.

Um ex-diretor financeiro da entidade é o principal alvo da investigação e é apontado como integrante do núcleo decisório responsável pela fraude que ocorreu entre 2004 e 2011. O homem era responsável por aplicar o dinheiro dos participantes em fundos de investimento de alto risco e baixa qualidade (estes fundos são chamados de “ativos podres”).

Segundo informado pelo delegado, as perícias indicaram não se tratar apenas de perdas normais de mercado, mas sim de decisões fora das normas, sem uma análise adequada e que foram feitas de forma acelerada. Ao todo, seis investimentos foram analisados.

Por meio de nota, a Celos informou que colaborou de forma integral com os oficiais e ressaltou que as investigações dizem respeito a operações realizadas há mais de 15 anos “não guardando qualquer relação com a carteira de investimentos atualmente administrada pela Celos”.

Indícios de lavagem de dinheiro também foram descobertos

A PF ainda identificou indícios de que parte do valor pode ter sido desviada e retornado ao ex-diretor. Isso se deve porque ao menos 35 imóveis, todos localizados em Santa Catarina, foram comprados no mesmo período em que os investimentos foram feitos. Essas propriedades estavam no nome de uma empresa “laranja” ligada a parentes do principal investigado.

“Como as compras se deram no período desses investimentos e provavelmente o dinheiro desse investimento deve ter retornado para essa pessoa investigada e essa empresa não tem laço financeiro para compra, é muito possível que que nós estamos diante de um crime de lavagem de dinheiro, com a ocultação da origem do valor desviado”, explica o delegado.

Operação Sem Lastro atinge núcleo patrimonial

Ao deflagar a Operação Sem Lastro, nesta quarta-feira, 8, a Polícia Federal bloqueou até R$ 365 milhões e sequestrou mais de 30 imóveis. Além disso, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em dois endereços de investigados em Florianópolis.

A PF busca atingir, com esta operação, o núcleo patrimonial do esquema, desta forma interrompendo o fluxo financeiro ilícito, preservando recursos para um eventual ressarcimentos dos prejuízos gerados.

Leia abaixo o pronunciamento da Celesc

A Fundação Celesc de Seguridade Social – Celos tomou conhecimento, por meio da imprensa, da deflagração da Operação Sem Lastro, conduzida pela Polícia Federal nesta data.

Com base nas informações disponíveis até o momento, a operação tem como foco investigações relacionadas a decisões de gestão ocorridas entre os anos de 2004 e 2011, envolvendo ex-gestores da Fundação. Nenhum membro da atual Diretoria Executiva, do Conselho Deliberativo ou do Conselho Fiscal da Celos é objeto das investigações. Da mesma forma, nenhum endereço de operação da Fundação foi alvo de qualquer medida policial.

A Celos esclarece ainda que, ao longo dos anos, colaborou integralmente com as autoridades competentes — incluindo a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e a própria Polícia Federal — sempre que foi chamada a prestar informações relacionadas a esse período. Essa postura de transparência e cooperação institucional reflete o compromisso da Fundação com a legalidade e com a proteção dos interesses de seus participantes e assistidos.

É importante destacar que as investigações dizem respeito a operações realizadas há mais de 15 anos, não guardando qualquer relação com a carteira de investimentos atualmente administrada pela Celos. Os ativos que compõem os portfólios dos planos previdenciarios e de saúde são periodicamente avaliados e acompanhados pelos órgãos de governança da Fundação, em conformidade com a regulamentação vigente.

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