15.1 C
Criciúma
quarta-feira, setembro 2, 2026

Itens da Ku Klux Klan são encontrados em prédio público nos EUA

Os objetos da década de 1960 foram encontrados no Departamento de Segurança Pública

Objetos pertencentes à Ku Klux Klan foram encontrados no prédio do Departamento de Segurança Pública do estado de Mississippi, no Estado Unidos. As informações foram publicadas pelo jornal local Mississippi Today, nesta quarta-feira, 25.

A Ku Klux Klan, ou KKK, é um grupo supremacista branco dos EUA, fundado no ano de 1866, e tinha o objetivo de causar terror entre os ex-escravos, que conseguiram a liberdade em 1867, além de “por fim ao dogma da igualdade racial”. Com o passar dos anos, membros do grupo estenderam a intolerância à Igreja católica, aos judeus e a imigrantes. O grupo tem responsabilidade em diversos atos de violência, como linchamentos, atentados, intimidação e assassinatos.

Os itens dos anos 1960, foram encontrados por funcionários enquanto limpavam um armário antes da transferência da instituição para um novo edifício.

Entre os objetos estavam um manto, anotações de reuniões, materiais de propaganda e recrutamento, estatuto do grupo, além de uma lista de membros que haviam realizado ou não, o pagamento de suas mensalidades.

Foto: Departamento de Segurança Pública do Mississippi

Os itens ainda incluíam um manual com instruções sobre como organizar uma reunião do grupo.

Também foi encontrado um manual de um braço do grupo supremacista chamado de “Cavaleiros Brancos”. Tal grupo era considerando como a parte mais violenta da KKK. De acordo com o Mississippi Today, o número de integrantes dos “Cavaleiros Brancos” chegou a quase 100 mil por todo estado durante a década de 1960, tendo inclusive apoio de setores políticos locais.

Foto: Departamento de Segurança Pública do Mississippi

Todos os objetos foram entregues ao Departamento de Arquivos e História do estado do Mississippi.

“Ao preservar esses artefatos e esclarecer a existência dessas organizações, ajudamos a garantir que as gerações futuras nunca sejam desviadas por esse ódio”, destacou o Comissário de Segurança Pública do estado, Sean Tindell, por meio de um comunicado.

Para o diretor do Departamento de Arquivos, Barry White, o material tem grande valor histórico, principalmente por auxiliar pesquisadores a entender melhor o funcionamento interno da KKK no estado. De acordo com White, analisar e digitalizar todo o material pode levar meses.

Além dos itens ligados à Ku Klux Klan, também foram encontradas pastas antigas da Patrulha Rodoviária rotuladas “Agitadores Comunistas” e “Viajantes da Liberdade”. Ambas as pastas continham fotografias e relatórios sobre ativistas dos direitos civis que participaram dos chamados “Freedom Rides”.

Os integrantes desse movimento viajavam pelo sul dos EUA, desafiando leis de segregação racial que ainda eram praticadas na região, especialmente em terminais de transporte. O grupo realiza tais ações porque, apesar de decisões judiciais proibirem a separação entre pessoas brancas e negras nesses espaços, as regras continuavam sendo desrespeitadas em vários estados sulistas.

De acordo com os registros, as autoridades locais mantinham uma monitoração desses grupos e, em alguns casos, os classificavam como “agitadores comunistas”.

Últimas