Área industrial milionária segue sem uso em Morro da Fumaça

Terreno adquirido por quase de R$ 3,2 milhões em 2022 permanece sem infraestrutura e sem empresas instaladas

Morro da Fumaça

Paulo Paixão

A proposta era impulsionar o desenvolvimento econômico e ampliar a capacidade industrial de Morro da Fumaça. Aproximadamente três anos depois, no entanto, a segunda área adquirida pela prefeitura às margens da rodovia Genésio Mazon segue praticamente inativa, e tem se formado alvo de questionamentos.

O terreno, com cerca de 20 hectares, foi comprado em 2022, durante a gestão do então prefeito Agenor Coral, o Noi, por R$ 3.196.000,00. O investimento foi viabilizado por meio de financiamento do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), linha de crédito voltada a obras de infraestrutura e desenvolvimento municipal. A intenção anunciada à época era clara: criar uma segunda área industrial para atrair empresas e gerar empregos.

Na prática, porém, o cenário atual está distante do planejado. A área passou apenas por serviços de terraplanagem e ainda não conta com infraestrutura básica para instalação de empreendimentos, como redes completas de acesso, energia ou saneamento. Até agora, nenhuma empresa iniciou atividades no local.

A dificuldade de acesso ao espaço também é percebida por empresários. A reportagem teve acesso a uma conversa em que um empreendedor fumacense relata a tentativa frustrada de obter um terreno na área para instalar sua empresa. Sem sucesso, ele aponta entraves no processo, o que levanta dúvidas sobre a efetividade da política de ocupação do espaço.

Enquanto isso, o investimento público segue sem retorno prático visível — ao menos até o momento —, o que reforça críticas sobre planejamento e execução. O tema ganha ainda mais relevância diante da expectativa criada junto à comunidade empresarial local, que vê na expansão industrial uma oportunidade de crescimento econômico.

Município diz que processo de ocupação está em curso

Procurada, a atual administração, sob o comando do prefeito Eduardo Guollo, informou por meio da assessoria de imprensa que a área industrial está dividida em três escrituras e que há movimentações em andamento. Segundo o município, duas das áreas maiores já estão em processo de ocupação: uma delas foi concedida e possui projeto aprovado, atualmente em fase de implantação, com previsão de cerca de 8 mil metros quadrados de construção.

A segunda área, conforme a prefeitura, está em fase de concessão, com uma empresa avaliando a viabilidade de instalação. Já a terceira gleba depende diretamente da conclusão das obras da SC-442, que deve se tornar o principal acesso ao terreno. Após a finalização da rodovia, a proposta é criar uma área com lotes menores para novos empreendimentos.

Por conta de um termo de confidencialidade junto comas empresas, o Município não divulgou mais informações em relação a que setor são as empresas que buscam se instalar no local.

Apesar das justificativas, o fato é que, passados três anos da aquisição, o espaço ainda não cumpre o papel para o qual foi adquirido. Entre promessas, entraves e dependência de obras externas, a área industrial segue como um investimento que, até agora, não saiu do papel — e que continua à espera de resultados concretos para justificar o aporte milionário.

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