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segunda-feira, agosto 31, 2026

(vídeo) Comunidade do Pinheirinho vai às ruas contra insegurança

Protesto reuniu mais de 300 pessoas, bloqueou avenida por quase uma hora e expôs rotina de medo, furtos e sensação de abandono no bairro

Alexandra Cavaler

Cansados de conviver com furtos frequentes, medo constante e a sensação de abandono, moradores e comerciantes do bairro Pinheirinho realizaram, na noite desta terça-feira (31), um grande protesto para cobrar segurança e medidas efetivas do poder público. O ato ocorreu por volta das 18h30, em frente à Alianda (ponto de referência), reuniu mais de 300 pessoas e contou com fechamento intercalado da via nos dois sentidos por cerca de uma hora, além de cartazes e “apitaço” que ecoaram como um grito coletivo por mudanças.

A mobilização, considerada histórica por quem participou, é resultado de anos de insatisfação acumulada. Moradores relatam que a criminalidade aumentou de forma significativa, impulsionada principalmente por furtos, presença constante de usuários de drogas e ausência de respostas concretas das autoridades. O cenário afeta diretamente o cotidiano: comerciantes acumulam prejuízos, famílias evitam sair de casa e espaços públicos, inclusive próximos a escolas, passaram a ser associados à insegurança.

O comerciante e liderança comunitária Rafael Topanotti destacou que o ato superou as expectativas e simboliza uma mudança de postura da comunidade. Segundo ele, a participação expressiva demonstra que os moradores estão dispostos a se mobilizar e cobrar providências. “Hoje a gente está feliz, porque realmente superou. A comunidade está enxergando que precisa se mexer para que as coisas mudem. Esse movimento é de quem ama o bairro e quer um lugar melhor para viver”, afirmou.

Topanotti também ressaltou que a mobilização foi pacífica e organizada, com apoio de diferentes setores da comunidade. Para ele, o ato marca um ponto de virada. “Acredito que o Pinheirinho nunca teve um movimento desse tamanho. É a comunidade unida, cobrando da Prefeitura, do Ministério Público e das forças de segurança”, completou.

Já o empresário Beto Benedet reforçou que a mobilização é um alerta diante de problemas antigos que se agravaram com o tempo. Ele relata que comerciantes convivem com constantes furtos e prejuízos. “Muitas vezes somos acordados de madrugada por alarme, porque cortaram fios ou tentaram invadir o comércio. A importunação é diária. Falta segurança para trabalhar e para viver”, disse.

Segundo ele, embora existam ações por parte do poder público e da polícia, elas não têm sido suficientes para resolver o problema. “É preciso algo mais concreto, mais fiscalização e medidas efetivas. O bairro cresce, é pujante, mas precisa de segurança para continuar se desenvolvendo”, pontuou, destacando que novos protestos não estão descartados.

Moradores também relatam medo constante. Um deles, que preferiu não se identificar, afirmou que a insegurança impede até atividades simples do dia a dia. “Tem muito roubo, abordagem nas ruas, principalmente com mulheres. A gente não consegue andar tranquilo. Enquanto não resolver a questão dos pontos de droga, nada muda”, declarou.

A falta de infraestrutura também agrava o cenário. A moradora Sandra Maria da Silva denuncia a ausência de iluminação pública em sua rua há mais de seis meses. “A rua está completamente escura. Já invadiram minha casa. A gente não dorme direito, vive com medo. Nunca vi uma situação assim em toda a minha vida”, relatou.

Para os participantes, o protesto representa mais do que um ato pontual — é o início de uma mobilização contínua por dignidade, segurança e qualidade de vida. A comunidade afirma que seguirá cobrando respostas até que medidas concretas sejam adotadas.

O governo municipal foi procurado, mas até o fechamento da edição não deu retorno.

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