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quarta-feira, setembro 2, 2026

Mestrando desenvolve prancha baseada em ciência na Unesc

Mateus Salazar uniu paixão pelo surf com a formação acadêmica ao transformar o hobby em objeto de pesquisa científica

O surfista e engenheiro Mateus Salazar transformou uma pergunta comum entre praticantes do esporte em pesquisa científica. Como resultado do mestrado no Programa de Pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM) da Unesc, ele desenvolveu um protótipo de prancha baseado em parâmetros mecânicos e estruturais estudados ao longo de dois anos de pesquisa.

Em 2023, ser pesquisador não era uma hipótese para Mateus Salazar, então estudante do curso de Engenharia Mecânica da Unesc. Na época, cursando a reta final da graduação, ele vislumbrou a oportunidade por meio de um convite para integrar um projeto de pesquisa que estudaria o tema que já fazia parte de sua vida há muito tempo: o surf. Seria possível unir o hobby com uma chance de alavancar a carreira de engenheiro? Sim. E a experiência seria ainda melhor que o imaginado.

O projeto ganhou forma junto ao professor e orientador Matheus Vinicius Gregory Zimmermann, do Grupo de Pesquisa Ciência e Engenharia de Polímeros (Cepol). A parceria uniu o interesse do docente em estudar o tema com a experiência prática do estudante no surf.

Da proposta feita em sala de aula até o aceite do convite, o tempo foi de apenas alguns minutos. De lá para cá, no entanto, passaram-se dois anos dedicados com intensidade aos estudos, que lhe rendeu, neste início de 2026, o título de mestre. “A ideia logo me chamou muito a atenção. Identifiquei o convite como uma boa proposta de unir o útil ao agradável, de estudar o que eu gosto, fazer o mestrado, contribuir para a minha formação e para a ciência nesse esporte que faz parte da minha vida”, comenta.

Como resultado da pesquisa realizada no Programa de Pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM) da Unesc, além do trabalho acadêmico de dissertação, Mateus desenvolveu a própria prancha a partir daquilo que, junto ao orientador, estudou sobre os parâmetros e materiais a serem utilizados. Para ele, o resultado surpreendeu positivamente. 

“Estou muito feliz com essa conquista. O meio acadêmico abre muitas portas, nos possibilita estudar o funcionamento da área de interesse e documentar para contribuir com as próximas pesquisas, ou seja, outras pessoas podem ler esse estudo que nós fizemos e contribuir também daqui para frente. Isso auxilia não só na nossa evolução pessoal e profissional, mas também da área no geral”, avalia.

Materialização do trabalho acadêmico

O protótipo em si, para o orientador da pesquisa, é um grande diferencial e demonstra a materialização do trabalho acadêmico, mas o principal legado do estudo é a própria evolução do estudante e a contribuição científica para a área. “Nosso papel central como professor orientador e nossa retribuição como pesquisador é inspirar novos profissionais à pesquisa. O mais importante, para mim, é o quanto ele cresceu e se apoderou do assunto nesses dois anos, contribuindo para a ciência nessa área. Isso é o principal que o PPGCEM pode entregar, uma formação de mão de obra qualificada com olhar voltado à aplicação prática da ciência”, garante.

O desejo, conforme o professor, é seguir evoluindo no estudo. “O resultado foi positivo, mas não consideramos a investigação concluída. É um tema interessante que tem muito a ser estudado para conseguir avançar”, comenta o professor, que pontua a ideia de monitoramento de propriedades da prancha em tempo real como um dos próximos passos na pesquisa.

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