Criciúma larga bem e vence o Náutico na estreia da Série B

Thiago Oliveira
Recife (PE)


Longe de casa, sob o calor e a pressão de um estádio tradicional do futebol brasileiro. Foi assim que o Criciúma iniciou a caminhada na Série B do Campeonato Brasileiro. Nos Aflitos, em Recife, o primeiro passo de uma trajetória de 38 rodadas.

Mais do que uma estreia, o confronto marcou o início de um percurso que tem como objetivo o retorno à elite do futebol nacional. Em um campeonato longo, em que cada ponto constrói, ou cobra, lá na frente, largar bem fora de casa representava mais do que resultado. Era sinal de competitividade e capacidade de enfrentar contextos adversos.

E o Tigre fez a parte dele. O time venceu o Náutico por 1 a 0 e largou bem na competição nacional. O único gol do jogo foi marcado por Waguininho, logo no início da partida.

O jogo marcou também a estreia do novo uniforme titular. A camisa têm como inspiração, o histórico título estadual de 1986, o primeiro depois que o clube passou a usar as três cores.

O Criciúma terá, agora, mais de uma semana de preparação para o primeiro jogo em casa na Série B. O time volta a campo no dia 1º de abril, quarta-feira da próxima semana, para receber o Athletic, às 21h30, no Heriberto Hülse.

Início avassalador do Tricolor Carvoeiro

Mesmo jogando a mais de 3 mil quilômetros de Criciúma, o Tigre começou o jogo parecendo estar no Majestoso. O time pressionava o Náutico desde o início e logo aos dois minutos, teve grande chance de abrir o placar. Falta cobrada na área e a bola sobrou para César Martins, que chutou forte, mas para fora.

O Criciúma continuou em cima, e o gol não demorou a sair. Aos cinco minutos, Marcelo Hermes levantou a bola na área e Waguininho subiu sozinho para cabecear tirando do goleiro. Festa tricolor nos Aflitos.

O Náutico só teve a primeira oportunidade aos 13 minutos. Na falta da intermediária, Dodô levantou na segunda trave, e o ataque do timbu tocou para fora, mas a arbitragem já havia parado o lance por impedimento.

Aos 15, contra-ataque rápido pela direita com Jhonata Robert que invadiu a área, mas teve o chute travado no último momento. No minuto seguinte, quase que o goleiro do Náutico entregou. Jean Irmer chutou de longe, no meio do gol, mas a bola quicou e bateu no ombro do experiente Muriel Becker, obrigando a defesa a tirar para escanteio. Por pouco o Criciúma não ampliava

E o Tigre não parava. Na cobrança de escanteio, Otero, que fazia a estreia com a camisa tricolor, bateu fechado e quase marcou um gol olímpico.

Muitas chances desperdiçadas

O Náutico só voltou a aparecer no jogo na metade da etapa inicial. Aos 23, o Timbu pediu um pênalti, reclamando de toque de mão de Waguininho depois da falta cobrada na área por Dodô, mas o arbitro não marcou nada.

Aos 27, Vinícius recebeu na direita, segurou e arriscou de fora. A bola desviou em César Martins e passou perto do gol.

O Náutico crescia no jogo e quase chegou ao empate aos 41. Depois do bate e rebate na área, a bola sobrou para Wenderson que bateu com força, mas Alisson tirou com a ponta dos dedos.

Mas o jogo era todo para o Criciúma, que quase ampliou em mais um contra-ataque. Aos 47, Jhonata Robert puxou a jogada pela direita e tocou para Otero que mesmo com espaço, bateu mal, direto para a linha de fundo.

Aos 49, foi a vez de Waguininho ter mais uma grande chance. O camisa 13 pegou a bola na área pelo lado esquerdo, cortou o defensor duas vezes, mas na hora de chutar, acabou bloqueado.

Expulsão cedo muda o segundo tempo

A segunda etapa começou com um lance que mudou a dinâmica do jogo. Em uma disputa, Samuel Félix, do Náutico, entrou com o pé alto, no tornozelo de Marcinho. O árbitro deu o cartão amarelo, mas foi chamado pelo VAR, e trocou pelo vermelho direto.

Com um a mais, o Tigre ganhava um pouco mais de tranquilidade na partida, mas seguia perdendo chances. Aos seis, Diego Gonçalves perdeu mais um gol incrível. Depois do cruzamento pelo lado direito, a bola passou por todo mundo e sobrou para o atacante escorar para o gol, sem goleiro, mas ele cabeceou para fora.

Em vantagem numérica, o Criciúma controlava o jogo, mas agredia menos o adversário, que mesmo com um a menos, não se entregava. O Náutico buscava os contra-ataques, mas também não assustava.

Aos 23, Eduardo Baptista promoveu a entrada de Fellipe Mateus, que voltava ao time após longo período lesionado. Mas o meia não conseguiu ajudar o Criciúma a chegar ao segundo gol.

Mesmo com um a mais, o Criciúma caiu de produção, e pouco ameaçava a defesa dos donos da casa. Já o Timbu até se esforçava, mas não conseguia mostrar poder de reação.

O jogo só voltou a ganhar um pouco de emoção nos minutos finais, quando o Náutico se jogou para o campo de ataque em busca do empate. O Criciúma se segurou bem e ainda teve mais uma grande chance, em contra-ataque, de matar a partida, mas não conseguiu aproveitar. No fim, vitória pelo placar mínimo e início de Série B com o pé direito.

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